Mãe havia sido informada de que deveria pagar 33% de Imposto de Renda, por isso iniciou uma nova campanha nas redes sociais

As duas instituições financeiras - banco e casa de câmbio - responsáveis pela liberação e remessa à Tailândia do dinheiro para a cirurgia da menina gasparense Maria Eduarda Gonçalves, a Duda, de 10 anos, se equivocaram na informação prestada à família. De acordo com a primeira notícia, a família deveria pagar 33% de Imposto de Renda retido na fonte sobre a transferência do dinheiro - cerca de R$ 180 mil - para o hospital na Tailândia, onde o tratamento será feito. O valor ficava perto de R$ 25 mil. Diante dessa informação, a mãe de Duda, Taynara Cristina Bruno, iniciou na rede social - "Aos Olhos de Duda" - uma nova campanha para tentar levantar o valor, já que a família não tem condições DE bancar o tratamento da menina. Além disso, a últimas altas do dólar tornaram o tratamento ainda mais oneroso. Taynara contou que foi procurada por uma pessoa que faz parte do grupo de Whatsapp "Cirurgia da Duda", informando que entendia que lei  isentava do pagamento do IR no caso de tratamento médico no exterior. Taynara procurou então novamente a agência bancária e a casa de câmbio, quando então veio a nova informação. De acordo com um funcionário da casa de câmbio, de fato houve uma interpretação equivocada tanto da sua instituição quando do banco com relação à legislação. "A cobrança do imposto somente ocorre se o médico viesse ao Brasil fazer a cirurgia, o que não é o caso de Duda, pois ela irá para a Tailândia se submeter ao tratamento", explicou. A informação consta na instrução normativa 1.645 da Secretaria da Receita Federal, de 30/05/2016, (artigo 4º): "não estão sujeitas à retenção do Imposto de Renda na fonte as remessas efetuadas por pessoa física ao exterior para cobertura de despesas médicos-hospitalares".

Bem mais tranquila, Taynara procurou a redação do Jornal Metas para agradecer as primeiras manifestações de apoio à nova campanha que pretendia fazer, e que agora não será mais necessária. "Refizemos os cálculos e com a isenção do IR o dinheiro arrecadado é suficiente para cobrir as despesas do tratamento da Duda. Mais uma vez agradecemos o apoio da comunidade", disse a mãe. Ela afirmou ainda que toda a prestação de contas do dinheiro arrecadado - cerca de R$ 200 mil - está sendo divulgada na rede social da campanha. "Vamos também estar postando tudo que sair da conta, pois queremos ser o mais transparente possível", acrescentou.

A doença

Maria Eduarda Gonçalves, a Duda, foi diagnosticada, ainda bebê, com a hipoplastia, considerada uma anomalia rara que causa a má-formação dos nervos ópticos. Com cinco anos, ela passou a ter nistagmos (oscilações rítmicas, repetidas e involuntárias dos olhos - os conhecidos tremores). Além disso, a mãe conta que a filha sofre com dores de cabeça constantes, porém, a perda da visão estacionou. Mesmo assim, a família corre contra o tempo para realizar logo a cirurgia, a princípio marcada para o dia 18 de novembro deste ano. O problema agora é com relação à vacina contra a COVID-19. Taynara e tia, que irão acompanhar Duda na viagem à Tailândia, não estão no grupo de pessoas que vão ter acesso à vacina contra a COVID-19, por isso, de acordo com a mãe, a Secretaria Municipal de Saúde de Gaspar deverá ingressar com um pedido na Justiça para obter autorização excepcional para que elas possam se vacinar, pois só assim conseguirão entrar no país asiático.

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