Presidente voltou a defender o voto impresso e, sem provas, afirmou que as duas últimas eleições presidenciais foram fraudadas

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Presidente acusou os ministros do TSE de interferirem no andamento da PEC no Congresso Nacional / FOTO AGÊNCIA BRASIL

Na véspera da Comissão Especial votar o texto da PEC 135/19, que adota o voto impresso no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) disse que caso a eleição se dê no voto eletrônico um lado "pode não aceitar o resultado" das urnas. Neste caso, Bolsonaro deixou claro que este lado é o seu. A declaração foi dada em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre na manhã desta terça-feira (7).

O presidente insinuou ainda que eles (ministros) vão arranjar problemas para o ano que vem. "Se esse método continuar aí, sem inclusive a contagem pública, eles vão ter problema, porque algum lado pode não aceitar o resultado. Esse lado obviamente é o nosso lado". Bolsonaro voltou a dizer que o voto eletrônico não é confiável e que irá apresentar provas de que venceu a eleição de 2018 no primeiro turno. Sem apresentar provas ou indícios, o presidente também afirmou que na disputa eleitoral de 2014, o candidato tucano Aécio Neves venceu a sua adversária, Dilma Rousseff, do PT. Bolsonaro atacou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que é contra a proposta de emenda à Constituição (PEC) que restabelece o voto impresso obrigatório. Segundo o chefe do executivo, o atual presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, tem recebido parlamentares para tratar do assunto, assim como os ministros Alexandre de Moraes e Edson Fachini que lideram o grupo defensor do voto eletrônico. "Por que o Barroso não quer mais transparência nas eleições? Porque tem interesse pessoal nisso. Ele está se envolvendo numa causa como essa e interferindo no Legislativo, isso é concreto, porque depois da ida dele ao parlamento, várias lideranças trocaram os integrantes por parlamentares que vão votar contra o voto impresso", disparou o presidente, que ainda classificou Barroso de um péssimo ministro e se mostrou preocupado com a interferência dele e de outros ministros no andamento da PEC 135/19. Para o Presidente da República, o ministro Barroso quer destruir a democracia.

Quem também atacou o Judiciário foi a deputada Bia Kicis (PSL-DF), autora da proposta de mudança na forma de votação nas próximas eleições. Ela acusou o Judiciário de interferir na discussão, pois estão ocorrendo trocas de membros da comissão especial que analisa o texto, que segundo ela atende a pedidos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). "Estamos sofrendo campanha e ataque do Judiciário, que está interferindo na missão do Parlamento. Não estou atacando o STF, estou zelando pela independência dos nossos poderes e pela hombridade do Parlamento", apontou a deputada.

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Ministro Barroso afirmou que o voto impresso leva o Brasil para o passado / FOTO DIVULGAÇÃO TSE

Barroso diz que voto eletrônico é confiável

No começo de junho deste ano, o presidente do TSE, ministro Luis Roberto Barroso, participou de um debate na Câmara dos Deputados, onde voltou a defender o voto eletrônico. Achamos que nosso processo eleitoral eletrônico é seguro, transparente e auditável. Sustentamos que o sistema é seguro, foi implantado em 1996 e nunca se documentou sequer um caso de fraude desde então. Todos os senhores foram eleitos por esse sistema de controle eleitoral. O que nós fizemos foi derrotar um passado de fraudes no tempo do voto de papel", avaliou Barroso. Segundo o ministro, a impressão do voto vai diminuir a segurança na votação, pois irá criar um objeto menos seguro na auditoria. Ele disse ainda que a "vida vai ficar bem pior" com o voto impresso e que o Brasil voltará "ao passado dos riscos de manipulação". "As urnas são auditadas muitas vezes. Voto impresso vai piorar. A vida vai ficar bem pior, parecida com o que era antes", garantiuo ministro.

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