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Dona Santa e a receita de chegar aos 96 anos

Nesta quinta-feira (3), a simpática senhora, mãe de 16 filhos, vai celebrar mais um aniversário

No canto da sala sobre uma cômoda, as imagens de Nossa Senhora Aparecida, da Virgem Maria e do Menino Jesus revelam a forte inclinação para a religiosidade. A televisão sintonizada em um canal que transmite missas completa o cenário de fé que envolve a família Reinert. A matriarca, que nasceu Clotilde no bairro Poço Grande, muito jovem recebeu o apelido de Santa. E existe mais um motivo para que este 3 de junho, feriado de Corpus Christi, seja especial na casa dos Reinert. Afinal, dona Santa chega aos 96 anos de idade.

Santa nasceu com o sobrenome Lourenço. Seus pais Lindolfo e Luiza eram lavradores. E aí começa esta bela história de superação. "Ah, seu eu contar tudo dá pra escrever um livro", afirma do Santa. De fato, são muitos capítulos, alguns arrancam um sorriso da simpática senhora; outros, porém, trazem tristeza como se as lágrimas pudessem fazê-la retornar ao passado para modificá-lo.

Como era de praxe para a época, Santa frequentou por pouco tempo a escola, o suficiente para aprender a ler e escrever. O restante da educação veio com a vida e as dificuldades. O destino da jovem foi a roça onde trabalhou duro junto com seus irmãos. "Cortei cana, raspei mandioca e plantei na horta para podermos comer", relembra. As terras não eram da família. Pertenciam a Antônio Schmitt. "Meu pai plantava para ele, mas era muita miséria. Nós dizíamos para o nosso pai: deixa a gente ir trabalhar na fábrica em Blumenau para ver se melhora", conta Santa. Mas, seu Lindolfo não permitia.

Ela só saiu de casa para casar. Aos 18 anos, subiu ao altar com Vergilio Reinert. Eles tiveram 16 filhos, oito já falecidos. A primeira filha, Teresa, nasceu no ano seguinte. Dali pra frente, era um filho por ano. O segundo foi Hélio, que nasceu deficiente visual. "Fomos descobrir que ele tinha problema de visão depois de quatro meses", conta Santa. Hélio morreu aos 15 anos de idade. A terceira filha, Serena, também nasceu com deficiência visual e física. "Ela nunca caminhou, era muito doente", lamenta a mãe. Serena morreu antes de completar três anos de vida.

O quarto filho foi Antônio Reinert. E dona Santa revela, emocionada: "roguei a Nossa Senhora e a todos os santos do céu misericórdia para que ele viesse com saúde". E veio. Na sequência nasceram duas meninas: Graça e Glória. Já o oitavo filho, José Lindolfo, nasceu também deficiente visual. Depois dele vieram Pedro, Maria, Francisco, Almir (falecido), Álvaro (falecido) e Sebastião, este também com deficiência visual. Os três últimos filhos, pela ordem, foram Eduardo, Clotilde (falecida) e Maurício (falecido). "Eu sempre quis casar ter filhos, mas jamais imaginei ter tantos", admite dona Santa, que cuidou de todos com muito carinho. A primeira moradia foi no bairro Lagoa. Em seguida, a família se mudou para uma pequena casa no bairro Sete de Setembro, construída por Vergílio em terreno da estação ferroviária, pois ele passou a trabalhar como ferroviário. "Meu marido saía à noite, com um lampião na mão, para fazer a ronda", relata Santa. Foi nesta residência simples que nasceu a maioria dos filhos. Segundo Francisco, hoje com 64 anos, com o fim da estrada de ferro o terreno retornou para os antigos proprietários, a família Debortoli, mas que depois doaram o terreno para seus pais. Há cinco anos, a família trocou o terreno e casa por outro no bairro Sete Setembro onde construiu uma confortável casa onde moram dona Santa e seus dois filhos deficientes visuais: Dão e Zeca, como são conhecidos. Dão toca bumbo e Zeca acordeom. Por muitas vezes, eles animaram festas em Gaspar e região.

Sobre a vida naquela época, Santa diz que era muito difícil: "Eu tinha uma vaquinha de leite, farinha e feijão, que dava de alimento para os meus filhos. A casa era muito pequena, dormiam quatro ou cinco numa mesma cama". Os filhos a acompanhavam na roça, pois ela tinha com quem deixá-los.

Dona Santa ficou viúva cedo. Virgílio morreu aos 53 anos. A partir daí, as dificuldades foram enormes. Ela trabalhou de lavadeira e de costureira. Hoje, dona Santa olha para trás e diz que valeu a pena tudo que fez pelos filhos e continua a fazer. A família é unida e grande. São 30 netos, 44 bisnetos e cinco tataranetos. Ela tem orgulho de dizer que só foi ao hospital para ganhar os filhos - e nem todos, porque alguns nasceram em casa. Hoje, por força da idade precisa tomar alguns remédios e a visão já não é a mesma. Religiosa, realizou dois sonhos: conhecer Aparecida do Norte e Roma. "Nunca imaginei chegar tão longe, acho que Deus me escolheu", finaliza com simplicidade a nonagenária senhora.


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