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Esta edição do Metas nos Bairros é especial. Fomos ao bairro Belchior para conhecer as histórias de algumas mães, e acabamos nos deparando com uma bela confraternização do Clube de Mães no Parque Aquático Cascata Carolina. Lá, ouvimos o relato de belos exemplos de vida. Neste domingo é o Dia das Mães. É o dia de agradecer e de reforçar o amor a quem nos deu a vida. A flor é o exemplo maior deste amor.
ARTIGO
O dilema da sustentabilidade
Caso o mundo adotasse o padrão de consumo registrado nos países de mais baixa renda, como o Butão, de cerca de US$ 1,3 mil por ano, o planeta Terra poderia, pelos padrões atuais, sustentar 13 bilhões de pessoas. Estaríamos, então, despreocupados em relação à sustentabilidade. Mas este patamar está longe de ser idealizado pelo simples fato de que condena suas populações a uma existência miserável. Seria um retrocesso sem precedentes na história humana.
Por outro lado, se todas as nações atingissem o nível de renda, e consequente consumo, dos Estados Unidos, de quase US$ 36 mil anuais, a mãe Terra só poderia sustentar 1,4 bilhão de seres humanos, ou seja, 4 bilhões a menos do que hoje!
Entre as duas faces do abismo, está a média de renda anual dos países, de US$ 9 mil por pessoa, padrão que, segundo cálculos de renomadas instituições internacionais, permite a vida sustentável de 4,5 bilhões de pessoas.
Eis o ponto central do dilema: já temos, então, 1 bilhão de pessoas a mais de carona no planeta. O que fazer diante de um quadro tão delicado? Enquanto não chegamos a um ponto ideal, ou sequer nos aproximamos dele, os líderes políticos precisam dar o exemplo, criando leis e mecanismos para que haja a vital convergência entre os interesses individuais e coletivos, e a manutenção das condições de vida na Terra. Pilar deste movimento é a mudança na cultura do consumo, pela via da educação, centrada em ações proativas no sentido de prevenir malefícios irreversíveis.
Mas também é preciso remediar os efeitos da devastação, a exemplo do que fizemos durante a elaboração e aprovação do Código Ambiental de SC, hoje um modelo de desenvolvimento sustentável para o país. Pra ontem. Sob pena de vermos os “fundos” naturais escorrerem por entre nossos dedos, inviabilizando as condições de vida digna para nossos filhos, netos e bisnetos. Foi-se o tempo que fazer crescer o emprego e a renda, a qualquer custo, era politicamente correto.
Os líderes políticos precisam dar o exemplo criando leis e mecanismos para que haja vital convergência
Jorginho Melo, deputado estadual e vice-presidente da Assembléia Legislativa de SC
Opinião
Quando eu for pequeno
Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.
Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.
Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar.
Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou
[pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.
José Jorge Letria, in “O Livro Branco da Melancolia”
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