| ASSINE | ANUNCIE
| | | |
RECONHECIMENTO

Pedro Macuco e 50 anos de diaconato

Primeiro diácono de Gaspar celebra Jubileu de Ouro neste domingo, dia 26 de setembro


Um domingo especial não apenas para a família Schmitt, mas para a comunidade católica de Gaspar. Neste 26 de setembro, Pedro Carlos Schmitt completa 50 anos de diaconato. Ele é o primeiro diácono de Gaspar e, seguramente, um dos cinco primeiros de Santa Catarina. Por isso, o Jubileu de Ouro é ainda mais especial para Pedro "Macuco", como ele é conhecido em Gaspar. Aos 83 anos de idade, o gasparense vai celebrar a data especial ao lado da família e alguns convidados, já que a pandemia ainda impede uma comemoração maior. Mesmo assim, Pedro Macuco está feliz e ansioso com o dia. "Não sei o que a família está aprontando, mas a movimentação está grande", diverte-se.

Uma coisa é certa. Lembranças e muita emoção não vão faltar neste dia histórico. Aliás, Pedro Macuco guarda com carinho, em um álbum de fotografia, as lembranças daquele 27 de setembro de 1971, quando foi ordenado Diácono Permanente sob a benção de Dom Gregório Warmeling, então bispo da Diocese de Joinville, que era a célula-mãe das paróquias da região.

Mas, a identificação de Pedro Macuco com a religião começou bem antes dele ser ordenado diácono. É preciso voltar lá na infância, quando seus pais, Augusto Schmitt e Maria Klock, colocavam os onze filhos numa carroça e "viajavam" do Macuco até a Igreja Matriz São Pedro Apóstolo para a culto dominical. "Não falhava um domingo, era um compromisso sagrado", recorda Pedro. Ele conta que sempre que havia a ordenação de um padre isto o chamava a atenção. "Mexia comigo, achava muito bonito e até, na imaginação, me via lá no altar sendo ordenado". Mas, Pedro admite que nunca se manifestou nele o desejo de ir para o seminário estudar para ser padre. A vocação para o casamento falou mais alto, ainda mais depois que ele conheceu e se apaixonou pela jovem Suely Terezinha Bendini. Há 59 anos, eles subiram ao altar da recém-construída Capela Santo Agostinho para o "sim". Este foi o primeiro casamento celebrado na pequena e simpática igrejinha do Macuco, cujo terreno foi doado pelo pai de Pedro. O casal teve seis filhos: Antônio Carlos, o popular Calo, Rosane, Mário José, o popular Marinho, Ivone (já falecida), Rosângela e Sandra. Com os filhos, duas noras, três genros, onze netos e três bisnetos, o casal forma uma das mais tradicionais famílias de Gaspar. "Deus me recompensou quando me deu essa família maravilhosa", emociona-se Pedro.


O convite

Ele admite que o convite para ser diácono lhe causou surpresa, embora a forte ligação com a Capela Santo Agostinho. Pedro, que morava ao lado, era o responsável por abrir e fechar a igreja em dias de celebração. E foi num dia desses, no final de 1967, que o pároco da Matriz São Pedro Apóstolo, frei Círiaco Tokarski lhe fez o convite. "Ele começou a falar do diaconato; eu confesso que nunca havia ouvido falar essa palavra, pois o diaconato havia sido restabelecido pela Igreja Católica há pouco tempo e nós não tínhamos acesso à informação como se tem hoje", explica Pedro. Frei Ciriaco queria que Pedro ou o cunhado dele, José Bruno Schramm, fizessem o curso para diácono em Joinville. "O convite me chamou atenção, porque eu comecei a lembrar das ordenações de padre que assistia quando criança. Na hora eu me empolguei, mas antes fui falar com o meu cunhado, que declinou do convite", revela. Pedro fez o curso durante três anos. Os estudos eram feitos em casa e uma vez por ano, ele permanecia dez dias em retiro presencial na Diocese. Em 26 de setembro de 1971, ele foi ordenado Diácono Permanente numa grande celebração na Capela Santo Agostinho.


"Cumprimento o Diácono Permanente Pedro Carlos Schmitt por seus 50 anos de fidelidade e amor no serviço à Igreja e aos irmãos e irmãs. Expresso minha gratidão pelo dom da sua vida dedicado à Evangelização em nossa Diocese! Deus o abençoe sempre mais, bem como sua família, com saúde, paz, vida longa e plena realização em seu ministério diaconal.? Dom Rafael Biernaski, bispo da Diocese de Blumenau

Em Gaspar, diácono era algo novo. Foi preciso que os padres fizessem a preparação para a comunidade receber o seu primeiro diácono, explicando o trabalho que desenvolvido por ele. Mesmo assim, Pedro conta que encontrou algumas resistências, principalmente pelo fato de ser casado. "Naquela época, as pessoas achavam que casamento e batizado só podiam ser feitos pelo padre". Mas, aos poucos, ele quebrou essa barreira e passou a ser muito requisitado para celebrações em toda a comunidade. Foram 35 anos trabalhando na Paróquia São Pedro Apóstolo e o restante na Paróquia Barracão. Quando completou 75 anos de idade, Pedro se tornou Diácono Emérito, ou seja, ele passou a celebrar cultos, casamentos, batizados e outras atividades religiosas em todas as comunidades de Gaspar. "Chegava a celebrar dois cultos num único dia", finaliza.

A missão 

O diácono exerce praticamente as mesmas funções do padre, apenas não pode realizar a unção dos enfermos, consagração da hóstia e ouvir confissão. Há dois tipos de diáconos: o transitório e o permanente. No caso do transitório, é uma etapa no processo de estudos para a pessoa se ordenar padre. No caso de Pedro Macuco, ele é um Diácono Permanente, não podendo avançar para o grau de presbítero, pois há a proibição do matrimônio.

Diácono, padre e bispo quando chegam aos 75 anos se tornam eméritos. Seu Pedro é Diácono Emérito há oito anos. Assim, ele não tem mais a obrigação de participar de todas as reuniões, retiros e encontros com os diáconos.

Mesmo assim, ele não se afastou e nem pretende se afastar do diaconato. Pedro segue celebrando casamentos, batizados e cultos, mesmo que em número mais reduzido. "É um compromisso que eu assumi e pretendo levar adiante enquanto tiver saúde", garante. Para ele, fim de semana que não tem celebração sempre fica faltando alguma coisa. "Mesmo não tendo celebração no sábado, no domingo eu estou lá na igreja para assistir à missa", conta. Hoje, uma vez por mês Pedro preside cultos na Igreja Nossa Senhora das Graças, no Bateias, enquanto o diácono Nivaldo Roncáglio assume na Capela Santo Agostinho.


"Pedro, obrigada por tudo que você sempre fez por nossa família. Mesmo se dedicando à comunidade, o que nos enche de orgulho, sempre fostes um pai muito presente. E sempre enfatizou a importância da união em família. Hoje podemos nos orgulhar e dizer que temos uma família muito unida e que tem sempre Deus em primeiro lugar! Suely Terezinha Bendini Schmitt

Autorização

Para se tornar Diácono Permanente é preciso da autorização da esposa. Dona Suely, que foi coordenadora da catequese, não teve dúvida em concordar, inclusive assinando um documento. "A religião sempre foi algo forte na nossa família, certamente isto fez muito bem para o Pedro e todos nós", afirma.

Além de Pedro e Nivaldo, Gaspar tem um terceiro diácono, Luiz Basílio Bastiani, também Emérito e hoje afastado da função.

O primeiro casamento celebrado

O diácono Pedro Macuco batizou mais de 1.800 crianças. O primeiro foi de Adriana Zancanella, em dezembro de 1971. Casamentos foram centenas. O primeiro foi de João Gabriel Bendini (já falecido) e Isadir Bendini, em maio de 1972. João Gabriel era cunhado do diácono.

Mas, uma das celebrações mais emblemáticas nestes 50 anos de diaconato foi o casamento dos filhos Antônio Carlos e Rosane. Os irmãos decidiram casar no mesmo dia, na Capela Santo Agostinho: 15 de novembro de 1985. Antônio, popularmente conhecido como Calo, casou com Lilian Aparecida Schmitt, e Rosane Schmitt com Alberto José Spengler. Na época, o fato chamou muito a atenção da comunidade. Mas, já teve casamento que Pedro Macuco não conseguiu realizar, mas não por culpa dele, mas do noivo que desistiu na véspera. "Fui comunicado um dia antes que não ia mais ter casamento", recorda o diácono

No dia que estava completando 25 anos (Bodas de Prata) de casamento com Suely, Pedro foi até a comunidade do bairro Lagoa celebrar Bodas de Ouro (50 anos) de um casal. "Eu disse para os convidados: estou fazendo essa celebração e logo mais à noite farei a minha de 25 anos", relembra.

E foi assim durante os últimos 50 anos. Pedro ainda celebrou o casamento dos outros três filhos - Rosângela (maio de 1987), Mário José (abril de 1986) e Sandra (julho de 2000) e os batizados da filha mais jovem, Sandra, e de todos os netos e bisnetos.

Cerimônia

A celebração deste domingo, marcada para a Capela Santo Agostinho, será presidida pelo bispo Dom Rafael Bienarski, freis, padres e outros diáconos vão estar acompanhando. Seu Pedro admite que está muito ansioso pelo momento, até porque é uma pessoa emotiva. "Faz parte da minha natureza, eu sou muito emocional".

Profissão

Pedro Macuco conta que fez de tudo um pouco na vida. Começou no cabo da enxada, depois foi "freteiro" e comerciante. Primeiro, comprou uma kombi para transportar os trabalhadores para as fábricas têxteis da região. Depois, adquiriu um caminhão para trabalhar como freteiro. "Fiz muita mudança em Gaspar", recorda. Foi ainda dono de comércio no Macuco, dono de açougue e, por fim, da Casa do Macuco, um próspero comércio no centro da cidade, no começo dos anos 1980. A loja deu um impulso financeiro na vida de Pedro Macuco.

Imagens



LEIA TAMBÉM

JORNAL METAS | GASPAR, BLUMENAU SC

(47) 3332 1620 |




JORNAL METAS - Rua São José, 253, Sala 302, Centro Empresarial Atitude - (47) 3332 1620

| | | |