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Dia do Agricultor.

'A gente sempre está olhando para o céu e rezando'.

O dia a dia da família Werner, que planta para tirar da terra o sustento e ainda ajuda a movimentar a economia do País

No dia 28 de julho comemora-se o "Dia do Agricultor". A data, criada em 1960, foi escolhida em homenagem ao aniversário de 100 anos de fundação da Secretaria da Agricultura, instituída em 1860 por Dom Pedro II.

Em Gaspar, a agricultura é um dos setores mais importantes da economia, são 2.700 propriedades rurais e pelo menos 1.100 propriedades que emitem nota como produtores. O destaque fica para o arroz irrigado, que produz por ano, cerca de 560 toneladas na modalidade comercial. Na amadora, são mais 420 toneladas. Toda essa produção ocupa uma área de 2.680 hectares de terra do município.

O secretário de Agricultura de Gaspar, André Waltrick, destaca que outro produto que vem desenvolvendo no município é o milho. "Uma atividade que vem crescendo muito em Gaspar nos últimos anos é o cultivo de milho para produção de silagem. Outras culturas que também tem expressão em Gaspar são o cultivo de aipim e palmeira real", informa.

Um dos rizicultores de Gaspar é Ricardo Werner, 38 anos. Ele faz parte da terceira geração da família que vive da agricultura. Antes dele, veio o pai, Pedro Paulo, 65 anos, e o avô Pedro Bonifácio. Todos eles são nascidos e criados no bairro Lagoa e é da terra que vem o sustento da família.

O avô, Pedro Bonifácio, que já é falecido há 16 anos, criou os 14 filhos com o trabalho na roça. Já Pedro Paulo criou três filhos: Ricardo e as duas irmãs. Elas não quiseram seguir pelo mesmo caminho, mas o Ricardo dá continuidade ao negócio da família. Ele e a esposa, Jaqueline, criam o pequeno Joaquim, de 4 anos, e o Francisco, que vai nascer em setembro, com o cultivo do arroz.

Ele conta como a história da família com a agricultura começou. "Meu vô já era agricultor e meu pai foi trabalhar na fábrica porque não dava mais na roça, estava difícil, mas no começo dos anos 90 ele voltou, não quis mais saber de trabalhar em fábrica. Meu avô já tinha colocado o terreno todo em pasto e meu pai transformou tudo em arroizera novamente. Nisso, eu fui crescendo, acompanhando esse processo e fiquei na roça também".

O agricultor planta 47 hectares de terra: 20 hectares que são da família e 27 que são arrendados. Em médio, o plantio rende 160 sacos de arroz por hectare em uma boa colheita, segundo Ricardo. "Tem ano que dá mais, tem ano que dá menos, depende muito do clima. Na verdade é loteria, porque a gente planta, mas não sabe se vai colher. Nós dependemos muito do tempo", destaca. O arroz colhido pelo agricultor e pelo pai é vendido para uma empresa de Navegantes, que faz o beneficiamento do grão.

Vida de agricultor


Apesar de muitas famílias de Gaspar ainda sobreviveram da agricultura, Ricardo diz que a forma de viver está cada vez mais difícil. Insumos com preço elevado, como fertilizante e adubo, além do preço do óleo diesel acabam desanimando os pequenos produtores. "A gente tem vontade que os filhos toquem o que é da gente, só que nós estamos vendo que está ficando cada vez mais difícil. Meu pai tinha um ânimo diferente, eu já vim empolgado, mas tudo que vai acontecendo vai desanimando um pouco, porque tá ficando cada vez mais difícil. Nesse ano que passou as coisas mais que triplicaram de preço, como adubo, fertilizante, ficou tudo muito caro. No óleo diesel nós pagávamos R$ 3,30 no começo do ano passado, este ano está R$ 7,50. A conta não fecha. Mas a gente tem que plantar porque temos todo um investimento programado para dois, três anos. Não podemos parar o barco no meio do caminho", destaca.

Além dos insumos usados na agricultura, outro fator é extremamente importante no dia a dia dos agricultores: o tempo. Ricardo brinca que a vida do colono é rezar para dar sol e rezar para chover, porém, tudo na medida certa. "Não pode dar sol demais, nem chuva demais. É complicado, São Pedro sofre na nossa mão", diverte-se. "A gente está sempre olhando para o céu e rezando, porque não sabemos o que vem pela frente. Teve um ano de estarmos com a nossa lavoura toda para colher, deu uma trovoada de pedra e perdemos 60% da nossa área", lembra.

Ele destaca que o que os mantém firmes e fortes na vida do campo é a esperança. "O colono sempre diz que no ano que vem vai dar bom, então, a gente não desanima porque tem o ano que vem. Sempre tem o próximo ano, o próximo dia e é assim que a gente vive".

"Não pode dar sol demais, nem chuva demais. É complicado, São Pedro sofre na nossa mão" Ricardo Werner

Safra do arroz 

Apesar dos problemas, o agricultor destaca os pontos positivos da profissão. "A gente trabalha livre, trabalha com o que gosta e não tem aquele compromisso do patrão estar mandando na gente".

E para trabalhar no campo é preciso gostar de verdade, porque o dia começa cedinho, antes do sol raiar. Por volta das 5h Ricardo e o pai já estão de pé para iniciar o dia. "Todo dia eu acordo às 5h, tomo café, vou tratar o gado e depois venho para a roça. E tratar o gado é todo dia, não tem sábado, domingo ou feriado, porque eles precisam comer". Além da plantação de arroz, a família tem 30 cabeças de gado de corte.

Depois, é hora de ir para a roça. "A gente passa o dia todo aqui. Ao meio dia eu vou para casa almoçar e depois do almoço já venho de novo", conta, destacando que as épocas mais trabalhosas são na época do plantio, que inicia entre final de julho e começo de agosto, e época de colheita. "Quando chega a época de colher, não dá para perder nenhum dia de sol, tendo tempo bom, tu precisa colher".

Para o agricultor, a colheita do arroz começa em janeiro e segue até meados de fevereiro, quando os grãos devem estar todos cortados. Após, as plantações passam por um processo de roçada para que brote novamente. Essa segunda colheita é chamada de safrinha e é colhida até maio.

Entre maio e julho, a terra fica parada para, no final de julho e começo de agosto, iniciar um novo plantio e, assim, o ciclo da vida na roça recomeça.

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