Em dose dupla

Mari concilia as duas tarefas na Frei Policarpo

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Conciliar o ofício de mãe e professora não é fácil, mas Mari Stela Bylaardt tira isso de letra. Professora do Colégio Frei Policarpo no Belchior Alto, há cinco anos dá aulas de Geografia para seu filho Matheus Van Den Bylaardt, de 14 anos, aluno do primeiro ano do ensino médio.
Mari Stela sabe separar as funções e ensinou ao seu filho que dentro da sala de aula ele é como todos os outros alunos e não pode chamá-la de mãe. Ele entende e surpreende os outros colegas de classe, que o perguntam como consegue mudar o tratamento com a mãe/professora pelo simples fato de cruzar a porta da sala de aula. “Desde o início coloquei para ele que  precisava me chamar de “professora” dentro da sala de aula e ele entendeu bem, mas no restante das dependências da escola eu sou a  mãe dele”, conta Stela.
Na hora de chamar atenção, a mãe à vezes precisa se conter e manter o equilíbrio. Porém, é inevitável que o lado materno educador fale mais alto. “A minha sorte que ele é um garoto tranquilo e não me dá problemas, mas quando preciso ser enérgica falo como  mãe e professora, não tem jeito”, comenta.
A igualdade com os demais colegas  com que não haja ciúmes na classe, porém as piadinhas dos amigos são inevitáveis. “Tem aqueles que perguntam se ele já sabe o que vai cair na prova e pedem informações. O Matheus responde que não, e ele está certo porque é raro eu preparar alguma atividade de aula na presença dele ou até mesmo em casa. Quando faço isso ele já está dormindo”. Mas a vantagem de ter o filho na turma é que a professora, de uma forma ou de outra, tem uma resposta da turma sobre sua empatia com a classe. “Há alunos que não têm coragem de falar as coisas para mim e falam para ele, que acaba me passando a informação. Normalmente são críticas sobre a dificuldade de uma prova ou abordagem de um conteúdo. Matheus não se incomoda e diz que gosta de ser chamado de filho da professora. “Ela é uma ótima professora, embora de vez em quando pegue no meu pé”, brinca o jovem.

Proximidade
O fato de dar aulas ao seu próprio filho proporciona a Mari Stella uma ótima sensação. Além de contribuir para educação de Matheus, também está mais próxima do adolescente e desta forma conhece suas amizades e sua conduta fora de casa. “Quase pensamos em mudá-lo agora no ensino médio, mas ponderemos e vimos o quanto é importante estamos perto conhecendo seu dia-a-dia. Isso contribui para orientação que lhe damos”, conclui.