Restaurante é atração da gastronomia do roteiro Vila d?Itália
A Rua José Rampelotti, no Alto Gasparinho, fica a 13 quilômetros do centro de Gaspar. Daí pra frente, a subida de dois quilômetros é estreita e repleta de curvas. Na medida em que se avança, a temperatura cai de dois a três graus centígrados, os sinais de civilização diminuem e o cheiro da mata fica mais forte. A família Bertoldi, moradora da última propriedade da rua, vivia da exploração de madeira, porém, a rigidez das leis ambientais acabou inviabilizando o negócio que, até meados da década de 1990, era a principal atividade econômica dos moradores da localidade. Os Bertoldi partiram para um novo negócio.
Em 1997, ninguém de sã consciência pensaria instalar um restaurante naquele distante lugar, desprovido de qualquer infraestrutura de acesso e de tecnologia. E mais: que a especialidade da casa fosse um peixe tão exótico quanto a ideia dos irmãos Nivaldo e Dionizio Bertoldi. Sob os olhares desconfiados dos vizinhos, eles instalaram o sistema de captação de água e o primeiro tanque de criação de trutas. Os alevinos foram comprados na cidade de Corupá.
A propriedade da família Bertoldi reúne condições ambientais favoráveis para o desenvolvimento do peixe, isto é, água limpa, abundante, corrente, oxigenada e baixa temperatura. As primeiras trutas eram pescadas e servidas como petiscos aos amigos e vizinhos sob um modesto quiosque, com meia dúzia de cadeiras e mesas. A propaganda boca a boca levou outros moradores e até turistas ao pesque-pague, e Dionizio à Itália para aprender as técnicas mais apuradas de criação do peixe. Da Europa, ele retornou com a ideia de derrubar o quiosque e ali construir um restaurante especializado em trutas. Em 2002, as novas instalações da Truticultura Bertoldi foram inauguradas. Paralelamente, novos tanques para engorda foram construídos - hoje é possível alojar mais de 10 mil peixes em cinco tanques. Os irmãos Bertoldi garantem o abastecimento do restaurante por meio de um parceiro, na cidade de Botuverá (SC), criam 36 mil trutas.
Se o peixe é atração no Alto Gasparinho, pescá-lo e saboreá-lo viraram obrigação para quem visita o Vila d´Itália. As receitas servidas no restaurante dos irmãos Bertoldi são as mais variadas: truta defumada, frita e o filé coberto com cinco tipos de molhos: amêndoas, alcaparras, alho e óleo, vinho branco com creme de leite e abacaxi.
Nos finais de semana, um bufê à base da culinária italiana acompanha o cardápio. Nivaldo e Dionizio se revezam no atendimento aos clientes de terça à sexta-feira, e nos finais de semana e feriados reforçam a equipe com dois ajudantes. O mesmo acontece na cozinha, onde o comando é das esposas dos proprietários.
De terça a sexta-feira, o preço individual do rodízio é R$ 15,00, enquanto nos finais de semana e feriados o valor é de R$ 18,00. Crianças até dez anos não pagam. O peixe também é vendido no sistema pesque-pague a um custo R$ 10,00 por quilo. Na semana, o cardápio oferece ainda a opção de pescar e prepar o peixe na cozinha do restaurante. Pais e filhos se divertem na pescaria. Saborear a truta servida no cantinho italiano dos Bertoldi, em meio à natureza, é tão especial que o visitante até esquece da distância e da estrada sinuosa, e acaba voltando para uma segunda rodada.
Você sabia?
* A carne de truta é extremamente nutritiva, com alto teor de proteína, cálcio, fósforo, sais minerais e vitaminas. É também rica em ácidos graxos do tipo ômega 3, o que a torna indispensável nas dietas de emagrecimento e na mesa de quem não abre mão de uma alimentação equilibrada e saudável.
* Para justificar o nome de truta arco-íris, o peixe pode assumir diversas cores e tonalidades, que variam de acordo com o ambiente e maturidade sexual.
Peixe precisa de água corrente, limpa e a baixa temperatura
Além de saborear a truta, os clientes têm curiosidade sobre o peixe. Originário das águas frias que saem dos rios das montanhas da América do Norte, a truta acabou levada para outras regiões fritas do planeta, como os rios europeus dos Alpes e dos Pirineus. O peixe é uma espécie bastante exótica para os padrões brasileiros. Pela característica climática predominantemente tropical, a maioria do nosso território é desfavorável ao desenvolvimento da truta, porém, o peixe acabou introduzido, a partir da década de 1950, nas regiões mais frias das serras dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Nivaldo e Dionizio costumam dizer que a truta é o salmão da água doce. “É fundamental que o habitat do peixe seja limpo e de água corrente, bem oxigenada e de baixa temperatura”, explica Nivaldo. A limpeza e manutenção dos tanques acontecem quase uma vez por semana. Filtros estão instalados no setor de captação de água para que as folhas, galhos e outras impurezas não contaminem a água.
Embora se tenha notícia de criações experimentais em Santa Catarina em que algumas trutas pesaram 7kg, na Truticultura Bertoldi o máximo que os peixes atingem é 60 centímetros de comprimentos e 1,2kg. O período de engorda dura dez meses (agosto a abril). Nivaldo explica que o peso ideal do peixe para se preparar defumado é de 300 a 400g. Já o filé não deve ultrapassar a 400g.
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