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Edição 656 - Metas nos Bairros N105

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São 115 degraus com 17 centímetros de altura, em média, intercalados por cinco patamares de 8 a 10 metros de comprimento. Este é o caminho que leva o povo católico até a entrada da igreja Matriz São Pedro Apóstolo. Uma das últimas obras do novo templo a ser concluída, por volta de maio de 1955. Empregaram-se milhares de pedras na sua construção. A escadaria é um símbolo da história de Gaspar, afinal, nela os gasparenses se reuniram, muitas vezes, para celebrar e até prostestar.  

Opinião
Sabemos escolher?

A nossa “Constituição cidadã” rege que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos” e, em face disto, torna-se ainda mais relevante a confiança que o cidadão deposita nos seus representantes públicos.
Cada eleitor tem a responsabilidade para com a sociedade ao escolher e votar em seus mandatários. Constata-se que a sociedade, na sua maioria, é despolitizada e pouco organizada, sendo essencial a educação política do cidadão e o despertar do interesse e amadurecimento do eleitor (bem informado, consciente e motivado).
É necessário que cada cidadão aprofunde o processo democrático como instrumento fundamental e condição inabalável para enfrentar nossos históricos problemas sociais.
Um traço cultural marcante da sociedade brasileira é a desilusão e desconfiança pela participação em decisões coletivas, havendo urgente necessidade de maior racionalidade nas práticas de nossa sociedade política, com ampla participação da cidadania e vigilância constante nos nossos “representantes do povo”. A maioria do eleitorado baseia seu voto no personalismo (voto na pessoa), em suas relações emocionais, na simpatia, na emocionalidade e no favorecimento pessoal..
Por isso, faz-se imprescindível a conscientização da importância de discutirmos as questões que se relacionam, de modo geral, com participação, eleição e voto. É indispensável  a formação de opiniões concretas e fundamentadas, para o fortalecimento da consciência e da participação política para estimular o debate, essencial na consolidação da cidadania. Democracia leva tempo para crescer e se consolidar. A solução está em transparência, debate, e, principalmente, na prática democrática que deve ser aperfeiçoada a cada eleição.
A maioria do eleitorado baseia seu voto no personalismo.

Ponto de vista
A pena de morte

Lendo o e-mail de um estudante de Direito, enviado no início desta semana à redação do Jornal Metas, me ocorreu que está aumentando o clamor popular pela pena de morte no Brasil. Antes, o tema ganhava as ruas toda vez que ocorria um crime hediondo de grande repercussão. Contudo, diante da banalização da criminalidade, a pena de morte passou a ser discutida e defendida, diariamente, por empresários, legisladores, intelectuais e até gente de dentro do próprio Sistema Judiciário.
Partindo, portanto, de um acadêmico de Direito, futuro advogado, a defesa da pena de morte, preocupa-me o futuro da Justiça brasileira. “É olho por olho, dente por dente”, como escreve o estudante, que se vale ainda de passagens da Bíblia Sagrada para defender a matança de criminosos reincidentes.
Lembro que numa das primeiras aulas de Direito Penal, do curso que acabei não concluindo, um aluno fez a clássica pergunta ao professor: - O senhor é contra ou a favor da pena de morte? O mestre, um dos mais conceituados criminalistas de Santa Catarina, foi enfático: - Sou contra. E argumentou: - Imagine você passar 5, 10, 15 ou até 30 anos acordando todos os dias trancafiado numa cela de 30 metros quadrados com outros dez presos? Existe algo pior do que esta rotina? A morte seria um alívio para esse indivíduo”. A partir daquela aula passei a entender a pena de morte como uma injeção letal que abrevia o sofrimento do condenado. Um alívio para o criminoso e seus familiares, mas não para a sociedade. A pena de morte  transforma a nós, cidadãos de bem, e também responsáveis pelo aumento da criminalidade, cúmplices de um Judiciário jurássico, representado por um Código Penal de 1940.
Ao invés de se discutir a reforma do Código, achamos melhor matar quem dele faz uso. A lei penal brasileira é tão absurda que uma pessoa que explora sexualmente crianças, desde que não seja pego em flagrante, tem boas chances de se livrar de uma condenação. O mesmo vale para quem porta material pornográfico envolvendo pessoas com menos de 18 anos. Basta não repassá-lo a ninguém.Situações como estas, mostram que o CPB está impregnado de discursos machistas. A pena de morte não irá acabar com estas contradições. Vai, sim, como bem escreveu o futuro advogado, reduzir gastos com a manutenção do sistema carcerário, mas no atual estágio quem se importa com dinheiro?
 
Alexandre Melo
jornalista e Editor do Metas nos Bairros