Mães, mulheres e empresárias
Dividir-se entre a empresa e os cuidados com os filhos e a casa é um desafio encarado por um número cada vez maior de mães.
É comum hoje ver as mulheres equilibrando seus horários para se manterem em suas empresas e cuidarem da educação dos filhos sem negligenciar nenhum dos dois. Quem faz isso admite que não é fácil, mas vale a pena. No caso de Sandra Regina da Silva Testoni, de 41 anos, há ainda mais um obstáculo a ser vencido. Ela mora no Bateias e os filhos estudam no centro da cidade. A escola de sua filha Heloíse, de 7 anos, oferece uma espécie de ensino integral em que, na verdade, as aulas tradicionais acontecem à tarde, porém há uma série de atividades na parte da manhã, como aulas de culinária, violão e coral.
Duas vezes por semana, Heloíse vai para a escola no período da manhã e nos outros três dias, apenas na parte da tarde. Seu outro filho, Benício, tem 3 anos e fica na creche em período integral. “Quando Benício era menor, ele ficava em casa meio período. Depois dos dois anos, comecei a levar para a creche o dia inteiro e ele adora. Tem muitas atividades e ele está sempre entretido, além disso é um espaço de aprendizado”, conta Sandra.
Para facilitar, Sandra tenta programar a ida ao banco e visitas a facções para o horário em que vai levar as crianças ao centro da cidade.
Muitas vezes, a mãe precisa levar a filha para a escola no início da tarde e voltar às 17h para buscar os filhos. A mãe ainda tenta arrumar tempo para frequentar a academia três vezes por semana à noite, então é mais um deslocamento que faz para o centro da cidade. É tudo uma questão de organização para conseguir um perfeito equilíbrio.
Há 12 anos, Sandra tem a rotina de empresária, que uniu a de mãe há 7. Por enquanto, o cotidiano de idas e vindas ao centro da cidade deve continuar, porém quando os filhos estiverem maiores, ela planeja mandá-los para a escola em uma veículo escolar particular. “A vida muda muito depois dos filhos. Antes eu me dedicava inteiramente à empresa, hoje tenho que também cuidar deles. É bom ter essa rotina, embora muitas vezes fique cansada”, conta Sandra. Ela tema ajuda de uma mulher duas vezes por semana na limpeza da casa.
Mudança
Muita coisa mudou desde a época em que todas as mães ficavam apenas em casa cuidando de seus filhos, porém há valores que permaneceram e que Sandra deseja transmitir para seus filhos. Para ela, é importante que a criança tenha limites e aprenda desde cedo o valor do trabalho e do estudo. Esta é a herança que ela quer deixar para os filhos. E, com muito empenho e dedicação, ela está conseguindo.
Conselho da mãe Giselene: "nunca recuse ajuda"
Giselene Flores Zuchi, de 32 anos, tem dois filhos e a experiência para dar várias dicas a quem pretende enfrentar uma rotina como a sua. Uma delas é não recusar ajuda. “Muitas mães acreditam que por ser seu o filho, precisam fazer tudo sozinha. Aceitar ajuda é muito bom e facilita no momento de conciliar trabalho e família. O melhor é poder contar com o auxílio de sua própria mãe ou então contratar alguém de confiança para este trabalho”, conta Giselene.
Em sua casa, a pessoa de confiança é Gorete, mulher que ajuda nas rotinas da casa e também a cuidar das crianças. Diogo tem 6 anos e Ana Rafaela tem 3. A mãe leva a pequena todos os dias para a creche, que fica no Barracão, e o menino estuda no centro, mas tem carona garantida diariamente com uma professora da escola onde estuda.
Ainda assim, a mãe faz questão de ir uma vez por semana à escola para poder conversar com a professora de seu filho e acompanhar o processo educativo.
Ser mãe sempre foi um sonho para Giselene, que se imaginava com duas crianças. Quando teve o primeiro filho, ela não tinha se preocupado em chamar alguém para ajudá-la ou contratar uma babá, pois acreditava que os primeiros meses seriam muito mais fáceis do que a realidade que enfrentou.
Diogo tinha refluxos e cólicas e, por um tempo, sua sogra cuidava do bebê para que ela pudesse trabalhar até que Giselene contratou uma babá. O trabalho sempre foi muito importante para a mulher, que teve seu primeiro emprego aos 15 anos. “Precisava ajudar em casa, por isso comecei a trabalhar. Estudava à noite e trabalhava o dia inteiro. Há 12 anos abri meu próprio negócio com meu namorado, hoje meu marido, que já trabalhava na área. Para me sentir bem, eu preciso trabalhar. Escolhi esta profissão e também escolhi ser mãe, então preciso encontrar o equilíbrio entre as duas tarefas”.
Ela acredita que não é preciso estar totalmente realizada financeiramente e profissionalmente para ter um filho. “Este tipo de realização vem com os anos. É claro que um filho pode tornar este processo um pouco mais lento, mas é possível conciliar e ser feliz assim mesmo”, argumenta. É assim, tendo espaço para sua profissão e para sua família, que Giselene se sente feliz e realizada. E isto é o que importa.