A maior bacia hidrográfica de SC

14 Dezembro 2015 17:28:29

São 53 municípios do Vale do Itajaí, Norte e Grande Florianópolis

Da rocha de onde brota em três nascentes de água cristalina, descendo em corredeira para se encontrar com outros rios e ribeirões e encorpando-se até formar um gigante, o rio Itajaí-Açu desperta nas pessoas encanto e medo. 
Em toda a sua longa e sinuosa caminhada, o rio carrega muitas histórias. Histórias de gente que veio navegando em barco improvisado de muito longe e, há muito tempo, para desbravar e povoar o Vale do Itajaí, numa mistura de povos, hábitos e costumes que influenciaram a formação de uma identidade cultural própria. 

História de gente que nasceu à beira do rio, banhou-se em suas águas, constituiu família e de perto do majestoso nunca arredou pé. Gente que viu o Itajaí-Açu se transformar e transformar a paisagem do Vale. Gente que viu o rio ser manchado de tinta, carregar lixo doméstico, engolir suas próprias margens, arrancar árvores, invadir lavouras, ruas, casas, indústrias e comércios. Gente que viu o Itajaí-Açu interromper vidas e sonhos. 
Gente que ergueu prósperos empreendimentos às margens do rio ou simplesmente usou das suas águas para fertilizar o solo. Hoje, são cerca de 1 milhão de pessoas (20% da população catarinense) vivendo na maior bacia hidrográfica de Santa Catarina, com 15 mil km². Mas, afinal, qual o limite dessa bacia? A pergunta é oportuna, pois o mundo também discute, com mais ênfase, soluções para a escassez de água, que ocorre em algumas regiões do Planeta e agora no Sudeste do Brasil. 

O Jornal Metas mergulhou na Bacia do Itajaí e dela emergiu com bons exemplos, projetos e avanços tecnológicos que podem garantir a preservação de toda essa riqueza natural. Ações simples, como a do casal Wigold Schaffer e Miriam Prochnow, proprietários da Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi), na cidade de Atalanta, no Alto Vale. Na contramão das boas iniciativas, fica claro que as agressões à Bacia do Itajaí continuam. É bem verdade que o despejo de lixo doméstico e industrial diminuiu, porém, as escavações aumentaram, arrastando uma quantidade enorme de sedimentos para dentro dos rios e ribeirões. Essa é a nova ameaça que precisa ser combatida pelos órgãos de fiscalização.  Aliás, o poder público, maior interessado, é o que menos faz para conservar os recursos hídricos e todo o rico ecossistema existente na Bacia do Itajaí. 

Faltam recursos, prioridades e boa vontade. Mesmo diante da pressão da sociedade e do Ministério Público, as iniciativas de reduzir o despejo de esgoto doméstico no Itajaí-Açu e seus afluentes não passam de boas intenções. A ameaça também vem de cima. Toda vez que chove forte, o Vale do Itajaí entra em estado de alerta e soluções são lembradas para o recorrente problema das enchentes. 
E elas se tornaram cada vez mais trágicas à medida que áreas verdes são invadidas e devastadas. Precisamos de soluções urgentes para reverter esse cenário assustador, porém, a lentidão das decisões e dos trabalhos tornam as coisas mais difíceis.
 Estamos, portando, diante de enormes desafios na gestão dos recursos hídricos da Bacia do Itajaí, mas acreditamos que tudo começa por uma mudança de atitude da sociedade. São as pessoas que farão a diferença para que o Vale das Águas continue a ser uma terra de oportunidades e de prosperidade.

O que é a bacia?

A Bacia Hidrográfica do Itajaí está em uma área de 15 mil km², correspondente a 16,14% do território catarinense, onde estão assentados 53 municípios de três regiões: Vale do Itajaí, Norte e Grande Florianópolis. É a maior bacia de Santa Catarina e o Rio Itajaí-Açu é de maior curso d’água, com extensão de mais de 300 quilômetros desde suas nascentes até a foz, nos municípios de Itajaí e Navegantes. São cerca de 1 milhão de habitantes vivendo nessas regiões, incluindo duas importantes cidades no contexto econômico - Blumenau e Itajaí. O PIB - Produto Interno Bruto - do Vale é o maior de Santa Catarina, assim como o colégio eleitoral. 

Os principais rios da bacia são: Itajaí-Açu, do Oeste, do Sul, do Norte (Rio Hercílio), Itajaí-Mirim, Benedito e Luís Alves. Já a nascente mais distante da foz é a do Rio Hercílio (Itajaí do Norte), localizada no município de Papanduva, no Norte do Estado. Pelo rio, são 334 quilômetros de distância até a foz.

Uma bacia hidrográfica é todo um território cujas águas são drenadas para rios que irão desembocar em um mar ou em outro rio maior. A área é delimitada por uma linha imaginária chamada de “Divisor de Águas”, que são pontos altos que dividem o escoamento das águas, entre um rio e outro. A Bacia do Itajaí é formada por sete grande sub-bacias onde são sete grandes rios e seus afluentes. 
O Itajaí-Açu inicia no encontro dos rios Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste, para depois se juntar ao Itajaí-Mirim há oito quilômetros do mar, passando a ser chamado apenas de Itajaí.

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Principais rios:
- Itajaí-Açu. Nasce em Rio do Sul, no encontro do Itajaí do Sul e Itajaí do Norte. Foz em Itajaí no encontro com Itajaí Mirim.
- Itajaí-Mirim. Nascente mais distante em Vidal Ramos. Foz em Itajaí no encontro com o Itajaí-Açu.
- Itajaí do Norte. Nascente mais distante em Papanduva. Foz no Itajaí-Açu em Ibirama.
- Itajaí do Oeste. Nascente mais distante em Rio do Campo. Foz no encontro com o Itajaí do Sul em Rio do Sul.
- Itajaí do Sul. Nascente mais distante em Alfredo Wagner. Foz no encontro com o Itajaí do Oeste em Rio do Sul.
- Benedito. Nascente mais distante em Doutor Pedrinho. Foz no Itajaí-Açu em Indaial.
- Luís Alves. Nascente mais distante em Luís Alves. Foz no Itajaí-Açu em Ilhota.

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O gigante nasce de gotas que brotam da rocha

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Num pequeno e silencioso paraíso uma parte da bacia hidrográfica do Itajaí-Açu nasce. O único som é o do gotejamento da água que brota de uma parede rochosa escondida pelo mato, formando um poço raso de água limpa. O lugar fica a menos de 10km do centro da Papanduva, no Planalto Norte do Estado, a 358km de Florianópolis, e guarda uma das três nascentes - a mais distante da foz - do Itajaí-Açu. 

Por lá, nem sombra da forte correnteza e da água escura do rio que passa por Gaspar – última cidade a captar água do Itajaí-Açu para abastecimento da população. Aliás, no local não existem odores, só o do mato. A água é pura e cristalina, o que faz dela uma atração turística em Papanduva onde existem cascatas, cachoeiras e riachos. Já no local onde está a nascente não se pode afirmar que exista exploração turística, pois trata-se de uma área particular e o seu proprietário nunca pretendeu fazer deste privilégio um meio de ganhar dinheiro. 

Mesmo assim, é possível entrar no terreno com autorização, como fez a reportagem do Jornal Metas numa manhã de outubro de chuva forte. Acompanhada de duas funcionárias da Prefeitura, Estela Mari Feris e Márcia Zenf, a equipe chegou até a nascente e não dispensou molhar o rosto na água e imaginar que a partir dali nascem boas histórias de vida graças ao gigante Itajaí-Açu. 

A nascente é de fácil acesso, pois fica muito próxima da BR-116. O pequeno riacho encontra sua primeira queda d´água alguns quilômetros adiante, também em uma propriedade particular. O Itajaí do Norte, também chamado de Hercílio, em homenagem ao ex-prefeito blumenauense Hercílio Deeke, começa a ganhar força quando se encontra com o Rio Itaputã, ainda dentro do município de Papanduva.

Estela explica que a cidade, de cerca de 18mil habitantes, é abastecida pelo Rio São João e que o Itajaí do Norte, chamado apenas de Itajaí pelos moradores, é utilizado mais para lazer. “A pesca é muito comum no rio, nem tanto agora que é época de chuva, mas é uma prática recorrente. No verão, as pessoas costumam banhar-se no o rio”, conta Estela. 

Márcia confirma o que a colega diz, pois ela mesma utiliza o Itajaí-Açu para lazer. Ela e o namorado, que é geólogo, fazem trilhas pela região, tanto que a servidora conhece os caminhos para os pontos mais belos do rio. “É comum termos trilheiros, jipeiros e ciclistas andando pelas margens do rio. A região tem potencial para ecoturismo”, observa Márcia.

Nos despedimos da cidade onde o rio nasce frágil, se torna caudoloso e ganha imponência na medida em que vai serpenteando as cidades, para depois se acalmar e serenamente ser engolido pelo mar numa viagem de mais de 300km até a foz, na cidade de Itajaí.


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