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A escola-modelo completa 80 anos

Data. A superação de uma comunidade escolar que hoje tem muitos motivos para celebrar o aniversário de oito décadas


A nova escola foi inaugurada em 2015, depois de uma espera de mais de seis anos


A escola que passou por inúmeras dificuldades ao longo de sua trajetória, hoje relembra e comemora os resultados da superação dos desafios e do recomeço, junto com a comunidade de Gaspar. O educandário, criado na década de 1940, no bairro Margem Esquerda, precisou, por duas vezes, mudar de endereço por força da natureza. Na primeira, nas enchentes de 1983/84, quando foi transferida para o alto de um morro no Sertão Verde. Livrou-se das frequentes enchentes e enxurradas, mas jamais imaginaram seus alunos e professores que 25 anos depois, o mesmo morro que os protegia acabou por soterrar a escola na maior tragédia climática que o Vale do Itajaí já viveu.

Portanto, são 80 anos de história com intervalos marcados por improvisos e adaptações, mas o compromisso com a educação de qualidade na Angélica Costa nunca foi um improviso. Do primeiro diretor, Bertoldo Faustino dos Santos, quando o pequeno educandário ainda se chamava Escola Mista João Pessoa, à atual, Marili Spengler, a instituição de ensino é motivo de orgulho para a comunidade. É a primeira escola de Santa Catarina construída dentro do modelo inovador da sustentabilidade. Isto somente foi possível graças à parceria entre o poder público e a Fundação Bunge, que elaborou e executou o projeto após a destruição do prédio da escola em 2008. Em 2015, a escola-modelo foi entregue à comunidade. Orgulho também está na qualidade do ensino na Angélica Costa, que a colocou entre as instituições de ensino de Gaspar com os melhores resultados no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) nos últimos anos. Em 2017, a Angélica Costa chegou a ocupar a primeira posição no município.


A professora Angélica Costa


"Somos gratos pelas parcerias encontradas ao longo dos 80 anos de história. Temos orgulho de nossos alunos, professores, servidores e comunidade escolar, as quais vêm se fortalecendo ano após ano na qualidade da educação", afirma a diretora Marili.

Devido à pandemia, não foi possível realizar a comemoração presencial. Por isso, na sexta-feira, dia 30, data em que a escola completou 80 anos, um evento virtual teve como temática "E.E.B Professora Angélica de Souza Costa, 80 anos de resistência". Depoimentos de ex-alunos e ex-professores, gravados em vídeo (assista em nosso site), que fizeram parte do processo de superação, emocionaram a todos que participaram da celebração online.

Entre as falas, os elogios não foram poupados à professora homenageada. "A professora muito carinhosa, dona Angélica, muito atenciosa para ensinar as primeiras letras. Foi uma professora que marcou muito pra mim", afirmou o ex-aluno Osmar Pereira.

A filha de Angélica Costa, Terezinha dos Santos, relembrou a alegria da sua mãe ao inicar as aulas sempre com algum hino sendo cantado por todos. Mas ela falou também de alguns momentos de dificuldades vividos pelas famílias do bairro Margem Esquerda e também dos professores nesta jornada: "os alunos que frequentavam eram poucos, porque tinha muita pobreza. Não tinha uniforme, não tinha material escolar e ela começou a ir de casa em casa. E depois sr. Silvio Schramm começou a ir junto, e faziam horários no fim de semana para a catequese. Era essa a luta para buscar os alunos. No começo a batalha foi difícil", ressaltou Terezinha. No evento também houve a participação de artistas convidados, alunos e autoridades.


?Nosso compromisso é com uma educação de qualidade para os alunos. Respeitamos a singularidade de cada um, desenvolvendo suas potencialidades?, Marili Spengler. Diretora da escola,

Educação em tempo integral

A Escola Angélica Costa funciona em tempo integral. Hoje atende 177 alunos e possui 29 funcionários. "Nosso compromisso é com uma educação de qualidade para os alunos. Respeitamos a singularidade de cada um, desenvolvendo suas potencialidades", explica Marili ao se referir à forma de conduta profissional no ambiente escolar.

Em um período os estudantes participam do ensino regular e no outro das oficinas pedagógicas, dança, teatro, inclusão digital, jogos, entre outras. Mas a diretora já anuncia que a equipe pretende fazer mudanças curriculares a fim de melhorar ainda mais a oferta de ensino: "Nossa intenção é fazer o currículo integrado na escola, onde as oficinas pedagógicas se entrelaçam as disciplinas obrigatórias. Desta forma não teria mais um período do regular e outro do integral, o aluno, neste caso, desenvolve o aprendizado na íntegra", friza.


?Os alunos que frequentavam eram poucos, porque tinha muita pobreza. Não tinha uniforme, não tinha material escolar e ela começou a ir de casa em casa. E depois sr. Silvio Schramm começou a ir junto, e faziam horários no fim de semana para a catequese. Era essa a luta para buscar os alunos difícil.? Terezinha dos Santos. Filha de Angélica Costa


Uma história de superação


A sede da primeira escola...



... que acabou atingida pela enchente 1983


A escola foi criada em 1941, quando atendia crianças em uma pequena sala de aula, em construção de madeira, no pé do morro, no bairro Margem Esquerda. Passados mais de 20 anos, em 1964, foram construídas duas salas de aula de madeira para atender as crianças. A escola passou a chamar-se Escola Reunida João Pessoa. Durante muitos anos funcionou nestas duas salas, até que, em 1983, quando o Vale do Itajaí foi atingido pelas enchentes, a unidade foi invadida pelas águas. Todo o material didático foi perdido. Não restou nenhuma fotografia, arquivo, documento dos alunos e professores que já haviam estudado e trabalhado no local.

Diante da fatalidade, a comunidade se mobilizou e, em 1987, foi construído o prédio da escola, em cima do morro, e livre das enchentes. Ainda neste período, em 1986, foi nomeada a primeira diretora do educandário, a professora Lídia Regina Demmer Schramm, que ficou apenas um ano à frente dos trabalhos escolares.

Em 1987 assumiu a diretora Elisabeth Schmitt Zimmermann, que esteve à frente da escola até 2001. Logo que assumiu, foi construída a nova unidade de ensino, que possuía três salas de aula, uma cozinha, banheiros, uma sala de direção e uma sala de professores. Em 1988, na gestão do prefeito Tarcísio Deschamps, a escola passou a chamar-se Escola Reunida Professora Angélica Costa, em homenagem à professora que por vários anos trabalhou na escola.

Em 2008 Gaspar passou por mais uma catástrofe climática. A sede da escola foi atingida por um desmoronamento e parte da estrutura foi atingida, impossibilitando a continuação das aulas neste local.

A ex-diretora Nilsa Sabel, que esteve à frenta da escola de 2006 a 2015, acompanhou todo o processo de destruição e reconstrução deste educandário tão querido por todos na Margem Esquerda. "Foi uma sensação muito triste ver a escola embaixo do barro, mas me sinto feliz pelo fato de não ter ninguém dentro da escola naquele dia", diz.

Depois disso, as aulas do primeiro ao quinto ano eram realizadas na EScola Norma Mônica, enquanto as aulas do ensino infantil eram realizadas na comunidade São Sebastião. Para Nilsa, foram longos anos resistindo aos improvisos gerados por falta de espaços e adaptações. "Foi como perder a identidade da escola, foram anos difíceis. Mas sempre busquei fazer os trabalhos em conjunto com a diração da outra escola. Participávamos de todos os projetos e acabamos nos unimos neste processo, formamos uma família", lembra. Ela relata ainda que trabalhar na Angélica Costa foi muito especial. "Foram anos maravilhosos da minha vida e sempre tive muito apoio dos pais e da comunidade escolar para exercer meu trabalho", finaliza.

Para alegria da comunidade escolar, finalmente em novembro de 2014, em parceria com a Fundação Bunge, a escola recebe um novo prédio, com padrão internacional, no loteamento às margens da BR-470. A obra da nova escola custou cerca de R$3,5 milhões e prioriza a sustentabilidade. O espaço possui nove salas de aula, sala de informática, espaço de leitura, pátio externo, playground, horta, pomar, bicicletário e estacionamento.




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