Lotação esgotada

Principal cemitério da cidade também já sente a falta de espaço

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O cemitério municipal, localizado no bairro Santa Terezinha, está com sua capacidade quase esgotada. As últimas sepulturas vagas que restam estão concentradas na parte nova, como chama os coveiros, mas já são poucas. A única saída viável, para os entendidos no assunto, é a criação de um cemitério vertical, na derradeira parte de terra que sobrou aos fundos dos últimos túmulos.
Esse cemitério vertical consiste num paredão com gavetas, onde os corpos são colocados uns acima dos outros. Os locais de sepultamento deverão ficar acima do solo e cobertos. A ideia faz parte de um projeto de lei enviado pela prefeitura à Câmara Municipal de Vereadores no final do mês passado. O PL 98/2011 propõe esta solução, bem como outras normas e procedimentos que irão modernizar os cemitérios municipais, tornando-os referência na região - caso o projeto seja aprovado.
Entre essas normas estão modificações na estrutura dos cemitérios, que deverão conter ruas pavimentadas; caminhos para pedestres; área para estacionamento; plano de arborização das vias de circulação e todo o seu perímetro fechado com muro ou grade. Os cemitérios deverão observar também normas ambientais, garantindo que não haja contado dos despojos com o solo nem água, e adaptar sua estrutura de modo a permitir o acesso de pessoas com necessidades especiais, principalmente cadeirantes.
Outras providências deverão ser tomadas, com relação à drenagem de águas pluviais, instalações elétricas e iluminação e instalações sanitárias para o público. As novas áreas do cemitério municipal deverão conter, ainda, um espaço reservado a casos de epidemias ou grandes catástrofes; e outro a indigentes de sepultamento gratuito - o que atualmente não existe. Mas, em meio a tudo isso, o segundo ponto principal das alterações, caso sejam aprovadas, é o prazo máximo de permanência dos restos mortais no cemitério vertical, que será de 10 anos. Após esse prazo, os despojos serão exumados e guardados em um ossário municipal, abrindo uma nova vaga. Isso garantirá a rotatividade das ocupações, impedindo que a falta de espaço volte a ser um problema.
Atualmente, algo semelhante acontece. Segundo o administrador do cemitério, Arnaldo Müller, os espaços já ocupados no cemitério municipal são reutilizados através da remoção dos restos mortais. Por exemplo, em um túmulo de determinada família, há um ente sepultado há mais de cinco anos. Seus restos mortais são removidos e guardados no túmulo ao lado no novo caixão. Sempre respeitando os laços familiares. “Temos túmulos com até 12 nomes. Essa remoção dá aos espaços uma capacidade praticamente infinita de abrigar os restos mortais”, explica Arnaldo.
A remoção só é feita com autorização da família e em presença de algum familiar. Alguns até manifestam curiosidade de ver o que há dentro da sepultura, mas, a maioria, prefere observar o processo à distância. Essa remoção pode ser feita com antecedência, ou no próprio dia do enterro, respeitando o prazo mínimo de cinco anos desde o último sepultamento. “Essa tem sido uma forma de economizarmos o espaço do cemitério, que está quase lotado”, diz Arnaldo. Mas, ainda há muitos casos em que os familiares, devido a animosidades em vida, não querem enterrar seus mortos junto a outros parentes. Assim, novos espaços são ocupados. Em outros casos, o prazo de cinco anos ainda não venceu e não há mais espaço no túmulo da família. Existem ainda os espaços vazios, mas que já estão reservados. Uma vez adquirido o espaço, ele pertence eternamente àquela família, e aos descendentes. Qualquer alteração é considerada violação. “Temos muitos casos de sepulturas abandonadas há mais de 30 anos, mas não podemos mexer, pois ainda há descendentes vivos e que podem não autorizar a remoção dos despojos”, diz o administrador. Por isso, os coveiros e zeladores do cemitério sequer retiram as flores murchas de cima das sepulturas. Para Arnaldo, que administra o cemitério municipal do Santa Terezinha há seis anos, o projeto de lei, se for aprovado, representará um avanço. “Será um benefício para Gaspar, como foi a construção da casa mortuária”, compara.