Empresários do lixo renovável
Bairro Belchior sedia três empresas de reciclagem de resíduos
Os bairros Belchior Baixo, Central e Alto estão saindo na frente no quesito consciência ambiental. Há muitos anos essas localidades abrigam empresas de reciclagem e reutilização de resíduos, contribuindo para a preservação do meio ambiente e o combate à poluição que já existe na região.
Uma das empresas mais antigas é a Belplas, criada há dez anos por Amadeu Paulo Mitterstein, no Belchior Baixo. A empresa começou por uma proposta de um dos clientes de Amadeu, que, na época, trabalhava com prestação de serviços. Como ele tinha uma filha estudando Engenharia Ambiental que sempre se interessou pelo assunto, e a proposta era irrecusável, Amadeu iniciou o negócio.
Nos primeiros anos, era apenas ele e a esposa que lidavam com o material. Todos os resíduos de algumas grandes empresas do município eram recolhidos por eles e depois separados em um galpão nos fundos da propriedade. Hoje, a empresa de Amadeu possui 40 funcionários e compra os resíduos de aproximadamente 15 empresas de grande e médio porte da região. Por mês, a Belplas recolhe cerca de 200 toneladas de resíduos.
Chegando à empresa, os resíduos plásticos são separados por tipo e cor, e depois lavados. Os outros tipos, como latas, papelão, vidros, são revendidos para outras empresas que reaproveitam esse material. O plástico, depois de limpo, é reaproveitado na empresa de Amadeu e transformado em polietileno granulado.
“O plástico passa por um aglutinador, uma espécie de liquidificador gigante, que mói tudo e faz um pó. Depois vai para a extrusora onde é aquecido e sai em forma de fio, que é cortado em grânulos”, explica o empresário. Essa matéria-prima é, então, vendida para empresas que produzem sacolas plásticas, sacos de lixo, enfim, tudo o que puder ser produzido com plástico reciclado.
“É importante ressaltar que existem diferentes tipos de plástico. Aqui trabalhamos apenas com os tipos PE e PP de alta e baixa densidade. O plástico PET não é usado aqui, nós repassamos para indústrias de cordas e fios”, explica Amadeu.
Normas
Todo o trabalho da Belplas é feito de acordo com as normas ambientais e as atividades são todas licenciadas. “Fazemos o tratamento da água utilizada aqui, que é devolvida ao rio com melhor qualidade do que captamos”, garante o empresário. Além disso, as máquinas da empresa são feitas e mantidas ali mesmo. Amadeu montou uma oficina e capacitou alguns funcionários para isso. Para o empresário, este é um ramo que necessita de mais incentivos governamentais. “Como é um serviço que beneficia o meio ambiente, deveria ter mais incentivos”, desabafa. Ainda assim, ele pretende continuar com a atividade.
Preserve trata resíduos líquidos
Um pouco mais adiante, também em um morro, uma nova empresa começa suas atividades no Belchior. A Preserve Ambiental existe desde 2008 e foi criada pelo empresário Sinélio Vargas, para coletar, transportar e tratar resíduos líquidos, além de reaproveitar os derivados do tratamento.
Sinélio explica que a empresa está dividida em três áreas de atuação: a estação de efluentes, que trata resíduos líquidos; a divisão de sanitrópicos, que faz o controle de pragas urbanas e limpeza; e a produção de biodiesel a partir de óleo de fritura, que, segundo o proprietário, será o grande forte da Preserve.
A produção de biodiesel é resultado de uma parceria com a Universidade Regional de Blumenau (FURB), que desenvolveu a tecnologia utilizada na Preserve. “A produção ainda é pequena, mas nossa intenção é atingir a capacidade total das máquinas até o ano que vem.”, revela Sinélio. A capacidade de produção de biodiesel da empresa é de 60 mil litros por mês, mas, atualmente, é produzido em torno de 8 mil. Já na estação de tratamento de efluentes, a capacidade é de 250 m³ por dia.
A empresa trabalha com o conceito de sustentatibilidade. Assim, toda a frota da Preserve é abastecida com o combustível produzido na própria empresa. O biodiesel também é utilizado para abastecer o próprio maquinário industrial. Para a coleta do óleo, a empresa estabeleceu parceira com restaurantes e com a rede de supermercados Zoni, em Gaspar, que recebe os óleos de frituras da comunidade. O Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto (SAMAE) de Gaspar também apoia a iniciativa.
Da mesma parceria com a FURB, resultou o ciclone, que seca o lodo proveniente da estação de tratamento dos resíduos líquidos a uma temperatura de 450 graus. “O lodo é secado nessa máquina para depois ser utilizado como adubo”, explica o empresário. Dessa secagem também resulta o gás metano que é reaproveitado no abastecimento da própria máquina.
Agora, a empresa também está realizando testes de sanatização da água que resulta do tratamento, para se tornar água industrial e ser reutilizada na lavação de ruas, jardinagem, concreteiras, entre outras funções. “Aqui também reaproveitamos a água da chuva para lavação da frota, que trabalha na captação dos resíduos”, acrescenta Sinélio, demonstrando a preocupação em contribuir com o meio ambiente, tratando e reaproveitando.
Além de Gaspar, a Preserve Ambiental está abrindo parcerias nos municípios de Itajaí, Joinville e Blumenau. “Fazemos a captação dos resíduos líquidos, como gordura, fossa e resíduo industrial, tanto em empresas, como em condomínios e residências”, acrescenta Sinélio.
Plaslar também faz a sua parte
Outra empresa do Belchior que atua no reaproveitamento de resíduos plásticos renováveis é a Plaslar. Administrada pelos irmãos Robson e Anderson, a empresa está instalada há 10 anos no Belchior Alto. A matéria-prima está, muitas vezes, espalhada na própria natureza. São sacos e sacolas plásticas. Além de lucrativo, o negócio também contribui para a qualidade do meio ambiente.
A ideia da empresa é do metalúrgico Valdir Loth que fazia manutenção em máquinas da indústria de plástico e viu no filão de reciclagem de plásticos um bom negócio para investir. Os resíduos plásticos vêm quase exclusivamente de indústrias da região, mas ainda existe um pequeno grupo de catadores autônomos que abastece a empresa. O preço pago pelo resíduo varia de acordo com a qualidade do produto. O processo de transformação do resíduo em polímeros é simples e rápido, porém exige um alto investimento - em torno de R$ 200 mil em equipamentos, o que muitas vezes não compensa em função das oscilações do mercado.