Depois de sofrer maus tratos, a pitbull encontrou um lar

Maus tratos a animais é sempre um assunto que levanta polêmica. Ainda hoje, muitas pessoas acham que os bichinhos não precisam de carinho, respeito e cuidados. É muito comum encontrar pelas ruas, cães abandonados e mal cuidados. Por outro lado, há quem se preocupe com eles e procure ajudar.
É o caso de Ana Luisa Fantini Schmitt, 24 anos. Em sua casa, na Rua José Eberhardt, no bairro Coloninha, ela vive com o namorado e quatro cachorros. Apenas um deles é seu desde a infância, um Daschaund, popularmente chamado de linguicinha, a quem Ana deu o nome de Charlie. Os outros três, todos cães de grande porte, foram adotados pelo casal após passarem por um triste histórico de maus tratos. A primeira que eles trouxeram para casa foi Lara, uma pitbull muito dócil e simpática, a despeito da má fama que sua raça ganhou por conta da exposição na mídia. “Encontramos a Lara através da Aprablu (Associação de Proteção aos Animais de Blumenau) e foi impossível não adotá-la”, conta Ana. Segundo as informações passadas pela veterinária que cuidou da cadela, Lara foi encontrada pela primeira vez amarrada a uma árvore e bastante debilitada.
Quem encontrou o animal a levou para a veterinária, que prontamente deu-lhe os cuidados necessários. A cadela estava prenha, mas perdeu os filhotes em função do descaso com que fora tratada. Então, teve de ser castrada e foi se recuperando aos poucos. Até que uma pessoa resolveu adotá-la.
O que a veterinária não imaginava é que a intenção do novo dono foi de levar a pitbull para as rinhas. “Eu imagino que, como ela não tem comportamento agressivo, não se deu bem nas brigas, por isso o dono a devolveu”, observa Ana. Mais uma vez, Lara chegou para a veterinária bem machucada. E foi então que a cadela encontrou Ana e um lar de verdade. A jovem adotou a cachorra há dois anos.
“Ela é extremamente dócil, dorme com a gente dentro de casa, e demonstra ter cuidado com os outros cachorros da casa”, afirma Ana, mostrando que Lara, de 4 anos, mesmo com as dificuldades dos primeiros anos de vida não faz jus à fama dos pitbulls de serem cães agressivos. Depois de Lara, veio o labrador Balu, de 9 anos. Ele pertencia a uma família de Timbó que iria se mudar para um apartamento. Como era muito grande, o cão não seria levado. “Provavelmente ele ficaria pela rua, ou seria sacrificado”, acredita Ana, que ficou sabendo da existência de Balu por e-mail e resolveu adotá-lo.
O mais novo membro da família é Spike, um border collie que servia como cão de guarda para uma empresa do Bela Vista, para a qual o namorado de Ana prestava serviços. “Ele ficava preso numa corrente, entre caminhões e carros. Estava magro e infestado de pulgas”. Ela acredita que Spike tenha ficado traumatizado com o barulho e a movimentação dos caminhões, pois, dentre todos da família, ele é o mais arredio.

Vacinas
Hoje, sob os cuidados do casal, os cães têm todas as vacinas em dia, são alimentados exclusivamente com ração e vão periodicamente ao veterinário. “Só de ração gastamos em média R$300,00 por mês”, calcula Ana. Ela conta que os cachorros se adaptaram bem ao novo lar e convivem pacificamente. Nunca brigaram nem demonstraram agressividade com as pessoas na rua. “Eles têm medo quando sabem que tem um pitbull aqui, mas a Lara nunca demonstrou agressividade”, garante. Ana e o namorado se mantém sempre informados sobre os animais de rua. Sempre que sabem de algum cão precisando de asilo, informam os amigos que tenham interesse em cuidar. Ana diz que só não abriga mais cachorros porque não tem estrutura adequada para isso. Mas, se dependesse do amor pelos animais, certamente ela cuidaria de muitos outros.

Proteção aos animais

A Associação de Proteção aos Animais de Blumenau é uma organização não governamental criada em 1999, com o objetivo de proporcionar bem estar e proteção aos animais, seguindo os princípios da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, criada em 1978, pela Unesco e subscrita por quase todos os países do mundo, incluindo o Brasil.
Assim como Gaspar, Blumenau não possui um abrigo municipal para animais abandonados. Como não tem sede própria para abrigar os animais, a Aprablu trabalha recolocando esses animais em outras famílias, que possam cuidar deles.

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