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COLUNA
PE. FERNANDO STEFFENS E PE. RAUL kESTRING

Pergunto, logo, existo!


Sou ignorante ante a verdade absoluta.

Mas sou humilde ante minha ignorância,

e nisto consistem minha honra e minha recompensa.

(Khalil Gibran)

A esperança é uma virtude que combina melhor com quem: crianças, adultos, enfermos, idosos, estudantes, religiosos, empreendedores, sonhadores...? Ou para cada fase da vida, cada situação enfrentada, cada dor ou alegria, porventura, ela se adapta, se conforma, ergue-se como possibilidade? Sem saber ainda o que signifique verdadeiramente a vida e seus dias, o que é a esperança para uma criança? Quando tudo indica a proximidade do fim, o que é ter esperança após oito ou nove décadas de vida? Esperança seria recomeçar sempre? Ou simplesmente confiar, às vezes ingenuamente, que tudo dará certo? O diagnóstico fatal versus a antecipação trágica da perda, certeza inelutável, dialoga com quais argumentos com tal virtude? Ao Apóstolo dos gentios, dirijo-me: diante do que restam apenas estas três coisas, dentre as quais, nosso alviverde assunto?

Por que não, ao invés da esperança, a certeza? Por que não, em seu lugar, apenas as chances - a favor e contrárias? Não seria, por acaso, a esperança um interesse disfarçado? Um codinome para a realização de um prazer pessoal ou de um capricho, de um sonho talvez? Esconderia ela nossos medos: de morte, de solidão, de condenação? Esperança e ansiedade combinam ou se contradizem? Há espaço para dúvidas, desconfiança, desesperos onde há esperança? E se Deus a usasse como recurso para que nele e dele tivéssemos nossa dependência? Paro por aqui. Já são provocações suficientes, acredito.

Não duvido de sua presença, apenas me pergunto sobre sua essência, sua razão, sua necessidade. Tem-se esperança sem que se reflita sobre o que isso significa. Tem-se esperança sem que se conheça a diferença que ela faz na vida humana. Os votos de Feliz Natal e Feliz Ano Novo, em todas as suas variações, são carregados de alguma esperança, ou apenas artificiais slogans? O tão conhecido "graças a Deus", dito a qualquer hora e para qualquer coisa, alberga algum sentido ao locutor ou não passa dum bordão? (Sobrevoa minha mente a ideia de que esse "graças a Deus" pressupõe uma esperança, quiçá uma prece, atendida - mas, talvez, eu me iluda).

Ainda que, na mitologia grega a Caixa de Pandora a tenha aprisionada, a esperança é uma força, um leitmotiv, uma virtude que está para além do mito. É um dom divino que, certamente, nos salva do caos. Uma centelha de sua presença devolve vida, alegria, expectativa, sonhos, vontades e, apesar de todos os questionamentos, extrapola os discursos e voa, novamente, livre feito pássaro, pronta a pousar nos corações que permitirem e fazê-los arder novamente.

A esperança é uma criança. Ressuscitada!

Pe. Fernando Steffens