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Família Merlo

A família Merlo e o 'senhor dos engenhos'

'Meu pai deu início a tudo o que temos e o que somos'. Paulo Roberto Merlo, conhecido como Beto.

Beto e Elisabete guardam boas lembranças daquele tempo


Paulo e Elvira e o engenho que foi o sustento da família

Orgulhoso de sua história, com olhar claro e distante, Beto aos quase 61 anos de idade (a serem completados no próximo dia 29), relembra a feliz e árdua trajetória de trabalho no "Engenho Merlo" construído pelo pai, Paulo Merlo.

O engenho, que ficava na localidade do Óleo Grande, em Gaspar, conduziu, por muitos anos, a vida da família. Paulo começou a trabalhar no engenho ainda pequeno. Colono, plantador de arroz e mandioca, o senhor do engenho vendia as sacas de farinha percorrendo quilômetros de carroça, de propriedade em propriedade, na estrada sentido Itajaí. Segundo Beto, o produto era comercializado em um dia e uma semana depois eram entregues novas sacas e o produto anterior era pago. Esse trabalho, durante muito tempo foi feito a cavalo.

Único meio de vida de Paulo, da esposa Elvira, nascida na família Benaci, e dos cinco filhos, todos pegavam pesado e dividiam as tarefas diárias. "Um forneava, outro prensava, um raspava aipim, outro buscava o aipim na roça. As mulheres tinham atividades diferenciadas, só raspavam, já eu trabalhava na prensa. Nossa vida era isso, trabalhava direto. Na última bocada de comida a gente já estava levantando e indo para o engenho novamente. O único descanso era no domingo", conta Beto.

Na madrugada dava-se início às atividades na propriedade rural. A jornada de trabalho começava antes das 2h da manhã. E lá estavam os primeiros a levantar da cama: os dois Paulos, pai e filho. Os outros filhos levantavam um pouco mais tarde, e por volta das 4h, dona Elvira.

O Beto leva o mesmo nome do pai e também era o seu fiel companheiro do começou ao fim da jornada diária, que era concluída por volta das 19h. Mas o cansaço não superava a satisfação do trabalho em família e da oportunidade de ter os produtos do campo à mesa: "Era cansativo, mas era tão bom. Quer ver o cheirinho da rosca com nata que a minha mãe fazia para o café da manhã. E comer quentinha. Uhmm, que delícia", relembra Beto, quase que ainda sentindo o aroma do quitude. Com o passar dos anos, o Engenho foi crescendo e a família passou a comercializar cerca de 500 sacas de farinha por ano, todas entregues de uma só vez a um Armazém de Itajaí. Do Engenho, tirava-se tudo: "o arroz, a farinha, a mandioca, a tapioca...", explica Beto.

No Óleo Grande, o campo vasto e as árvores no alto da montanha não lembram apenas os dias de trabalho da família Merlo, mas também a memória de muitas famílias dos arredores em uma data especial: 12 de outubro, Dia das Crianças. Neste dia, a festa era garantida com piquenique e balas. O rastro da estradinha que as crianças usavam como brincadeira de escorrega ainda pode ser visto ao fundo da residência dos patriarcas. "A gente começou reunindo 50 crianças. Era uma promessa que a família Merlo fez que se todos estivessem bem e com saúde, essa confraternização seria feita. Com o tempo, passamos a reunir 500 crianças vindas até mesmo de outras cidades, como Ilhota, para participar da festinha", afirma a esposa de Beto, Margarete, que ajudava nos preparativos.


A residência dos patriarcas se mantém de pé

Mas na década de 90, as vendas diminuíram e o senhor Paulo começou a ficar debilitado. Foi quando, em 1994, a família desativou o Engenho e os filhos começaram a trabalhar em indústrias da cidade.

Paulo Merlo, o senhor do engenho, morreu em 6 de abril de 2010, aos 81 anos. A esposa, dona Elvira, aos 87 anos de idade. Hoje, o engenho deu espaço a um rancho, usado como mangueira e a propriedade toda compartilhada entre os filhos do casal.


Beto e Margarete guardam boas lembranças daquele tempo

Beto e a esposa Margarete completam 41 anos de união, possuem três filhos e dois netos. Ambos continuam morando na mesma casa, construída logo após o casamento, próximo à residência dos patriarcas de Beto. Na pequena criação de galinhas, vacas leiteiras, porcos, cavalos e plantação de verduras é possível perceber que a vida de colono ainda é preservada pelo casal.

E o amor pela história da família e pela localidade também são visíveis em suas expressões: "Isso aqui é um paraíso e este é o nosso lugar. Só saio daqui quando alguém me levar ", diz Beto.


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