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Perfil.

Legado de bons exemplos e empreendedorismo

Chico Reis se destacou no Barracão pelas realizações empresariais e auxílio à comunidade


Chico Reis e a família em um dos muitos encontros no espaço de lazer da cervejaria

Foram pouco mais de quatro anos, mas a paixão pela Cervejaria Barracão tomou conta da vida de Francisco Reis, o seu Chico "da Cervejaria", como passou a ser conhecido no bairro Barracão e uns tempos para cá. Nascido em Brusque, comerciante do ramo de alimentos por muitos anos em Itajaí, Chico Reis retornou para a sua cidade natal em 2005, depois que decidiu mudar de ramo. Escolheu o da confecção e montou a Dezali - Indústria e Comércio do Vestuário em um galpão na Rua João Barbieri. Em 2016, quase por acaso, descobriu a fabricação de cerveja artesanal e tomou isto para si como um hobby, que depois virou negócio. Em março deste ano, porém, Chico, aos 63 anos, morreu vítima de complicações causadas pela Covid-19. Deixou um legado de bons exemplos e muita saudade entre aqueles que o conheciam bem: as duas filhas, Lizandra e Andresa Reis, a esposa Marli Reis, o genro Alexandro Rodrigo Zaleski, os netos Caio e Maia, funcionários da cervejaria e da confecção e amigos...muitos amigos. As filhas, até então dedicadas integralmente à Dezali, precisaram se reinventar da noite para o dia e assumir também o negócio cervejeiro. "Ainda é muito difícil falar sobre o meu pai, as lembranças estão muito próximas", afirma Andresa. "Isto aqui era a paixão dele, não vamos deixar esse sonho acabar", acrescenta Lizandra.

O negócio cervejeiro começou numa simples brincadeira, na área de festas onde a família se reunia nos finais de semana. O genro Alexandro convidou amigos para fabricar cerveja para consumo próprio. Chico ficou observando de longe, mas como bom empreendedor enxergou naquela panela com líquido fervendo a oportunidade de expandir seus negócios. Nascia, naquele dia, a Cervejaria Barracão. É verdade que a profissionalização do negócio somente aconteceu a partir de 2019. Antes disso, a cerveja artesanal Barracuda - essa é a marca - era produzida em pequenas quantidades e numa panela semiautomática. A comercialização iniciou, de fato, em 2017, ainda para amigos e funcionários da confecção, mas acabou caindo no gosto popular. "Fomos observando como o mercado reagiria a uma cerveja fabricada no Barracão, até porque era o auge das cervejarias artesanais", recorda Lizandra. O nome Barracuda foi também ideia do genro, que faz pesca esportiva e um dos peixes que ele mais aprecia é o barracuda. "Ele decidiu vincular os dois hobbies: cerveja e a pescaria", revela Lizandra.

Chico Reis contrariou o provérbio de que "santo de casa não faz milagre". A cerveja Barracuda foi muito bem aceita pelos moradores do Barracão, de outros bairros de Gaspar e até de municípios vizinhos. Percebendo que o negócio tinha tudo para dar certo, o empresário não teve dúvida: aproveitou o galpão onde havia funcionado a primeira sede da confecção e expandiu a cervejaria com a construção da sala de brassagem, que é o processo de mistura dos grãospara a fabricação da cerveja. A simples brincadeira virou negócio e paixão. Tanto é verdade que Chico chamou as filhas e comunicou que elas ficariam cuidando da confecção enquanto ele se dedicaria integralmente ao empreendimento cervejeiro. "Ele assumiu a cervejaria como um hobby, mas depois foi levando a sério e investindo", conta Andresa.


Lizandra (E) e Andresa precisaram se reinventar para assumir o negócio cervejeiro

A filha revela que a família sempre brincava que tudo o que o pai colocava a mão virava ouro. "É verdade, mas porque ele sempre teve muita garra, foco e positividade", reforça. "Outro diferencial é que ele fazia tudo com muito amor e carinho", lembra Lizandra, que destaca outra característica marcante da personalidade do pai: "Ele foi uma pessoa muito humana, de um coração enorme, gostava de ter a família e amigos por perto, era também muito animado e otimista, nunca vi meu pai pessimista por pior que fosse o momento que estivesse vivendo, acho que esse foi um dos legados que ele deixou e assim será lembrado pela família e amigos", emociona-se. A família, conta a filha, não abandonou a tradição de se reunir nos finais de semana na área de convivência que Chico construiu para o lazer. "Não abandonamos e nem vamos abandonar essa tradição, porque ele gostava muito de tudo isto aqui, gostava de reunir as pessoas para apreciar a nossa cerveja, e também adorava cozinhar".

Lizandra descreve o pai como uma pessoa que tinha alma de criança. "Ele acreditava muito no ser humano, todos para ele eram pessoas boas, é verdade que algumas vezes ele se decepcionava, mas sonhava com o dia que todas elas fossem boas". Ela conta que alguns anjos apareceram na vida do seu pai, como o casal Márcio e Cleide, que iniciou na confecção, mas acabou indo para a cervejaria a convite de Chico. "Ele me disse, se tu me ajudar na cervejaria eu invisto", conta Márcio. O mestre cervejeiro admite que a sua única experiência na fabricação de cerveja artesanal era a mesma do patrão, pois estavam juntos naquela primeira experiência em que participaram o genro de Chico e amigos. "Eu fui atrás de conhecimento, fiz cursos e me especializei, verdade que ainda preciso aprender muito sobre cerveja artesanal", observa Márcio. Ele não segura a emoção ao falar do patrão e a voz embarga. "Ele sabia que eu gostava muito de bolinho de carne, todo o dia passava na padaria e trazia os bolinhos para tomarmos café juntos. Ele era um pai, um amigo...". Segundo Márcio, a cervejaria era o lugar onde seu Chico se sentia muito feliz. "Isto aqui era tudo para ele", resume. Além de empreendedor, Chico carregava uma bondade incomparável. "Ele gostava de estar no meio do povo, e ajudar as pessoas", observa Márcio. Certa feita, um morador do Barracão ofereceu a ele uma casa a um preço bastante razoável, porém, o motivo da venda repentina era porque o cida-dão precisava pagar uma cirurgia para o filho e depois o tratamento. Seu Chico respondeu: - "fica com a tua casa e tá aqui o dinheiro para a cirurgia". Chico pagou ainda os remédios que o jovem precisou tomar. O empresário contribuiu muito com a comunidade, a creche e a igreja do Barracão. "Temos como metas seguir esses ensinamentos", finaliza Lizandra.



Projetos e novos investimentos para o futuro

Chico Reis (Centro) era um apaixonado pela cervejaria

A cerveja Barracuda tem como característica principal a produção artesanal, com ingredientes naturais e processo de fermentação sem adicionantes ou conservantes. Embora seja classificada como artesanal, a Barracuda não é produzida com equipamentos rudimentares. Longe disso, Chico Reis sempre se preocupou com a qualidade da sua cerveja. Os equipamentos hoje são modernos e eficientes. Além disso, existe todo um cuidado com a qualidade do produto final, que inclui controle rigoroso com a higienização e ingredientes selecionados. As leis de higiene e de armazenamento são rigorosamente seguidas de acordo com as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Essa exigência significou investir em equipamentos, processos e mão de obra especializada. Hoje, além do mestre cervejeiro Márcio, a Barracão conta com outro cervejeiro, Alex Costa, com a bagagem de ter trabalhado em grandes cervejarias. Hoje, a Cervejaria Barracão produz cerca de 12 mil litros por semana, e havia, antes da pandemia, uma projeção de ampliar. De acordo com Márcio, aos poucos a meta está sendo retomada, com o aumento da produção.

Mercado

O mercado da Barracuda ainda é pequeno: Gaspar, Ilhota, Blumenau, Itajaí, Guabiruba, Balneário Camboriú, Botuverá, Itapema e Brusque. "Nossa ideia é expandir, buscar clientes em outras cidades da região", projeta o mestre cervejeiro. "Temos uma expectativa de expansão", reforça Lizandra. O time é forte e motivado para novos investimentos, que certamente receberiam o aval de Chico Reis. A cervejaria produz hoje sete rótulos, que são distribuídos para Gaspar e outras cidades da região, mas o objetivo é ir mais longe: Para Lizandra, a ideia é administrar tudo o que o pai plantou com muita competência. Já a filha Andresa, diz que o pai está presente em tudo o que a família faz. "De onde ele estiver, certamente está orgulhoso do que nós estamos fazendo", conclui.




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