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Memória.

A vida do casal 'Zé Polícia' e dona Chica

Natural de São José-SC, o casal viveu no Barracão, onde seu José ganhou o apelido de 'Zé Polícia'


Fotos: Arquivo Pessoal/Seu Zé Polícia e Dona Chica, a benzedeira

Ele é mais um daqueles personagens que marcou o Barracão. José Maria da Silva (já falecido) não nasceu no bairro nem tem descendência italiana. Ele veio de São José, onde nasceu, na região Metropolitana de Florianópolis, para trabalhar no extinto Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Na época, o Governo do Estado estava executando a pavimentação da Rodovia Ivo Silveira. Curioso é o apelido que ganhou tão logo chegou a Gaspar. Por causa da profissão que exercia antes de se transferir para o DER, José Maria virou o "Zé Polícia". Ele deixou o ofício a pedido da então noiva, Francisca Dias da Silva, a dona Chica. Quem lembra bem da história é o filho, Valdo José da Silva, 78 anos, o popular Teixeira, que hoje mora no bairro São Pedro, no centro de Gaspar. "Ela disse para o meu pai: eu caso contigo, mas tu tens que deixar esse trabalho". Apaixonado, seu José não pensou duas vezes e aposentou as armas para poder subir ao altar com Chica.

Valdo, que é o segundo filho de uma prole de cinco do casal Silva, não recorda porque a família veio morar em Gaspar. "Eu era muito pequeno, mas acho que foi por causa da proposta de trabalho no DER". Agora, o que ele não esquece são as dificuldades que a família passou em terras gasparenses. "Nós éramos muito pobres, mas muito pobres mesmo", reforça o simpático senhor. Morávamos numa casa de parede e chão de barro na antiga estrada geral do Barracão. E aí, ele conta que uma pessoa foi fundamental para a sobrevivência da família no Barracão. "O seu João Barbieri ajudou muito a gente, deu até comida para a nossa família, ele foi um segundo pai pra nós. Nunca vou esquecer tudo que ele fez de bom pra a nossa família", emociona-se Teixeira, que ganhou esse apelido porque gostava das músicas do cantor gaúcho Teixeirinha.


Ela disse para o meu pai: eu caso contigo, mas tu tem que deixar esse trabalho".
Valdo José da Silva,
o Teixeira

Chica, a benzedeira

Zé Polícia, dona Chica, que virou Chica, a benzedeira, e os cinco filhos: Zilda, Valdo, Zezinho, Zulma (já falecida) e Zeli ainda permaneceram no Barracão por um bom tempo, porém, dona Chica, que trabalhava de servente na escola Marina Vieira Leal, arrumou emprego na Escola Honório Miranda, no centro da cidade. A família então se mudou para a entrada do bairro São Pedro. Alguns anos depois, Zé Polícia se aposentou. Dona Chica também se aposentou trabalhando na Honório Miranda. Ela viveu até 95 anos de idade. Era conhecida na cidade pelas curas que alcançava por meio do benzimento. Ganhou o apelido de Chica, a benzedeira, mas também podiam chamá-la de Chica, a pescadora. Valdo conta que a mãe gostava muito de pescar.

Uma das netas, Ana, 54 anos, que também tem Francisca no nome, recorda com carinho da avó e desta paixão pela pesca. "Lembro dela indo sozinha pescar na barranca do rio Itajaí-Açu". Ana também lembra das muitas pessoas que procuravam sua avó para se benzerem. "Ela era uma das mais famosas benzedeiras de Gaspar. As pessoas confiavam demais nas rezas que ela fazia para alcançar a cura", conta.

Os dois filhos homens do casal Zé Polícia e Dona Chica escolheram outras profissões. Valdo conta que começou a trabalhar aos 12 anos de idade. O primeiro emprego foi na Olaria dos Chimineli. Depois, ele trabalhou na olaria da família Barbieri, no alambique de Orlando Bendini e na pecuária.

Quando a família se mudou para o centro de Gaspar, Valdo arrumou emprego na Prefeitura e por 33 anos foi operador de máquinas na Secretaria de Obras, até se aposentar há mais de 30 anos. Dos tempos do Barracão, ele lembra das professoras Hilda Alberici e Izolete Bendini, e das irmãs franciscanas Ida e Rosa que também lecionavam para as crianças da comunidade. Embora longe do bairro, ele revela que vem sempre visitar amigos. "O Barracão é um lugar muito bom".

José da Silva, o Zezinho, pai de Ana, foi caminhoneiro e motorista de táxi. Ana fez o caminho inverso dos avós. Nasceu no bairro São Pedro e depois de casada veio morar no Barracão. Ela e o marido, Moacir Alves de Almeida, são proprietários de uma Agropecuária às margens da Rodovia Ivo Silveira. "Vim morar no Barracão porque o meu marido havia comprado um terreno e construiu a nossa casa". Ela diz gostar muito do bairro. Antigamente, a vida era parada por aqui, não tinha nem ônibus, mas o bairro cresceu e hoje temos praticamente tudo aqui", finaliza.


Fotos: Arquivo Pessoal/Seu José (3º da esq p/dir) trabalhou por muitos anos no DER




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