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O Rei da Tesoura II


Há questão de duas semanas, novamente meu amigo Nelson Lamin descobriu por acaso um outro barbeiro no bairro de moramos, o Garcia. Seu nome é Marcelo, assim como o ator Mastroianni, o felliniano alter ego do dindefinível cineasta.Fica seu lugar de trabalho na própria casa na rua Frederico Rimer.

Nascido em Goiânia, viveu tempos na Bahia, e acabou vindo pra cá a conselho de parentes, que trabalho fácil lá não se encontra.

Fincou pé, teve sete esposas, delas se separando por sua vontade e já disposto a encontrar nova companheira.

Já botou a butuca numa futura pretendente e só espera os segundos que o separam do novo casório.

De tudo que falou, e não foi pouco, o que mais me impressionou foi que disse ver em cada freguês uma pessoa e não um número. Afirma com convicção que outros profissionais da tesoura olha o freguês não como pessoa, indivíduo, e sim namoram os números à vista: notas de vinte, cinquenta e outros valores em espécie.

Se ele vai morrer cortando cabelo, é nessa que eu embarco: serei seu freguês até o meu fim, que espero não estar tão próximo. Amém.



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