Margem cede e rio ?engole? antiga casa dos Silva

Margem cede e rio “engole” antiga casa dos Silva

O mundo está mudando. Aquecimento global, crescimento desenfreado das áreas urbanas, aumento da população, diminuição da qualidade de vida, o clima “enloquecido” que a cada ano castiga as populações com mais rigor.
As mudanças são evidentes, basta conversar com pessoas mais antigas para saber o que mudou nos últimos anos. Em Gaspar, a maior transformação foi sofrida pelo rio Itajaí-Açu. Ele ficou mais largo, mais profundo, mais triste e morto. Suas margens são mal cuidadas, e não rara vezes se observa o seu desmoronamento que levam para o fundo do rio as história de muitas famílias.
No bairro Lagoa essa realidade é sentida na pele por Alfredo Silva, 82 anos, conhecido por Rubens. Pescador por profissão (leia matéria na página 7), ele viu a casa onde cresceu (foto acima) ser engolida pelo rio. As ruínas são as únicas provas do passado. A casa foi construída nos anos 1930, por seu pai Alfredo. Era uma casa em alvenaria, “construção de qualidade, para a vida toda, e bem grande para acomodar os dez filhos”, conta Rubens.
A casa está localizada no terreno da família, onde Rubens e os irmãos cresceram. Hoje ele é o único que continua morando nas redondezas. Nos últimos anos viu a casa ser engolida aos poucos pelo rio. “Me dá uma grande tristeza ver isso acontecendo”, lamenta. Ele conta que antigamente para chegar até o rio, a partir da casa de seu pai, era necessário percorrer mais de cem metros, descer a barranca e seguir por um outro caminho por uma pequena praia até chegar na beira do rio. Naquele ponto, a largura do leito do rio era de pouco mais de 30 metros, hoje soma mais de cem e está aumentando.
Apenas a parede da antiga cozinha ficou de pé, o resto está espalhado pela barranca ou já foi engolido pelo rio. As árvores que Rubens plantou para conter o desbarrancamento também foram engolidas pelas águas. Ele precisou fazer uma cerca para evitar que o gado chegue perto da barranca e acabe caindo na água. “É um pecado ver isso acontecendo, quem conheceu como era antes nem reconhece mais”, lamenta.

Lei regulamenta extração de areia
A exploração desenfreada mudou a paisagem do Itajaí-Açu. Em suas águas, agora escuras, profundas e barrentas ninguém mais se refresca, e construir muito próximo das margens é um risco. Desbarrancamentos como o da casa da família Silva eram comuns na década de 1990 e início deste século. Desde 1992, ações de fiscalização foram adotadas para organizar a exploração do rio. Entre as mais significativas estão a regularização da atividade de extração de areia e a proibição de novas edificações em pontos das margens.
Em 2003, o Ministério Público Regional emitiu o Termo de Ajustamento de Conduta, e a Prefeitura pediu ao Departamento Nacional de Produção Mineral que novos alvarás não fossem emitidos para as empresas extratoras. Depois da regulamentação da atividade, os desbarrancamentos diminuíram e o rio já respira sem a ajuda de aparelhos.

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