Conhecido em Gaspar, ele é um exemplo de superação
Conhecido em Gaspar, ele é um exemplo de determinação e superação Sua simpatia já conquistou o coração dos gasparenses. Todos os dias, ele vende sua rifa no centro da cidade. Assim garante o seu sustento e também faz muitos amigos que o respeitam e tem grande estima por ele. Entre os trabalhadores do comércio no centro de Gaspar, não há quem não o conheça. Seu nome é Jean Carlos Nunes.
Morador da Margem Esquerda desde os seus 18 anos, Jean é um exemplo de superação e força de vontade. Todos os dias ele vai trabalhar com sua moto adaptada. A rifa é ele mesmo quem faz e vende a dois reais o número. O prêmio geralmente é uma caixa de cerveja ou, em datas comemorativas, uma cesta de café da manhã. Cada dia corre uma nova rifa e ele entrega o prêmio na casa do vencedor. Na próxima semana, que antecede o dia dos pais, o prêmio será uma cesta de café da manhã. Nesse caso, cada número da rifa custará R$3,50, conforme adianta Jean.
O prêmio vem das lojas que montam cestas na cidade. Jean escolhe e encaminha para o endereço do ganhador. "É uma cesta grande, com ursinho de pelúcia e tudo", garante. Entre os compradores da rifa, Jean já tem clientes fieis, como funcionários do Bradesco e do Banco do Brasil. Jean vende sua rifa de segunda a sexta, e também nos sábados do início do mês, período em que geralmente as pessoas recebem o salário. "Aí a venda aumenta", conta. Ele é quem faz seu horário, e trabalha normalmente das 8h da manhã às 4h da tarde. Só então ele volta para casa.
O vendedor só não vai ao centro em dias de chuva, pois trabalha na rua e, em dias assim, fica mais complicado. "Mas não agüento ficar muito tempo em casa e o pessoal já pergunta por mim", diz contente. Com seu trabalho e o de sua esposa, Neusa Maria Moreira, ele já conseguiu construir sua casa própria, em um loteamento na Margem Esquerda, próximo à pedreira. Sua meta é primeiro terminar a casa, para, mais tarde, comprar um carro adaptado. Também foi com seu próprio esforço que Jean adquiriu a moto que tem hoje, uma biz 125. Quem fez a adaptação do veículo foi a Kalarrari, mecânica do bairro especializada em motos. Mas, até ele ter sua primeira moto, andava só na cadeira de rodas manual. Depois de algum tempo, ganhou um motor para ser instalado na cadeira, o que melhorou bastante sua locomoção. Mais tarde, comprou uma Biz 100, que trocou recentemente pela atual. Com a moto, ele se locomove a longas distâncias. Já foi até Florianópolis. "Essa moto é as pernas dele", diz a esposa, Neusa.
No centro, seu veículo fica guardado no estacionamento do pátio da Igreja São Pedro. E lá ele se locomove com a antiga cadeira de rodas motorizada. Quando vão passear, a esposa vai de carona na moto, ou então, vai na frente de ônibus e os dois se encontram no local de chegada.
Futebol e internet são seus passatempos preferidos
Jean foi vítima de poliomielite com um ano de idade. A doença afetou sua fala e os movimentos. "Ainda bem que não atingiu o cérebro e graças a Deus eu sou um homem inteligente", diz. Ele estudou até a oitava série. Hoje, aos 37 anos, tem em seu currículo a conquista da carteira de motorista para dirigir motos. E passou por mérito próprio, pois foi tão exigido quanto qualquer outro aluno sem deficiência. Ele gosta muito de usar a internet para ler notícias, principalmente sobre futebol, e bater papo. "Gosto de ler o Jornal Metas na internet e usar o MSN", conta. Outro lazer de Jean é assistir aos jogos do Vasco, do qual é torcedor fanático. Ele gosta também de ouvir música. Seus estilos preferidos são sertanejo e romântico. E todas as quintas-feiras ele se reúne com quatro amigos em uma patota para jogar dominó. Cada semana o encontro é na casa de um deles. Durante muitos anos, Jean morou no Santa Terezinha com a avó. Depois que ela faleceu, mudou-se para a Margem Esquerda. Tem duas irmãs e cinco sobrinhos. Os pais são separados há muitos anos. Hoje, ele é o único que ainda mora em Gaspar. Conheceu a esposa por intermédio do pai, que na época namorava uma imrã de Neusa. O namoro do pai não deu certo. Mas, passados quase 13 anos, Jean e Neusa continuam juntos. "Hoje eu me sinto uma pessoa normal. Não sou mais sozinho, trabalho e tenho a minha própria casa", afirma.
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