Pais e alunos ?No mundo da imaginação?

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Logo na entrada do CDI Irmã Cecília Venturi está o motivo de os alunos aguardarem ansiosamente pela quinta-feira.

Trata-se de um expositor de livros, que deixa a mostra quais são os exemplares disponíveis na semana para serem levados para casa. Isto é apenas parte do projeto “No mundo da imaginação”, que começou em março deste ano e continuará até o final do ano letivo. O principal objetivo do projeto é ampliar o repertório cultural das crianças do CDI e a literatura infantil é apenas um dos suportes utilizados para chegar ao resultado esperado. “O projeto é um sucesso porque atinge todas as crianças do CDI e a maioria dos pais estão verdadeiramente envolvidos, são poucos os que não levam os livros para casa”, afirma a coordenadora Joice Theiss Werner.

O projeto se iniciou com uma feira de livros, onde os pais tiveram também a oportunidade de adquirir livros para ter em casa. Então, foi o momento de os alunos pintarem sacolas ecológicas, em que os livros emprestados pela escola são levados para casa todas as quintas-feiras. “Toda a quarta-feira, eu ponho livros no expositor, para que os pais possam lembrar de trazer a sacola no dia seguinte e os alunos conheçam o que poderão levar para casa. Só leva livro quem lembrar de trazer o que pegou na semana anterior. Mudo o tipo de livro toda semana. Em uma são livros-brinquedo, em outra, contos de fadas ou livros de pano”, conta Joice. A animação já começa na quarta-feira, no momento em que a criança lembra que no dia seguinte levará um livro para casa. A coordenadora conta que as crianças cobram muito dos pais para que eles não esqueçam de levar o livro da semana anterior e exigem que os pais contem a história diversas vezes. É possível ouvir na sala de aula ou mesmo em horários de café as crianças falando com os amigos sobre o tema, a história e os personagens que habitavam o livro lido naquela semana. Os pais aprovam o “No mundo da imaginação” e ainda são bastante participativos. Por exemplo, o expositor de livros foi doado por um pai que é marceneiro. As professoras encontraram um modelo de expositor ideal na internet e o pai o reproduziu sem cobrar nada do CDI.

A sexta-feira é dia de movimento no educandário. É o dia em uma das turmas precisa fazer uma apresentação. Pode ser a interpretação de uma história, um canto, declamação de poesias, parlendas ou travalínguas, cantos de roda, contos e ainda outras alternativas. Toda semana, uma professora é responsável por organizar com seus alunos o que será feito e preparar para a apresentação. Por três vezes, aconteceu ainda de mães se disporem a ir ao CDI para fazer a contação de uma história. A coordenadora revela que a as mães se preparam muito antes de se apresentarem. Houve uma que se voluntariou a contar uma história de bruxas, caracterizou-se como uma bruxa, criou um cenário condizente com o tema e ainda levou um caldeirão com balas para crianças. Outra mãe levou o seu violão e apresentou uma história cantada com o tema “fazenda” para  a turma, que havia produzido o cenário para ambientar a contação.

A ideia agora é ampliar o projeto no ano de quem. Comprar mais livros para a biblioteca da escola, que já possui um acervo de 863 exemplares cadastrados, e continuar tendo atividades durante todo o ano letivo. O projeto foi criado em conjunto pelas professora da escola e envolve todas as turmas do CDI Irmã Cecília Venturi, desde os bebês que ainda nem completaram um ano de idade até as crianças de seis anos, Além da ampliação de repertório, os objetivos são integrar a literatura infantil com a realidade das crianças para superação de seus conflitos internos, oferecer literatura às famílias, promover a interação entre as crianças de todas as idades, oportunizar a participação dela nas situações de leitura de diferentes gêneros textuais e assim incentivar a criação de um hábito de leitura em casa e ainda envolver a família diretamente no ambiente 

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Participação dos pais é parte do projeto

Para que o projeto “No mundo da imaginação” possa dar certo, é preciso que os pais estejam diretamente envolvidos. São eles os responsáveis por levar os livros para casa e também pela leitura que precisa ser feita pela criança. Antes de levar os livros, eles assinam um termo de compromisso, onde garantem o pagamento do livro emprestado em caso de extravio. Cuidando dos livros, os pais dão um exemplo para os seus filhos, que aprendem a respeitar os exemplares que têm em casa ou que levam emprestado da escola.

Lílian Coelho Cit, 34 anos, estava no CDI Irmã Cecília Venturi, quando aproveitou para ler uma história para as crianças que estavam por perto. O livro foi escolhido por seu filho, Nícolas Fabiano Cit, com a ajuda da avó, Eliana Coelho. A mãe vê muitos benefícios no projeto e revelou que geralmente precisa contar a história muitas vezes para o pequeno Nícolas. “Sou uma mãe bem esquecida, por vezes acabo esquecendo o livro e tenho que voltar em casa para pegar, porque só posso levar o livro se devolver o da semana passada. Por isso, o Nícolas cobra muito para que eu não esqueça”, conta a mãe. Além dela, a filha de apenas sete anos costuma ler bastante para o irmão. A avó. Eliana, garante que ela também já leu muitas vezes as histórias dos livros trazidos da escola para o netinho.

Participar de uma das apresentações semanais é uma maneira dos pais estarem ainda mais envolvidos com o projeto. “Foi muito bom o dia em que a mãe veio fantasiada de bruxa. As crianças geralmente têm medos de bruxas e ela já começou a apresentação explicando que era boazinha. No final, o caldeirão dos doces fez a alegria dos alunos”, conta a coordenadora. Em todas as oportunidades em que os pais participaram das apresentações, pode-se ver a importância do envolvimento da família no ambiente escolar.

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Professora já percebe resultados

Quem mais percebe os resultados do projeto são as professoras que o elaboraram. Todos os dias, elas podem ver de perto as mudanças que acontecem no comportamento dos pequenos alunos e no modo de tratar os livros. “As crianças têm muito cuidado com os livros que levam para casa. Quando uma percebe que há uma página rasgada, logo procura a professora para poder arrumar”, conta a professora Beatriz Elias.

Outro momento em que se percebe o gosto que as crianças pegaram pelo projeto é o da contação de histórias. Beatriz revela que não há bagunça a partir do instante em que a história se inicia. Os alunos se calam para poder ouvir cada detalhe do que é dito pelos personagens e assim, conhecer o final do livro. “O comprometimento é muito grande entre os pais e filhos. As crianças não aceitam ir para casa na quinta-feira sem levar um livro. A cada semana, a localização do expositor muda, mas todas as crianças sabem onde ele vai parar. Até os bebês sabem onde está e fazem os pais levar algum exemplar para casa”, relata a professora.

Os alunos do CDI ainda não estão em fase de alfabetização, por isso, é preciso que alguém faça a leitura da história. No entando, as crianças usam a sua imaginação para poder contar as histórias, fazem leitura das imagens encontradas nos livros e assim relembram o que foi contado em casa ou ainda criam uma história completamente diferente, com novos personagens e talvez até um final diferente. 

A professora afirma que o projeto envolve toda a comunidade escolar, justamente pelo momento de leitura. “Às vezes, quem lê é a mãe, às vezes o pai, o irmão ou outro familiar. Toda a família e a comunidade acabam participando do projeto”.