Alambique de herança
Irmãos Theis mantém viva a tradição dos alambiques
Na época que Carlos Manderich deixou o ofício de carpinteiro para se dedicar à produção de cachaça, isso há 54 anos, a Rua Biguaçu no Belchior Alto era famosa pelos muitos alambiques. Eram mais de cinco. Passados mais de meio século, somente os netos de Manderich, Benício e Odair Theiss, deram sequência à tradição do bairro. Hoje, a Indústria de Bebidas Belchior é a única na rua a distribuir o produto genuinamente brasileiro para todo o Estado de Santa Catarina.
A saga da família começou quando Carlos deixou Rio do Sul com os filhos para construir sua vida nas terras prósperas do Belchior. De carpinteiro virou produtor da famosa branquinha e teve o apoio do genro, Afonso Theiss, casado com Flaviana Manderich, pais dos atuais proprietários da empresa.
“O bairro era famoso por ter muitas cachaçarias, mas a produção rural foi perdendo espaço para as indústrias que começaram a absorver a mão-de-obra de filhos de trabalhadores do campo, assim o cenário foi sendo modificado”, conta Odair.
Os próprios filhos de Odair e Benício podem não seguir os passos que os pais herdaram do avô. “Os meus filhos ainda são pequenos, mas quem sabe eles se interessam pela atividade”, disse Odair. Já Benício, acredita que seus filhos nem pensam nessa possibilidade. “Não querem”, setencia.
Uma coisa é certa na família Manderich/Theiss, a cachaça já está no sangue, pois essa já é a terceira geração a administrar os negócios. Agora resta saber quem no futuro, estará junto com os netos do fundador.
Mercado
Até 1972, a família produzia a cachaça, porém com a escassez da matéria-prima, a cana-de-açúcar, e por ser mais lucrativo e prático, o produto passou a ser comprado de alambiques paulistas. Os irmãos garantem que o produto é de boa qualidade. Na distribuidora é envelhecido e engarrafado.
Atualmente a empresa tem uma média de 40 mil litros e gera 15 empregos diretos. Além de cachaça, também comercializam batidas e vodkas, porém, os principais produtos são a cachaça Serra Azul e Velho Theiss. Segundo Benício, o foco da Indústria de Bebidas Belchior está nos grandes centros de Santa Catarina. “As cidades que mais vendemos é Blumenau e Joinville, respectivamente os terceiro e primeiro maiores município do estado”, concluiu o proprietário.
Produção
Em tonéis de carvalho a cachaça quando é recebida é deixada alguns meses nesses compartimentos para envelhecimento. Depois saem das pipas e seguem para o misturador. Em seguida passam por um filtro e vão para a máquina que engarrafa. O recipiente quando é de vidro, passa para uma máquina que faz a lavagem e esterilização.
Principal marca completa dez anos
Um dos produtos comercializados pela Bebidas Belchior tem um valor especial para a família. É a cachaça Velho Theiss. Ela é uma homenagem a Afonso Theiss, pai de Benício e Odair. A marca foi criada em 2000, ano que Afonso faleceu. “Esse ano está completando 10 anos que meu pai morreu e uma década da nossa principal marcas”, mostrou Odair.
A Cachaça
A cachaça, pinga, ou canha (no Rio Grande do Sul) é o nome dado à aguardente de cana, uma bebida alcoólica tipicamente brasileira. Seu nome pode ter sido originado da velha língua ibérica – cachaza – significando vinho de borra, um vinho inferior bebido em Portugal e Espanha, ou ainda, de “cachaço”, o porco, e seu feminino “cachaça”, a porca.