Eles fazem um dos mais famosos doces caseiros
Uma das especialidades do roteiro Vila d´Itália é a culinária. Os visitantes têm inúmeras opções, e a maioria deles não vai embora sem levar para casa alguma receita ou produto típico da região. No quesito doces caseiros, o casal Nelson e Maria Helena Coradini são imbatíveis. De tanto o turista bater à porta da pequena fábrica, na Rua Carlos Coradini, no Gasparinho, a Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio incluiu os doces e rosquinhas Maria Helena Coradini no roteiro turístico italiano.
Além do turista, os doces atraem a curiosidade de estudantes de Gastronomia, de Produção de Alimentos e até de uma prefeitura do Paraná que esteve visitando a fábrica com a ideia de desenvolver um pólo regional de doces caseiros.
Os moradores do bairro também confirmam a fama dos doces caseiros Maria Helena Coradini e se deliciam com o “casadinho” (biscoito recheado com goiabada). Os doces e rosquinhas são decoradas com glacê e servidos no café colonial do Fazzenda Park Hotel e como sobremesa no restaurante especializado em trutas dos irmãos Bertoldi, no Alto Gasparinho (leia matéria à página 8). Além dos locais turísticos, os biscoitos são comercializados na feira livre, padarias, supermercados e dezenas de outros estabelecimentos comerciais de Gaspar.
Os Coradini trabalham no ramo há 16 anos. Como todo o negócio familiar, o início foi na pequena cozinha de casa e a produção vendida na vizinhança. Maria Helena fazia tudo sozinha, desde preparar a massa no “velho” rolo até o cozimento em um forno elétrico doméstico. Nelson, por sua vez, garantia o sustento da família trabalhando na indústria têxtil.
Nesta época, Maria Helena nem imaginava que seus doces e rosquinhas decoradas fariam tanto sucesso em Gasar e poderiam um dia ser a única fonte de renda da família. “Fazia os doces para vender no bairro e ajudar na renda”, admite a doceira. Os pedidos, no entanto, ultrapassaram a fronteira do Gasparinho e os Coradini assumiram de vez o negócio. Ampliaram as instalações e investiram em novos equipamentos, como o forno à lenha industrial e a máquina para preparar a massa. Isto garantiu agilidade ao processo.
A pequena fábrica foi adequada às exigências sanitárias da prefeitura, e passou a ser associada da Cooperativa de Agroindústria de Produtos Artesanais de Gaspar. Com o selo da Coopergaspar, os doces e rosquinhas Maria Helena Coradini passaram a ser vendidos em praticamente todos os estabelecimentos comerciais da cidade, inclusive nos supermercados Archer, Arno Goedert e Zoni.
Aumentou também o trabalho e a responsabilidade com o controle de qualidade do produto final. Maria Helena conta que no período que antece as festas de fim de ano, é quase impossível atender a todos os pedidos. Ela, o marido Nelson e o filho mais jovem Carlos Henrique, que no período de férias ocupa o seu tempo integral na fábrica, trabalham quase 15 horas por dia para dar conta de atender aos pedidos. Em outras datas comemorativas como a Páscoa, Dia dos Pais, Dias das Mães e Dia das Crianças, o volume de pedidos também aumenta. Por isso, muitas vezes é preciso abrir mão do lazer nos finais de semana. A fábrica só para no período entre o Natal e a primeira semana do ano. “Quando retomamos a produção, os pedidos se acumulam e as primeiras semanas são de muito trabalho”, revela Maria Helena.
Em média, a fábrica produz de 500 a 600 pacotes de biscoitos por semana. O gasto semanal com a principal matéria-prima, a farinha de trigo, chega a 35 pacotes de 5kg. Nelson explica que em função da mão-de-obra familiar, é possível atender apenas o mercado de Gaspar. E a ideia é continuar assim, pois a produção está no limite e a qualidade do produto é o principal ingrediente dos doces caseiros Maria Helena Coradini.
Nelson decora os biscoitos com glacê
Na fábrica de doces Coradini, cada um tem uma tarefa específica. Além de entregar o produto no ponto de venda, Nelson decora os biscoitos com o glacê (cobertura de açúcar) e confeitos. Maria Helena e Carlos Henrique cuidam do preparo da massa e dar o formato final ao doce. Isto na teoria, porque na prática, quando o trabalho “aperta”, todos colocam a mão na massa.
Maria Helena fala com entusiasmo dos seus doces, e a pergunta é inevitável: “Você gosta do que faz?”. Ela responde sem hesitar: “Cada um deve fazer sempre o que gosta, eu adoro perceber que as pessoas têm prazer de consumir o alimento que produzo”, afirma Maria Helena.
De fato, o doce caseiro dos Coradini é uma delícia. Por isso, tantos turistas batem à porta da fábrica para comprar, porém Maria Helena admite que muitas vezes não consegue atendê-los porque a produção do dia está comprometida com os pontos de venda. “Não temos estoque, o que produzimos hoje vai para o ponto de venda amanhã”, explica a doceira. Ela também recebe pedidos para festas de aniversários, formaturas e casamentos. O mais curioso foi o de um casal de noivos que transformou o doce em lembrançinha da festa.
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