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O recomeço com apenas uma vaquinha de leite

Perfil. O 'Plano Collor', em 1990, obrigou o casal Nivaldo e Teresinha, moradores do Bateias, a se reinventarem

Foto: Foto: Alexandre Melo/Jornal Metas
Teresinha e Nivaldo retornaram para o Barracão/Bateias há mais de 30 anos


Foto: Alexandre Melo/Jornal Metas/Teresinha e Nivaldo retornaram para o Barracão/Bateias há mais de 30 anos

As raízes de Nivaldo Roncáglio e da esposa, Maria Teresinha Roncáglio, sempre estiveram em Gaspar. Nascidos no Barracão/Bateias, eles planejaram um dia voltar a viver na localidade onde cresceram. O que o casal não imaginou é que este retorno se daria numa situação de emergência. A mãe de Teresinha faleceu e ela, a filha mais velha, precisou e assumir os cuidados de três irmãos adolescentes. Isto aconteceu há mais de 30 anos.

Mas a história deste simpático casal, morador do Bateias, começa bem antes. Nivaldo, hoje aos 71 anos, e Teresinha, 66 anos, trabalharam na roça. Aos 14 anos, ele decidiu mudar de vida. "Aqui não tinha nada, a não ser o trabalho na roça". conta Nivaldo. O jovem, cheio de sonhos, foi então para Blumenau atrás de outro tipo de trabalho e conseguiu na Artex. Trabalhou no setor têxtil até completar 34 anos de idade, quando então investiu no comércio. Em Blumenau, foi dono de mini mercados e de boteco por 14 anos, mas as terras, compradas de sua mãe em meados dos anos 1970, permaneciam à espera de Nivaldo, Teresinha e de seus dois filhos, Israel e Evandro.

Nivaldo conta que precisou trabalhar muito para transformar o lugar no belo sítio que se vê hoje. "Isto aqui era feio, um matão", confirma dona Teresinha.

E como nada cai do céu, a família enfrentou dificuldades, não por causa da falta de dinheiro, mas porque o Plano Collor, de 1990, adiou sonhos e projetos de muita gente. "O dinheiro que eu tinha no banco da venda da minha casa e do comércio dava para viver de aplicações e investimentos, principalmente na compra de mais terrenos. Eu pretendia viver sem me preocupar muito", conta Nivaldo. Mas, nada disso foi possível. Enquanto as máquinas limpavam o terreno para a construção da casa, o dinheiro "sumia" no banco confiscado pelo Plano Collor. Em pouco tempo, o valor foi reduzido praticamente à metade. Foi preciso iniciar do zero, buscar outros meios para garantir o sustento da família. E tudo começou com uma vaca de leite. Era da "mimosa" que o casal tirava leite para o consumo da família. Daí apareceu um cunhado de Nivaldo oferecendo outra vaca. "Comprei e ela começou a me dar uma quantidade de lei que não conseguíamos consumir. A vizinhança ficou sabendo e passou a comprar o nosso leite. Não era muito, mas para quem não tinha nada ajudava", recorda Nivaldo. A vaca, segundo ele, era tão boa de leite que chegou a produzir 28 litros num dia.

O negócio prosperou e a família passou a fabricar queijos, queijinhos e nata. Nivaldo chegou a ter 12 vacas de leite da raça holandesa. Quem entregava o leite era o filho Israel, na época com apenas 9 anos. "Comprei uma bicicleta para ele, mandei fazer umas sacolas e ele saía por aí entregando leite de casa em casa. Ele chegou a entregar 36 litros num dia, nem sei como ele conseguia fazer isto de bicicleta", admite Nivaldo, que só tem elogios aos filhos: "tivemos a graça de ter dois filhos que são uma benção do céu". Evandro, o mais jovem, é hoje dono de uma malharia, e Israel, formado em Administração de Empresas, é o responsável pela área administrativa da empresa.

Foto: Arquivo Pessoal/Nivaldo em uma das celebrações como diácono

Vida religiosa

Nivaldo conta que nunca foi muito ligado à Igreja, embora fosse frequentador das missas na igreja Santa Isabel, em Blumenau. Teresinha sempre foi mais atuante. Quando a família veio para Gaspar, isto começou a mudar. Nivaldo tinha um tio que era ministro da Igreja e o convidou a acompanhá-lo nas celebrações nas casas, até que um dia Nivaldo passou a participar de um grupo de reflexão. "Eu não sabia nem abrir direito a Bíblia", confessa. O trabalho religioso, porém, tomou uma proporção na vida de Nivaldo que se tivesse de parar hoje, certamente ficaria faltando algo muito importante. Nivaldo acabou assumindo a liderança do grupo de reflexão e outras incumbências da Comunidade Nossa Senhora das Graças. Incentivado pelos padres, estudou para Diácono por seis anos e há cinco é um dos três diáconos de Gaspar. Nivaldo celebra missas, casamentos e batizados por toda a cidade. Segundo ele, a mudança que isto provocou na sua vida não tem como medir. "Por várias vezes, eu perguntei a Deus o que eu estava fazendo ali. Por que eu, com essa idade? O curso para Diácono é uma verdadeira faculdade de Teologia", observa. Sem a resposta de Deus, Nivaldo segue na sua missão que, para ele, tem como maior recompensa a de poder ajudar outras famílias. "Ser diácono é a maior graça que ganhei de Deus depois da minha família". emociona-se. Nivaldo carrega para a vida um ensinamento: "Por pior que seja a situação, se você faz com amor as coisas dão certo".

ele, tem como maior recompensa a de poder ajudar outras famílias. "Ser diácono é a maior graça que ganhei de Deus depois da minha família". emociona-se. Nivaldo carrega para a vida um ensinamento: "Por pior que seja a situação, se você faz com amor as coisas dão certo".



Foto: Arquivo Pessoal/Nivaldo, Teresinha, filhos, noras e neto





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