O eterno duelo entre crescer e preservar a natureza
A questão da preservação do meio ambiente vem sempre à tona quando se fala em crescimento urbano. Não é diferente no bairro Poço Grande e seus vizinhos, conhecidos por suas áreas verdes e agrícolas, bem como pelo sossego.
Na região próxima ao Ginásio Prefeito João dos Santos novas edificações surgem todo o mês, numa demonstração de que alguma está mudando no Poço Grande. Porém, em outras áreas o ambiente rural ainda predomina. Porém, a pergunta é: crescer ou não? O crescimento é invevitável, mas deve vir acompanhado da sustentabilidade.
Para a secretária de Planejamento e Desenvolvimento de Gaspar, Patrícia Scheidt, manter o aspecto bucólico e com predominância na agricultura será difícil naquela região da cidade, porém o impacto sobre o meio ambiente não será significativo. Isso porque, no Plano Diretor do município, o Poço Grande se apresenta como uma das áreas como menos restrição para a expansão, a despeito das questões ambientais e da falta de infraestrutura reclamada pelos moradores.
Até mesmo a ocupação irregular da barranca do Itajaí-Açu, não preocupa tanto quanto em outras áreas como a do bairro Figueira. “Acreditamos que o crescimento do bairro será segmentado por regiões, com uma concentração residencial mais próxima a Bunge e industrial no sentido Ilhota, na divisa com o Pocinho.
Os impactos serão pequenos, já que no Plano Diretor os especialistas da FURB identificaram que é uma área com menos chances de sofrer degradação, por causa do planejamento urbano que foi feito”, tranqüilizou a secretária.
Além disso, Patrícia diz que a cadeia do morro do parapente e as áreas das redondezas são baixas e serão usadas como piscinão, para a eventualidade de cheias. “Essa região próxima ao morro do parapente não será ocupada. As áreas verdes também ficam mais concentradas, formando um parque a ser preservado”, revela Patrícia.
Já os moradores dos bairros se queixam da falta infraestrutura para suportar o crescimento e o meio ambiente seria um dos mais afetados. A prefeitura se defende e garante que os investimentos nos bairros são feitos de acordo com a demanda e neste caso os projetos residenciais terão todo o suporte para garantir a sustentabilidade da região. “Tudo é cuidadosamente planejado”, afirma Patrícia.
Comerciantes alertam para a falta de infraestrutura
O crescimento do Poço Grande, Pocinho e Macuco ainda é concentrado, podendo se observar áreas desabitadas e muitas propriedades rurais, porém quem já está instalado ou decidiu investir ainda mais na localidade vê que falta um respaldo do poder público, como ressaltou Marcos Schmitt, proprietário da Schmitt Enxovais, inaugurada há cinco meses ao lado das terras de sua família que ainda vive dos negócios gerados pela cana-de-açúcar, no Poço Grande. “A preocupação com o crescimento deveria ser maior, pois estamos em uma rota onde passa muita gente por causa da rodovia, principalmente turistas”, comentou Marcos.
A opinião do jovem empresário é compartilhada por Francisco Soares da empresa Três Castelinhos, que diz que o cresdesenvolvimento vem acontecendo, mas de maneira desordenada, isto é, sem o bairro estar preparado e com pouca fiscalização. “Não tem nenhum controle, pois há empresa que despeja resíduos químicos no ribeirão e ninguém vai lá fiscalizar. Se a ponte sair, o bairro irá crescer muito rápido e tudo pode piorar se não houver desde já planejamento do poder público”, alerta o comerciante. ...
“Acreditamos que o crescimento do bairro será segmentado”.
Patrícia Scheidt
Secretária de Planejamento
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