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POLÊMICA

Queiroga: 'Mães, não levem seus filhos para as salas de imunização'

Ministro da Saúde esclareceu os motivos que levaram à suspensão da vacinação em adolescentes sem comorbidades

Alexandre Melo


O ministro Marcelo Queiroga - foto: Agência Brasil/

Em uma coletiva de imprensa, agora há pouco, em Brasília, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez um apelo para que as mães não levem seus filhos adolescentes (12 a 17 anos) para as salas de imunização contra a Covid-19. Na noite desta quarta-feira (16), a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à COVID-19, órgão do Ministério da Saúde, emitiu uma nota técnica recomendando a suspensão da vacinação em adolescentes sem comorbidades em todo o território nacional. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 3,5 milhões de adolescentes já receberam a primeira dose. Deste total, 1.545 tiveram reações adversas - a maioria não-grave.

Queiroga acusou os estados e municípios de não estarem seguindo as orientações do Plano Nacional de Imunização (PNI), que determina a vacinação apenas em adolescentes com comorbidades ou privados da liberdade. O ministro afirmou ainda que a única vacina que pode ser aplicada neste grupo de adolescentes é a da Pfizer e lembrou que, no caso da imunização de adolescentes, os estudos ainda são inconclusivos. Queiroga disse ainda que o Ministério da Saúde não pode se responsabilizar por condutas que são tomadas fora das recomendações sanitárias do País, e citou a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) em relação aos adolescentes que só devem ser priorizados após todas as populações de maior risco serem imunizadas com as duas doses.

"Não apliquem vacinas que não tem a autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)", reforçou o ministro. Ele revelou que o número de adolescentes com reações adversas pode ser maior, já que o Estado de São Paulo, com mais de 1,3 milhão de adolescentes vacinados não envia para o Ministério da Saúde relatórios de efeitos adversos. "Não é um número grande, mas precisamos ficar atentos com a nossa vigilância e saúde", afirmou.

O Secretário Nacional de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Arnaldo Ribeiro, explicou que os efeitos adversos pós-vacinal podem ser qualquer tipo de reação que não prevista no escopo da bula do imunizante. O s efeitos são divididos em graves e não graves. Ribeiro revelou que dos 1.545 efeitos adversos, cerca de 93% são considerados erros de imunização. De acordo com o secretário, um quantitativo muito grande de pessoas recebeu um imunizante que não tem indicativo em bula para a faixa etária dos adolescentes, ou seja, tomaram outra vacina que não a da Pfizer, outros, ainda, receberam, para cada dose, um tipo de imunizante. Ribeiro admitiu que houve um paciente em São Paulo cuja morte pode estar associada à vacina, porém, o caso ainda está em investigação. "Quando ocorre um efeito grave, como o óbito, é preciso fazer toda uma investigação clínica e laboratorial detalhada", esclareceu o secretário.

Rosana Leite de Melo, secretária Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 reiterou que as medidas técnicas adotadas são baseadas principalmente nas decisões da Câmara Técnica Assessora da COVID-19, vinculada ao Ministério da Saúde, além das evidências nacionais e internacionais. "A COVID-19 tem nos mostrado que naquele exato momento temos a melhor evidência possível, porém, isso é muito célere, muda rapidamente. Lá no Reino Unido, por exemplo, eles retrocederam a autorização para vacinação do público adolescente de 12 a 15 anos de idade, a própria organização de saúde não recomenda, mas sugere que pode se pensar em vacinar o público adolescente a partir do momento que já tenha sido vacinada toda a população mais vulnerável com duas doses", assinalou a secretária. Rosana lembrou que a vacinação nos adolescentes, de acordo com a orientação do PNI, deveria ocorrer de forma escalonada e que isto já está previsto na lei aprovada em julho. A secretária afirmou ainda, que a sua Secretaria em nenhum momento enviou para estados e municípios doses do imunizante para o público adolescente sem comorbidades. "As doses de imunizantes que sempre enviamos para estados e municípios sempre foram para maiores de 18 anos". Rosana revelou ainda que, embora o Estado de São Paulo não envie o relatório de efeitos adversos, a Secretaria entrou em contato com a o Governo do Estado de São Paulo, que recebeu a informação de 26 casos não graves e sete considerados graves, sendo que entre os graves está o óbito de um jovem de 16 anos ainda sob investigação. Rosa apresentou ainda números que mostram a aplicação da vacina em adolescentes em todo o Brasil. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 40 mil adolescentes receberam, no mínimo, a primeira dose em Santa Catarina. O governo do estado e os municípios estão reunidos pra avaliar a nota técnica e decidir sobre a continuidade ou não da vacinação em adolescentes sem comorbidades.

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