Irineu, o oleiro

Aos 80 anos, ele não pensa em parar de trabalhar

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O velho ditado diz: “o trabalho dignifica o homem”. Se for realmente assim, Irineu de Souza, 80 anos, já está dignificado há muito tempo. Desde criança, esse popular morador do bairro Bateias, não abandona a labuta, mesmo aposentado. Todo o dia tem algo para fazer em suas terras. “Puxa” madeira, como ele próprio diz, trata o gado ou cuida da roça. Irineu está sempre disposto a trabalhar.
Mas esse gosto pelo trabalho vem de berço, quando com pouco mais de cinco anos, idade que se mudou da região dos Baús para o Arraial do Claudinos, começou a trabalhar na roça com seu pai. No entanto, o ofício que durante décadas exerceu e permeia seus sonhos até hoje, foi iniciado aos 19 anos quando parou de fazer farinha, cachaça e resolveu se dedicar ao ramo de olarias.
Junto com o pai, José Manoel de Souza e o irmão, Adolfo de Souza, começaram a fabricar tijolos, em uma olaria que ficava às margens da hoje Rodovia Ivo Silveira, sentido Brusque. O tempo passou e o irmão deixou o negócio. O pai também passou adiante, vendendo para Irineu por 300 cruzeiros. O filho mudou a olaria de local e deu continuidade, contando com o apoio de seus filhos até cinco anos atrás quando encerraram as atividades. “Paramos com a olaria porque o rigor do Ibama aumentou com o passar dos anos e nos impedia de tirar barro, queimar lenha e outras restrições”, conta Irineu.
Mas quem disse que Irineu consegue esquecer o ofício, está enganado, pois foi dele que saiu o sustento da família durante muito tempo. Também foi dele que a sua casa e a dos filhos foram construídas. “Ainda sonho e brigo dormindo com a olaria”, relatou. Irineu de Souza trabalhou muito, mas também construiu um belíssima e numerosa família de 10 filhos, 21 netos e 3 bisnetos, frutos do casamento de 54 anos com Gertrudes Claudina de Souza. Exemplo de pai batalhador que ensinou aos filhos a importância de erguer bases sólidas e prósperas. “Todos os meus filhos capricharam e estão bem com seus trabalhos. Os que trabalharam na Olaria comigo, Alberto e Cláudio, sempre vinham me consultar. Foi numa dessas que aconselhei não trabalhar mais com Olaria”, revela Irineu.

Manias
Além de estar sempre ocupado fazendo algo, Irineu também tem outras manias. A primeira é o gosto por chapéu. Está sempre com um na cabeça ao sair de casa. Outra coisa que gosta de fazer para relaxar é tomar uma boa e famosa cachacinha, mas garante que é só quando está cansado. “Gosto de ao meio-dia tomar umazinha para relaxar”, afirmou.

“Ainda sonho e brigo dormindo com o trabalho na Olaria”.
Irineu de Souza, morador do Bateias