Blumenauense grava depoimento para a novela Viver a Vida
O dito popular diz que “A vida imita o vídeo”. Mas será que não seria ao contrário? Pelo menos na história que a blumenauense, Marileuza Sabel da Silva, 37 anos, sobrinha do bombeiro militar de Gaspar, cabo José Carlos da Silva, irá contar na novela Viver a Vida da Rede Globo de Televisão, remete a isso.
Claro que seu caso não é único e nem mesmo foi o que inspirou o autor Manoel Carlos, mas serve para mostrar como as novelas são um espelho da realidade.
O enredo do programa Global retrata o processo de adaptação e superação da jovem Luciana, vivida pela atriz Aline Moraes, que sofreu um grave acidente automobilístico e ficou paraplégica.
Aos 18 anos de idade, a blumenauense Marileuza viveu uma experiência parecida, porém no seu caso com o agravante de perder os movimentos do corpo todo (Tetraplegia), recuperado parcialmente depois com o tratamento. Mas a deficiência física não a impediu de realizar seus sonhos e seguir adiante.
No início foi difícil, mas aos poucos decidiu que não queria ser tratada como uma inválida e ver a vida passar. Casou-se com Demilson Luis da Silva, que como a mesma define: “um homem capaz de se render aos encantos de uma mulher cadeirante; de lutar e reaprender junto dela a viver de forma diferente dos padrões pré-estabelecidos pela sociedade”, teve um filho, Guilherme Sabel da Silva, que hoje está com 13 anos, “minha dádiva e meu orgulho” e assim deixou muitos preconceituosos sem reação.
Após a realização do sonho da maternidade, Marileuza teve mais uma realização em sua vida ao se enveredar nas artes plásticas, que de passatempo se transformou em profissão e fonte de renda da família, pois seu marido também trabalha com artesanato. “Pintando, me sinto ilimitada; podendo percorrer lugares infinitos, intransponíveis a outros olhos. E posso dizer com todas as letras que a arte hoje é a expressão viva da vida que há em mim”.
Tendo os movimentos das mãos limitados, a artista pinta com a ajuda de manguitos (adaptações para as mãos), assim como fazia o grande mestre barroco do século XVIII, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, como era conhecido o escultor mineiro.
Toda a história de Marileuza será contada, em flash, em horário nobre na TV e servirá de lição para as pessoas enxergarem a magnitude da vida. “Como mulher e cadeirante posso afirmar que a vida não se limita ao que vemos. Ela vai muito mais além. Acima de tudo, ou de qualquer problema físico, a beleza está muito mais dentro do que fora de cada um. Isso depende da auto-estima e da honestidade. E se tenho de passar por isso, farei da melhor forma possível”, finaliza Marileuza.
Gravação
A viagem para a participação na novela Viver a Vida aconteceu na quinta-feira (29). Ela seguiu para o Rio de Janeiro e faria uma visita a Central Globo de Produções (CGP), no Projac, situado no bairro Vargem Grande, onde também aconteceria a gravação. Não há previsão da veiculação do depoimento.
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