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Memória.

A professora que amava ensinar e as flores

Mercedes Melato Beduschi (*1932 +2012) foi a primeira professora da Luiz Franzói


A professora Mercedes Melato dedicou 30 anos da sua vida a ensinar Fotos: Arquivos Pessoal

Luciano conta que no dia do enterro da sua mãe, os alunos da Luiz Franzói se posicionaram ao longo da rua para uma última homenagem à primeira professora do bairro.

Poucas pessoas receberam tantas homenagens em Gaspar como a professora Mercedes Melato Beduschi. Reconhecimentos, aliás, merecidos. Nascida no Barracão em 10 de abril de 1932, ela dedicou 30 anos da sua vida a ensinar. Começou dando aulas, aos 16 anos, no modesto grupo escolar Luiz Franzói, na Rua José Rangel, no Bateias.

A primeira professora do bairro percorria de bicicleta 3km em estrada de chão até a escola. Na época, o ensino era multisseriado - havia alunos da 1ª, 2ª e 3ª série numa única sala de aula. Mais tarde, ela passou a lecionar à noite para os adultos.


A carteira dos estudantes e a professora Mercedes com uma turma

Mercedes era uma professora exigente, cobrava dedicação de seus alunos. A escola e os estudantes passavam por avaliações periódicas de professores de outras unidades de ensino. O trabalho de Mercedes era sempre merecedor de elogios, assim como seus alunos, entre eles o ex-prefeito Celso Zuchi, que foi aluno da escola de 1959 a 1961. "A professora Mercedes alfabetizou toda a minha geração no Bateias, na época era a única professora do bairro", recorda. Zuchi guarda, com carinho, lembranças da ex-professora. "Ela foi mais que professora, foi uma educadora". Em seus dois últimos mandatos, o ex-prefeito reconheceu o trabalho de três décadas da professora. Em 2010, sancionou Projeto de Lei que deu a denominação de Mercedes Melato Beduschi à biblioteca da escola Luiz Franzói. Em 2015, três anos após a morte da professora, outra homenagem: o CDI do bairro - onde funcionava a escola - recebeu o nome de Mercedes Melato Beduschi.

Luciano Beduschi, um dos três filhos de Mercedes, conta que mesmo depois de aposentada, sua mãe jamais se desvinculou da escola. "Ela promovia regularmente piqueniques aqui no sítio, que chamava de "Mesa dos Inocentes". Na área de lazer, nos fundos do sítio onde Mercedes passou a maior parte da sua vida, Luciano e a esposa Doriana Stiz Beduschi reuniram alguns objetos que fizeram parte da vida da ex-professora, como uma mesa original da época da primeira escola, a cadeira de balanço que ela tantas vezes sentou para relembrar, ao lado de ex-alunos, histórias do tempo em que lecionava, e fotos de família. "Minha mãe gostava muito deste 'cantinho", foi uma forma que escolhi de manter viva sua memória", diz Luciano. "Ela foi até o fim da vida muito lúcida", acrescenta Doriana.


Mercedes e o marido Bráz 

Mercedes também era apaixonada por flores. "Eram duas coisas que ela amava: crianças e flores", revela o filho. Por isso, ele faz questão de doar flores para o CDI regularmente, mantendo assim o ambiente como a sua mãe gostava. "Parece que eu a vejo no meio das flores", emociona-se. Mercedes era a penúltima filha do casal Antônio e Ana Maria Melato Beduschi. Seus pais tiveram onze filhos - seis mulheres e cinco homens. Valéria Cadore, irmã mais jovem, foi uma das primeiras professoras na Escola do Óleo Grande.

Mercedes era tão querida na comunidade, que quase nunca retornava para casa no horário do almoço. "Os pais dos alunos faziam questão de convidá-la para o almoço", diz Luciano. Em 1970, a professora casou com o barbeiro Bráz Beduschi, com quem teve três filhos - Amadeu, Sandra (já falecida) e Luciano. O casal passou a morar no sítio próximo à escola. No começo, Braz cortava cabelos ao lado da "vendinha" de Hercílio e Sofia Zuchi, depois transferiu a barbearia para a sua casa. Ele também plantava fumo e tomate. Aliás, a venda de tomate de porta em porta foi o primeiro trabalho de Luciano e do seu irmão. Braz faleceu em 2004 e Mercedes em 2012, poucos dias antes de completar 80 anos.

Luciano e seu irmão não chegaram a ser alunos da mãe, mas seu filho mais jovem frequentou o CDI Mercedes Melato. "Era engraçado, pois ele dizia que estava indo para o CDI da vovó", recorda Doriana.


Luciano, a esposa Doriana e os filhos Gustavo e Rafael


Os pais de Mercedes: Antônio e Ana Maria Melato

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