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ENTREVISTA

Junior Hostins assume com a missão de tentar resolver problemas crônicos na Saúde

Entre as propostas do novo secretário está a de criar um segundo atendimento de urgência e emergência


Junior Hostins só retorna para o Legislativo se o prefeito promover nova mudança na Saúde / FOTO ARQUIVO JM

Francisco Hostins Junior, 46 anos, é o novo secretário da Saúde de Gaspar. O sétimo - o quinto efetivo - desde que o Prefeito Kleber Wan-Dall (MDB) assumiu a cadeira do Executivo em primeiro mandato. Advogado por formação e vereador desde 2017, Junior Hostins, filho de um dos prefeitos mais populares da história do município, diz que aceitou o desafio de assumir uma das pastas mais importantes da administração municipal porque se identifica com a área da Saúde. Em 2011, quando ainda era filiado ao PDT, ele teve passagem pela mesma secretaria no governo do petista Celso Zuchi. Já no Governo Wan-Dall chegou a ser sondado duas vezes para cargos no Executivo, primeiro para a Secretaria da Educação e mais recentemente para a chefia de gabinete. Em ambos os convites, declinou. Junior Hostins admite que sua passagem pelo Legislativo gasparense praticamente se encerra nesta terça-feira (7), quando participa da sessão legislativa ainda como vereador. Na quarta-feira (8), ele assume na secretaria onde pretende ir até o fim deste governo. Além disso, Junior Hostins revela que não será candidato à reeleição, já que está sem seu segundo mandato, porém, faz uma ressalva. "A Secretaria de Saúde é cargo comissionado, se o prefeito não estiver contente com o meu trabalho ele pode me tirar, daí eu volto para o Legislativo, mas apenas para cumprir meu segundo mandato". Leia a seguir, a entrevista.

Jornal Metas: Essa foi uma convocação do prefeito ou você de fato queria retornar para a área da Saúde?

Junior Hostins: O prefeito me convidou para assumir a Educação, quando ganhou a eleição. No ano passado me sondou para a chefia de gabinete, eu sempre fui declinando, mas agora não teve jeito, veio o convite para a saúde e eu aceitei porque me identifico muito com a área; até hoje, passados 11 anos, ainda sou reconhecido por algumas pessoas da cidade pelo trabalho que fiz na Secretaria de Saúde. Isso acabou me despertando para esta área. A negociação para assumir a pasta já vem de três meses, mas demorou porque eu precisei organizar minha vida profissional, já que tenho o meu escritório de advocacia, juntamente com outros advogados, e a demanda por lá tá grande.

JM: Este será um grande desafio, numa secretaria bastante complexa. Você se sente preparado?

JH: Embora eu já tenha a experiência, isto muda totalmente a vida política, porque você sai do Legislativo e volta para o Executivo. Eu aceitei o convite porque percebi que poderia dar uma contribuição maior para a área da saúde pela experiência que tive no passado. Antes de assumir, apresentei ao prefeito alguns planos e ações que pretendo implementar na secretaria, e ele concordou.

JM: Você vai assumir uma Secretaria da Saúde bem diferente daquela de 2011, com demandas e problemas bem maiores?

JH: Eu venho acompanhando a situação da área da Saúde em Gaspar neste período como vereador e antes mesmo. As políticas públicas da área até não mudaram muito, o que mudou foi a demanda. Hoje, o município tem muito mais demanda na área da saúde, porém, em contrapartida tem mais recursos. Em 2011, eu trabalhei com recursos bastantes escassos. Eu recordo que o orçamento do município para essa área girava em torno de 17 e 18 por cento, hoje a Prefeitura está investindo 23 a 24 por cento do orçamento anual. Isso me dá um fôlego financeiro para poder implementar as políticas públicas, mas tem muito a ser feito, principalmente na área do pronto atendimento com a grande demanda no hospital. Essa será a minha prioridade número um. Vou tentar resolver essa situação das pessoas não precisarem mais ficar em filas nas unidades de saúde e no PA do hospital, além de retomar todas as cirurgias eletivas que ficaram represadas em função da pandemia.

JM: Além do pronto atendimento, existe um problema que é a falta de profissionais na área da saúde. Você tem ideia de como resolver isto?

JH: A rotatividade de profissionais da saúde é algo bastante sério. Eu tenho defendido que é preciso fomentar o concurso público, para gerar pessoal efetivo, porque como essa é uma área com muita oferta de emprego os funcionários ACTs (Admitido em Caráter Temporário) acabam ficando pouco tempo e já trocando por outro município. O concurso público é uma necessidade. Além disso, tem a questão do piso nacional dos funcionários de enfermagem e dos agentes de endemias, isto vai nivelar os salários aqui na região e diminuir a rotatividade.

JM: O hospital de Gaspar é um problema antigo. Você tem alguma solução a curto e médio prazo para a situação do Pronto Atendimento?

JH: A minha proposta é abrir uma segunda porta de entrada, não será 24 horas, mas um atendimento que inicie pela manhã e vá até o começo da noite para poder absorver a demanda que as unidades de saúde não conseguem atender durante o dia. Já apresentei essa proposta ao prefeito.

JM: Você vê necessidade de mais unidades de saúde nos bairros?

JH: Vejo hoje que precisamos de uma nova unidade de saúde no bairro Coloninha, a que tem lá não é apropriada. No ano passado, como vereador, estive em Brasília e fiz o pedido de recursos junto ao deputado federal Rogério Mendonça, o Peninha (MDB-SC) para a construção de uma nova unidade, mas no momento não tem recursos disponíveis. Acho que precisamos também ampliar a unidade de saúde do bairro Santa Terezinha. Agora, se conseguirmos abrir a segunda porta do pronto atendimento vai desafogar bastante. E tem ainda a questão de melhor acolhimento e triagem mais humanizada nas unidades de saúde. É preciso se pensar a saúde de uma forma diferente. Vamos trabalhar para mudar um pouco a rotina de trabalho na triagem.

JM: Essa sua ida para a Secretaria de Saúde tem prazo de validade?

JH: Não tem nada de ir lá só para ajeitar a casa. A ideia é permanecer na pasta até o fim deste governo até porque não serei mais candidato a vereador. Eu sempre defendi que o Legislativo é dois mandatos, não posso ter um discurso e na prática fazer diferente. A Secretaria de Saúde é cargo comissionado, se o prefeito não estiver contente com o meu trabalho ele pode me tirar, daí eu volto para o Legislativo, mas apenas para cumprir meu mandato.