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EM PROL DO MEIO AMBIENTE

Indústrias investem para racionalizar o uso da água

Exemplo dessa preocupação vem da gasparense Círculo


Alexandre Melo

jornalismo3@jornalmetas.com.br

Até final dos anos 1960, muitas pessoas acreditavam que os recursos naturais eram inesgotáveis. Foi a partir da década de 1970, que o mundo se viu diante do dilema do desenvolvimento aliado à preservação ambiental, que se convencionou chamar de sustentabilidade. Uma equação de difícil solução diante da necessidade de se produzir cada vez mais bens e serviços para uma população em acelerado crescimento. Foi aí que surgiu o Dia Mundial do Meio Ambiente, instituído pela Organização Mundial da Saúde durante a Conferência de Estocolmo, na Suécia, em 1972. O objetivo da data é chamar atenção para a problemática ambiental e a importância da proteção e conservação dos recursos naturais. Palavras como reciclagem, ambientalismo, reaproveitamento, ecologia entre outras entraram para o dicionário do cotidiano das pessoas. A sustentabilidade do planeta passou a ser discutida com mais ênfase e leis surgiram para reduzir a ameaça de escassez dos recursos naturais.

Deu certo, em parte. Afinal, muitos anos depois ainda discute-se "velhos" problemas como a redução da emissão de gases poluentes, desmatamento, destino do lixo urbano e a poluição de rios e oceanos.

Neste pacote de entraves ambientais, a água é um dos principais. Ela deve ser muito bem utilizada para que não se torne um recurso escasso ou finito num futuro próximo, comprometendo a sobrevivência de todas as formas de vida existentes no planeta. Apesar de mais de 70% da superfície terrestre ser composta por água, apenas 1% dela é própria para o consumo, porcentagem que inclui toda a água distribuída entre rios, lagos, lençóis freáticos e represas - enquanto os outros 2% está contido nas geleiras polares. O restante - 97% - é água salgada.


O uso doméstico da água - limpeza, higiene pessoal ou consumo direto responde por apenas 8% do uso total de água no mundo.

Já a agricultura, de onde vem a maioria dos nossos alimentos, é, de longe, a atividade que mais consome água no mundo, sendo responsável por 70% de toda a água utilizada pelos seres humanos, de acordo com números da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

A agropecuária também desperdiça grandes quantidades de água: estima-se que cerca de 60% da água captada para a agricultura seja desperdiçada, especialmente por técnicas inadequadas de irrigação. Por isso, medidas alternativas para evitar a perda de água neste setor - como a irrigação por gotejamento - passaram a ser utilizadas em alguns lugares do mundo. O Programa Mundial de Avaliação da Água da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) estima que, até 2050, o aumento do consumo da água no mundo seja de 20% a 30%.

A indústria responde por 22% de toda a água consumida no mundo. Para se ter ideia, segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), a cada segundo são retirados dos rios 2,3 milhões de litros de água para a fabricação de bebidas, alimentos e cosméticos. A entidade acredita que o aumento da demanda está relacionado, principalmente, aos setores de alimentos, energia e indústria de manufatura.

O uso de água na indústria de manufatura deverá crescer 400% daqui até o ano de 2050. Essa previsão, aliada à possibilidade de escassez do recurso, tem levado as indústrias a considerarem a sustentabilidade em seus planos de negócios de forma cada vez mais frequente. Não é à toa que o termo ESG (do inglês Environmental, Social and Governance - Ambiental, Social e Governança), que recomenda práticas para uma administração e gestão responsável, está em alta e ganhando mais espaço.

Círculo

Algumas indústrias assumiram a vanguarda no seu setor. É o caso da gasparense Círculo, indústria têxtil que é a maior fabricante de fios para trabalhos manuais da América Latina. A empresa adota em diversos processos e produtos ações sustentáveis que são certificadas por diferentes entidades reconhecidas e movimentos que atuam em prol do bem do planeta.

A começar pelo Dye Clean, um processo que reutiliza os banhos de tinturas das linhas da Círculo, mantendo a mesma qualidade da cor e da estrutura do fio. A técnica, também conhecida como tingimento limpo, foi adaptada de forma inovadora e, hoje, a empresa catarinense é a única fabricante brasileira de fios que aplica este processo. "Ela permite que a água do mesmo banho possa ser utilizada para vários tingimentos sem a necessidade de ser totalmente trocada, o que gera uma economia de 90,92% de água nos fios em que o processo foi implementado", revela Felipe Vidoto Dutra, coordenador de P&D.

Em um ano, a Círculo deixou de utilizar 90 toneladas de produtos químicos. Dutra explica que a tecnologia do Dye Clean impactou a empresa de diferentes formas, como a redução da salinização do efluente enviado ao rio Itajaí-Açu, a redução de captação de água do rio, a diminuição de geração de lodo para o aterro sanitário, além de contribuir para a Política de Eficiência Energética, garantindo menor consumo de energia, água e vapor. "A Círculo é a única a tingir fio mercerizado com esta tecnologia no país", observa o coordenador.


Eureciclo

O selo "Eureciclo" certifica a Círculo pela logística reversa de embalagens pós-consumo, por meio de uma plataforma de rastreamento de notas fiscais emitidas por cooperativas e operadores de reciclagem parceiros. É uma garantia de que a marca investe no desenvolvimento da cadeia de reciclagem por meio da compensação ambiental de pelo menos 22% das suas embalagens, conforme previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Já o movimento "Sou de Algodão" surgiu em 2016 para despertar a consciência coletiva a respeito da moda e consumo sustentável. Reúne agentes da cadeia produtiva e da indústria têxtil para acompanhar e incentivar a jornada do algodão ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente responsável. A Círculo participa desta força-tarefa em prol do meio ambiente desde 2020.

A empresa gasparense está na etapa final para conquistar a certificação internacional OEKO-TEX, que exige uma série de testes e análises de amostras para comprovar que os produtos usados pela companhia não possuem substâncias nocivas que possam provocar danos à saúde. O objetivo é garantir confiança e segurança nos produtos desenvolvidos. A OEKO-TEX reúne 17 institutos independentes na Europa e no Japão, que desenvolvem métodos de teste e valores-limite para a indústria têxtil, para dessa forma, manter um padrão de qualidade dos produtos.

"Além de todas essas medidas, vale destacar o Inventário de Gases do Efeito Estufa, que fizemos para termos o indicador e planejar quais ações a empresa pode realizar para reduzir a quantidade de CO2 por quilo produzido. Hoje, estamos com 0,26 quilo de CO2 por quilo de fio produzido", afirma Dutra. Segundo o executivo, a média das indústrias têxteis que possuem inventário está em 0,28 quilo de CO2 por quilo de produto. "Estamos também em processo de acreditação pelo GHG protocol, que garantirá um registro dessas ações e um selo para utilizarmos em nossos produtos", complementa Dutra. Todas essas ações são bases para implementação do sistema ESG e um alinhamento estratégico com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na Círculo. Mas, pequenos gestos também tornam uma empresa grande na defesa das boas práticas de fabricação e fazem parte da cultura da Círculo. Além de todas as medidas e certificações aplicadas nos processos, controle de qualidade e produtos, a apresentação institucional da marca também mostra esse cuidado. Os colaboradores usam em feiras e eventos uniformes que são confeccionados com algodão orgânico e as estruturas dos estandes são, em sua maioria, feitas de pallets reaproveitados.


O vilão dos oceanos e rios

 Ao longo dos anos, muitas vezes o plástico foi visto como vilão quando se fala em preservação do meio ambiente. Mas você sabia que é possível encontrar opções que não oferecem malefícios para o planeta? Isso se deve a uma preocupação industrial, principalmente no Brasil, onde os avanços tecnológicos e científicos se uniram ao aumento de informação e conscientização. Hoje é possível encontrar opções que possibilitam o reuso e são 100% recicláveis. São alternativas para amenizar os danos que o plástico descartável promove.

Empresas como a gasparense Plasvale, com 45 anos de atuação no mercado de plásticos em utensílios para a casa, comprovam a importância da pesquisa e do investimento para seguir crescendo. A empresa que começou com confecção de baldes, hoje tem um portfólio de mais de 800 produtos, e além de explorar outros materiais como vidro e inox, aposta em alternativas em seu processo produtivo visando reduzir os impactos ambientais. "Temos ações e projetos que estão ligadas ao modelo de economia circular, para que possamos reutilizar sobras, rebarbas e até itens que foram descartados para a produção de novas peças que atendam a expectativa de serem sustentáveis", ressalta Samanta Junges, gerente de marketing da Plasvale.

Atualmente, a Plasvale chega a produzir mais de 500 toneladas em itens de plástico mensalmente. Entre as medidas que ajudam a minimizar os impactos causados no meio ambiente, a empresa apresenta todos os produtos como reutilizáveis, 100% recicláveis e, por isso, mais duráveis. Na fabricação, nenhum processo tem envolvimento com emissão de gases, sendo assim, não são lançados materiais tóxicos na atmosfera. Já na linha de produção, não há o lançamento de nenhum tipo de resíduo tóxico no solo. A empresa conta com pisos impermeabilizantes que facilitam a limpeza e o descarte correto do material, não comprometendo o lençol freático.

"Possuímos uma licença ambiental de operação, que afirma que estamos aptos para a operação e não degradamos o meio ambiente. Em todo o processo produtivo seguimos os parâmetros exigidos pelo IBAMA e IMA. Em nossa produção buscamos diminuir ao máximo os desperdícios, sejam eles: excessos como rebarbas, peças com defeito de fabricação, devoluções por motivos de funcionalidade ou produtos que já não estão mais aptos ao uso. Todos eles são processados novamente e reutilizados como parte da matéria-prima da Linha Plasvale Eco, que também possui resíduos retirados das praias em uma parceria com a ONG Eco Local", explica a gerente de marketing da Plasvale.

Outro fator que também sempre apresentou receio por parte dos consumidores foi melhorado a partir da tecnologia. Há muito tempo os itens da Plasvale são testados e livres de Bisfenol A (BPA Free). Sendo assim, suportam variações de temperatura e não liberam substâncias prejudiciais à saúde do consumidor.

Linha Eco

A Plasvale apresentou, recentemente, a linha Eco, que traz produtos feitos com resíduos retirados das praias em uma parceria com a ONG Eco Local. E para fomentar ainda mais esse movimento em prol da sustentabilidade e da preservação do meio ambiente, a empresa possui uma ação relacionada à linha Eco na sua loja on-line. Cada lixeira Plasvale Eco (ref 375LP) vendida no e-commerce da marca, uma nova árvore será plantada. "A campanha já nos trouxe bastante resultados e iniciamos o plantio das primeiras árvores. O primeiro plantio, que foi realizado pelos colaboradores da Plasvale, já aconteceu e foi um momento gratificante para todos nós. Ao todo, foram plantadas 30 árvores, sendo seis delas frutíferas e as outras da espécie ameaçada de extinção palmito juçara", comenta Samanta. Os plantios serão feitos sempre em etapas, a cada três meses faremos um levantamento das vendas do período e depois que atingirem um número mínimo, em Gaspar (SC), cidade-sede da empresa. "A cada plantio, o terreno vai ganhar mais vida, o que também ajuda a estimular, engajar e unir nossos colaboradores, que participam do plantio e se envolvem no projeto. Nós nos preocupamos com o futuro do planeta e queremos repassar isso adiante, finaliza Samanta.


Iniciativa/Prefeitura e IFSC promovem ações voltadas para o meio ambiente

O Câmpus do IFSC/Gaspar e Prefeitura vão promover uma série de ações voltadas para o meio ambiente. A XI Semana do Meio Ambiente do IFSC acontece de 3 a 10 de junho. A abertura da Semana do Meio do Ambiente acontece neste domingo, dia 5, e contará com uma limpeza simbólica na foz do Ribeirão Gaspar Grande e na foz do Ribeirão Alvorada.

Na segunda-feira, das 7h40 às 13h30 acontecerão oficinas sobre biologia, química e educação ambiental, e a partir das 19h acontecerá a palestra "Uma terra só" com José Constantino Sommer e a oficina "vivência impressão botânica" de Barbara Scheeffer. Entre os dias 13 e 24 de junho, será realizado o plantio de árvores em todas as unidades escolares de Gaspar. No hall do Instituto estarão expostos trabalhos a serem prestigiados, como terrários, objetos do desenvolvimento sustentável e doação de mudas. A semana terá uma programação de atividades diversas, e será um evento aberto para a participação da comunidade e de interessados.

Dia 11 de junho, das 9h às 12h, uma grande ação, com diversas atividades, será realizada no Parque Natural Municipal dos Bugios. Na ocasião, será assinado o decreto oficial de criação da unidade de conservação. Grupos de atividades físicas e a Fundação Municipal de Esportes e Lazer estarão no local realizando práticas com comunidade. Haverá atividades específicas para crianças.

Ecoponto

Aproveitando a Semana do Meio Ambiente, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Samae) de Gaspar iniciou nesta quinta-feira, dia 2, a obra de construção do primeiro ecoponto do município. A estrutura ficará localizada no Santa Terezinha em anexo a Secretaria de Obras e interligará os serviços da autarquia com moradores. A população poderá utilizar o espaço para descartar resíduos sólidos que não são recolhidos semanalmente nas coletas orgânicas. Objetos como móveis, pilhas, eletrônicos, lâmpadas, pneus e óleos.

"A obra faz parte de um dos eixos do Programa Avança Gaspar, que visam projetar nossa cidade com mais sustentabilidade para o futuro. Além da instalação do ecoponto, a Prefeitura e o Samae seguem trabalhando na conscientização da população para que cada um faça sua parte." destaca o diretor-presidente do Samae, Cleverton João Batista.

O projeto fará os ajustes dos acessos de entrada e saída de caminhões, urbanização do local e implantação de vagas de estacionamentos para melhor atendimento dos cidadãos durante o processo de descartes dos materiais. O Prefeito de Gaspar, Kleber Wan-Dall, destaca a importância socioambiental do Ecoponto.

"Através desta proposta vamos inibir os descartes irregulares em terrenos e áreas verdes do nosso município. Além disso, essa é outra ação que faz parte de uma série de ações que estamos implantando em Gaspar, que demonstram a nossa preocupação e compromisso com o meio ambiente", pontua Kleber. Mesmo com a instalação do Ecoponto, a coleta seletiva segue normalmente em todos os bairros. O prazo de conclusão da obra é de quatro meses. Ao todo, serão investidos mais de R$ 345 mil de recursos próprios. 



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