Polícia Civil deu detalhes do relatório final da investigação
O homem que matou quatro crianças e feriu cinco na manhã do último dia 5, na Creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, agiu sozinho e tinha a intenção de matar um número ainda maior de crianças. Ele também era usuário de drogas e o teste toxicológico feito logo após a sua prisão indicou a presença de cocaína. Essa foi a conclusão que a Polícia Civil chegou ao final da investigação do crime que comoveu Santa Catarina e o Brasil. Em coletiva de imprensa, na tarde desta segunda-feira (17), o delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, acompanhado da equipe que trabalhou no caso, afirmou ainda que o homem agiu de plena consciência, como também de livre e espontânea vontade. O autor dos crimes foi indiciado por quatro homicídios e cinco tentativas de homicídios.
A Polícia Civil analisou imagens, documentos eletrônicos, conversas em grupos na internet, além de ouvir testemunhas. A equipe da Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos – DRCI, da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic), periciou ainda o aparelho telefônico do investigado. De acordo com o delegado da DIC de Blumenau, Ronnie Reis Esteves, a investigação foi dividida em duas partes: oitivas com o acusado e as testemunhas e a dinâmica do crime. O delegado contou que durante o registro do auto de prisão em flagrante em momento algum o investigado se recusou a dar informações. “No depoimento, a mãe disse que ele era uma pessoa normal até começar a usar drogas e vender drogas para sustentar o vício. Ela só se deu conta de que ele estava usando drogas quando percebeu alteração no comportamento do filho”, Esteves.
O delegado da DIC de Blumenau, Rodrigo Raitz, explicou que foi feito um passo a passo do trajeto percorrido pelo criminoso, desde o momento que ele saiu de casa até se entregar no Batalhão da PMSC. O homem saiu de casa por volta das 8h e foi direto para a academia de ginástica onde permaneceu por 23 minutos. Depois, ele percorreu diversas ruas até chegar à creche, pulou o muro e em 20 segundos matou quatro crianças e feriu outras cinco. Depois disso, ele pegou a moto e se dirigiu ao Batalhão da PM onde se entregou.
A polícia também descobriu que o homem pesquisava na internet sobre ocultismos, seitas e magias. Após analisar as pesquisas feitas em navegadores de internet, a Polícia Civil comprovou que, no dia 15 de março, ou seja, 21 dias antes do ataque à creche, o investigado procurou por modelos de machados.
A psicóloga Policial Civil Larissa Canali disse que no decorrer das investigações não apareceu nenhum diagnóstico oficial de que o criminoso tenha algum transtorno mental. “O histórico é de surtos possivelmente psicóticos, talvez potencializados pelo uso de drogas”, comentou.
Perícia
A perita-geral da Polícia Científica, Andressa Boer Fronza, disse que a análise do celular apreendido do criminoso, do qual foram extraídos até mesmo os dados já apagados para análise e investigação foram feitos na maior celeridade possível. A maior parte dos laudos periciais solicitados foi emitido no mesmo dia ou em no máximo 24 horas. “Nesse momento, os mais de 20 laudos periciais requisitados já foram entregues à Polícia Civil”, informou.
Perguntado sobre o resultado do exame toxicológico do autor dos homicídios, o superintendente regional da PCI em Blumenau, perito criminal Tiago Luchetta, revelou que foi identificado a presença de cocaína, álcool e seus metabólitos. No entanto, Luchetta alertou que o laudo toxicológico é mais complexo que apenas um sim ou não.
O delegado-geral da PCSC, Ulisses Gabriel, também fez um apelo à sociedade para que as pessoas não divulguem fake news e que, ao tomar conhecimento de uma informação, por meio de qualquer rede social, consultem os canais oficiais do governo. “É preciso ter cuidado com as informações que se repassa. Estamos enfrentando uma enxurrada de fake news que causam pânico na população, que já está estressada”. O delegado-geral disse ainda que a mesma força que se usa para investigar uma informação verdadeira é igualmente empregada para investigar a fake news.
A investigação dos fatos foi realizada pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Blumenau em trabalho conjunto com os peritos da Polícia Científica de Santa Catarina e colaboração da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar e Secretaria da Educação do Estado. O inquérito policial foi remetido ao judiciário catarinense.
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