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DESAFIO

Lesão tira Negakeniana na reta final da ultramaratona

Corredora desistiu faltando 2.500 metros para a linha de chegada

Já era noite de sexta-feira (14) quando Cleusa Varella, a Negakeniana, sentiu o agravamento de uma lesão no músculo posterior da coxa, resultado de duas quedas na noite anterior, praticamente no começo da prova, no quilômetro 15. A lesão passou a incomodar e ela começou a ter dificuldades para correr. A madrugada de sábado veio e a ultramaratonista sentiu demais o percurso e a lesão. A Negakeniana passou a ter dificuldades até para caminhar. Mesmo assim, a corredora seguiu em frente faltando ainda 7 quilômetros para a linha de chegada de uma das mais desafiantes ultramaratonas do mundo: a BR-135+, disputada entre os estados de São Paulo e Minas Gerais. Uma prova onde apenas 16 quilômetros são em terreno plano, o restante  - quase 200km - são de subidas e descidas. A Negakeniana continuou e a equipe de apoio, que a acompanhou durante todo o percurso, tentava motivá-la a vencer as dores, seguir em frente, mas cada vez mais a dor se tornava insuportável. Nem os analgésicos e as massagens musculares conseguiam aliviar o problema. Faltando menos de 2,5km para a linha de chegada, ela decidiu que era o momento de parar, abandonar a prova. Terminava ali o sonho de bater o seu próprio recorde, que era concluir a prova em menos de 40 horas. Essa foi a primeira vez que a Negakeniana se machucou com gravidade numa prova de longa distância. "Acho que ainda assim fecharia abaixo de 48 horas, mas tive que escolher entre terminar a prova e a minha integridade física", afirmou a corredora. 

Competitiva ao extremo, a Negakeniana lamentou muito não ter concluído a BR-135+, propva que ela disputou pela segunda vez, mas admitiu que deveria ter desistindo bem antes. "Paguei um preço alto por não ter parado antes, mas tudo é aprendizado pra vida até a tristeza que estou sentindo, mas logo vai passar e volto forte". Ela contou que a perna simplesmente travou. "Eu não conseguia mais erguer as pernas durante a prova. A Linda (Lindaura, da equipe de apoio) passou a fazer massagens porque eu sentia muita câimbra e a dor era insuportável. A equipe fez de tudo pra me ajudar. Faltava pouco, mas eu tive de parar, pois não estava tendo força nas pernas para me locomover, se não fossem os bastões eu não iria conseguir caminhar", relatou a corredora. 

Cleusa disse que essa foi a prova mais difícil da sua vida. Ela agradeceu a equipe de apoio. "Foi top, ajustada, estavam todos na mesma sintonia". Para finalizar, ela disse que vai estar disputando a próxima BR-135+. "A missão agora é voltar lá e cruzar a linha de chegada. Não vou mudar nada na equipe, serão esses quatro anjos me guiando até a linha de chegada", afirmou a corredora ainda emocionada. Ela aproveitou para agradecer a todas as pessoas que torceram por ela, aos apoiadores e ao seu staff de corrida. De volta a Santa Catarina, Negakeniana foi orientada pela sua médica a fazer uma ressonância magnética no local da lesão, porém, em função da alta demanda dos hospitais da região nas últimas semanas não está conseguindo agendar.   

A prova

A BR 135+ dá índice para outra prova desafiante: a Vale da Morte, disputada nos Estados Unidos. Os corredores que completam a BR-135 abaixo de 48 horas já estão com índice para correr nos Estados Unidos, mas como a prova não foi realizada em 2021, o tempo de 43 horas, que Cleusa conquistou na edição anterior, lhe credencia a ir para os Estados Unidos disputar a Vale da Morte. Evidente que ela vai precisar, primeiro, se recuperar bem da lesão e depois correr atrás de patrocínio para custear passagens, estadia e inscrição na prova norte-americana. 

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