Fé e perseverança
Comunidade São Sebastião é a prova da união pela fé
Em novembro de 2008, a capela e salão comunitário São Sebastião, no bairro Margem Esquerda, alojou, por 16 dias, mais de 200 pessoas atingidas pela catástrofe natural. A maioria moradora do bairro Sertão Verde. Se tivesse no antigo endereço, na Rua Carlos Alberto Schramm, do outro lado da rodovia BR-470, certamente a capela do bairro Margem Esquerda seria uma das primeiras atingidas pela enchente.
Felizmente, a igreja está assentada em um local elevado, porém não livre da ameaça do morro que fica muito próximo. Há quem acredite que houve uma intervenção divina para que a capela São Sebastião não fosse atingida pelo deslizamento de terra que chegou até a parede da casa vizinha, da senhora Hildegard Muller.
O atual coordenador do CPC (Conselho Pastoral da Comunidade), Orlando Bernardes, conta que na época houve ajuda de muitos empresários e da própria comunidade no socorro às famílias. “A dificuldade foi vencida porque a comunidade São Sebastião é muito unida”.
E foi essa união e o interesse da família Muller, doadora do terreno, que permitiu que ali se erguesse uma igreja. O primeiro prédio foi construído em terras doadas por Cecília Muller, uma das filhas do casal Alfredo e Gertrudes Muller, proprietários de boa parte das terras daquela região da cidade. Com as enchentes de 1983 e1984, houve a necessidade da dragagem do rio, o que acabou inviabilizando a obra que ainda não havia sido finalizada. A família Muller foi indenizada e comprou novas terras do outro lado da rodovia. Mais uma vez, a família doou uma área para que a igreja ali fosse instalada. Desta vez, a iniciativa foi Vandelino Muller, irmão de Cecília. Esta história é sempre contada e recontada pelos moradores a fim de lembrar o quanto a comunidade católica de São Sebastião é unida e participativa nas ações.
Depois de não realizar a festa de São Sebastião em 2009, por força da tragédia, a comunidade voltou a se reunir em janeiro deste ano para as homenagens ao padroeiro. Bernardes revela que foi uma das festas com maior público nestes mais de 20 anos. Os recursos arrecadados vão servir para praticamente finalizar a obra do novo galpão que vai ter até palco para apresentações artísticas.
Bernardes mudou-se para o bairro três anos antes do início das obras da segunda capela. Desde 1988 está envolvido diretamente com a igreja. Já foi presidente do CPC de 1990 a 1996, porém se afastou da diretoria em função da política. Em 2008 retornou para novamente dar a sua contribuição. “Faço isto por satisfação”, diz o coordenador do CPC.
Bernardes conta que a nova capela começou a ser erguida em 1991, já na época em que ele assumiu pela primeira vez a coordenação do Conselho. Ele lembra que muitas famílias foram importantes para que a obra se tornasse realidade, como o casal Mário e Helena Werner. Atual tesoureiro do CPC, Mário continua como um grande colaborador. Foi dele a doação da estrutura do telhado do novo salão comunitário. O CPC é formado por seis casais, mas toda comunidade São sebastião é envolvida com as atividades da capela. “As pessoas querem ver a comunidade ir para frente”, afirma Bernardes.
De fato, uma visita ao interior da capela comprova o capricho. O altar, um dos mais belos das capelas de Gaspar, tem imagens entalhadas na madeira, o que dá um aspecto rústico e sacro ao ambiente. os bancos foram recentemente reformados, assim como o piso. As celebrações em São Sebastião ocorrem sempre no quarto sábado do mês, com a igreja sempre recebendo uma grande quantidade de fiéis. Apõs a missa, as famílias permaneciam reunidas para conversas. Daí surgiu a ideia de se preparar um lanche para que esses encontros fossem mais prolongados e atrativos. “Hoje, perdeu-se o hábito de uma família visitar a casa da outra, por isso esses encontros após as missas acabam se tornando um momento único de integração entre as famílias”, observa o coordenador.
Angélica Costa
Hoje, três turmas da pré-escola (uma pela manhã e duas à tarde) da Escola Angélica Costa permanecem ocupando duas salas do salão comunitário da capela São Sebastião. Segundo Bernardes, não tem previsão de quando elas voltarão a estudar em uma sala de aula de fato. Porém, isto não atrapalha em nada o trabalho que o CPC vem realizando. A professora Lorena Linhares Zimmermann, diz que o ideal era que as crianças estivessem em uma sala de aula, interagindo com outras turmas, porém não nota grandes mudanças de comportamento. “Elas ficam até mais calmas num ambiente com este”, acrescenta.
Uma turma bem divertida
Eles são 18 amigos e convidados que já trabalharam muito na vida. Hoje, o seu compromisso é com o lazer e o divertimento. A cada 15 dias, o Grupo da Terceira Idade Santa Cecília, da comunidade de São Sebastião, se reúne para um jogo de bingo e um sortido café com pães, bolos, cucas e geléias. Cada cartela do bingo custa R$ 2,00 e os prêmios como se diz por lá, “é da feira da semana”. “Tem batata, cenoura, biscoitos, óleo de soja entre outros alimentos”, diz a simpática Rainilda Isensee, que coordena a turma.
O dinheiro da venda das cartelas é usado para um bom motivo: três viagens a passeio por municípios da região e até de estados vizinhos como o Paraná. No Grupo Santa Cecília não tem espaço para depressão e outras doenças que acometem os idosos. “Aqui, a ordem é o lazer e a alegria”, complementa Ranilda. E participar deste tipo de atividade rejuvenesce o corpo, a mente e o espírito. É o que se observa em pessoas como dona Dulce Lemfers, 89 anos, a mais idosa do grupo. “Pra mim esse encontro poderia acontecer todos os dias”, diz Dulce.
A foto ao lado mostra a demolição da primeira capela de São Sebastião, após as duas grandes enchentes da década de 1980. A igreja estava sendo construída do lado direito da rodovia BR-470, em uma área próxima ao rio Itajaí-Açu.O terreno foi doada por Cecília Muller. Embora a obra não tivesse sido concluída, já estavam sendo celebradas missas na capela
“Ganhando ou não no bingo, o importante é estar aqui com a turma para se divertir”.
Dulce Lenfers, 89 anos, integrante do Grupo da Terceira |dade Santa Cecília