O legado de Waltrudes Bosio no Margem Esquerda
Arlindo Bosio poderia passar horas falando da esposa Waltrudes Bosio. Outras pessoas também poderiam dar depoimentos sobre a vida de uma das mais conhecidas senhoras do bairro Margem Esquerda. Falecida há cinco anos, Waltrudes deixou saudades e um rico legado de trabalho social na comunidade.
Em 2009, um abaixo-assinado circulou no bairro para que a futura unidade do Posto de Saúde recebesse o nome de Waltrudes Bosio. O projeto foi à Câmara de Vereadores, anexado a dezenas de assinaturas. Em novembro de 2009, a unidade de saúde Waltrudes Bosio foi inaugurada.
Arlindo se emociona ao lembrar da homenagem dos gasparenses a sua esposa. “É merecida, a vida dela foi ajudar os outros.”. O ex-pedreiro viveu 39 anos ao lado de Waltrudes. Neste período aprendeu admirar o belo trabalho comunitário que sua esposa realizava e aceitar o fato dela precisar, muitas vezes, se ausentar do convívio com o marido e os filhos Sérgio e Célio, para atender as pessoas. Ele conta que Waltrudes não escolhia hora nem lugar para fazer o bem. “Se passasse um mendigo em casa à noite, ela abria a porta e o convidava a entrar para comer”, conta Arlindo que acabava envolvendo-se no trabalho comunitário. Muitas vezes, era ele que transportava para Blumenau uma mulher prestes a dar a luz ou um doente. O marido revela, com orgulho, que durante toda a vida conjugal jamais levantou a voz com a esposa. “A Waltrudes era muito meiga e compreensível”. Nem nos últimos 15 meses de vida, já presa a uma cama, ela reclamou do destino.
Waltrudes nasceu em Joinville, mas veio muito jovem para Gaspar, tendo sido criada na família de Olímpio Moretto, no Gaspar Grande. Foi professora primária na escola do Coral das Minas e professora substituta na Escola Olímpio Moretto. Religiosa, dedicou-se ao catecismo por quase 40 anos.
Waltrudes aplicava injeções à noite
Foi em outra profissão prática, de interesse comum em cidades pequenas, que o trabalho comunitário de Waltrudes se destacou na comunidade: a de enfermeira. Arlindo conta que não havia dia e hora para que a esposa atendesse às pessoas que batiam à porta da sua casa, na Rua Pedro Simon, solicitando que aplicasse injeção em um familiar enfermo.
O ofício, Waltrudes aprendeu aos 14 anos. Ela também trabalhou na Farmácia Catarinense. Amiga pessoal da deputada federal, Angela Amin, Waltrudes pedia e recebia, com frequência, caixas de injeção de insulina e outros remédios para os doentes da comunidade do Margem Esquerda e Porto Arraial. Waltrudes foi uma das fundadoras da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Gaspar, e sempre repetia ao marido que não gostaria de morrer de câncer, pois foi justamente essa a doença que a tirou do convívio de familiares e amigos.
Posto
A unidade Estratégia de Saúde da Família (ESF) Waltrudes Bosio, no bairro Margem Esquerda, foi oficialmente inaugurado, mas efetivamente não está em funcionamento. Falta colocar granitos em pias, balcões e mesas. A Secretaria de Saúde informou que uma licitação foi aberta, no final do ano passado, para contratar uma empresa de móveis, mas nenhuma se candidatou. Uma nova será aberta em fevereiro.
Arlindo Bosio conta que a esposa Waltrudes nunca tirava tempo para cuidar dela. “A vida da minha esposa era fazer o bem para os outros. E quando a gente ajuda com o coração, esquece da recompensa”.
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