A colonização pelas águas

16 Dezembro 2015 08:36:08

Da exploração ao povoamento, o Rio Itajaí-Açu assume papel de protagonista

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O Rio Itajaí-Açu foi o caminho natural para a exploração, ocupação e, por fim, a colonização do Vale. Tudo começou por iniciativa do paulista João Dias de Arzão - o primeiro posseiro das margens do rio. Em 1765, ele recebeu da coroa portuguesa um lote de terra na foz do Itajaí-Mirim. A intenção dele, porém, não era fundar um povoado: seu único interesse era extrair ouro, assim como também era o objetivo de outros posseiros que para a região vieram procedentes da Capitania de São Vicente. Foi somente a partir de 1823 que se estabeleceu a primeira colônia na região. Os imigrantes açorianos ocuparam o Vale por ordem de Dom João VI, liderados pelo Coronel da Legião da Guarda Nacional, major Agostinho Alves Ramos, que se fixou em terras na foz do Itajaí-Açu, onde agrupou cerca de 40 pessoas, e se tornou um dos mais respeitados cidadãos da época. O assentamento, que deu origem à cidade de Itajaí, conforme cita Christina Baumgarten em seu livro “Sua Majestade, o Itajaí-Açu”, serviu, por muito tempo, como um posto avançado para o acesso dos exploradores que subiam o rio vindos do litoral.

Na época, a atividade econômica na Vila do Santissímo Sacramento, elevada à cidade de Itajaí em 1876, era a extração de madeira. Isto fez com que muitos posseiros, notadamente açorianos, se estabelecessem na região. A madeira era retirada de áreas próximas à foz do Itajaí-Açu e embarcada para as cidades de Santos-SP e Rio de Janeiro-RJ. 

A colonização, de fato, começa em 1835, com a promulgação da lei nº 11 – que deixava claro que a ocupação estava respaldada na existência, traçado e possibilidades do Itajaí-Açu e seus afluentes. A lei dizia ainda que deveriam ser criadas duas colônias, cada uma com dois arraiais: Arraial do Pocinho e Arraial do Belchior, no rio Itajaí, e Arraial do Tabuleiro e Arraial Conceição, no Itajaí-Mirim. A mesma lei contemplava como colonos os posseiros já estabelecidos nas áreas. Cada vez mais, a abundância de terras e as belas paisagens atraíam exploradores, como Charles Van Lede, que instalou uma colônia belga, em 1844, onde hoje está a cidade de Ilhota. O processo de colonização influenciou a formação cultural e socioeconômica da região a partir de 1848, quando o farmacêutico alemão Hermann Bruno Oto Blumenau subiu, com uma balsa improvisada, o Itajaí-Açu. Enquanto na Alemanha as terras eram escassas e alvo de disputas, o jovem alemão via, diante de seus olhos, um paraíso de oportunidades. A imensidão de terras era tanta que fez com que ele instalasse, dois anos depois, a colônia Blumenau. Os primeiros 17 moradores, vindos da Alemanha, chegaram  ao Vale em 1850. Nos anos seguintes, outros imigrantes desembarcaram na colônia, entre eles o mais famoso: o médico naturalista Fritz Müller.

O povoado prosperou, alcançando um território cada vez mais vasto e avançando sobre os afluentes da Bacia do Itajaí. Segundo Guarim Liberato Junior e Lourdes Sedlacek, no livro “O Movimento das Águas”, vários núcleos de imigrantes alemães se sucederam após a chegada do Dr. Blumenau. A colônia Príncipe D. Pedro, com sede na atual cidade de Brusque, se formou a partir de 1860; a colônia Hansa-Hammonia, que deu origem a Ibirama, em 1897; e Bela Alliança, hoje Rio do Sul, em 1892. A partir de 1875, foi a vez da chegada dos italianos ao Vale e logo depois levas de imigrantes de todos os cantos da Europa. O caminho natural para essa colonização era sempre o majestoso Itajaí-Açu e seus afluentes. 

VOCÊ SABIA?

O nome Itajaí-Açu é de origem indígena e foi adotado pelos índios carijós que ocupavam a foz do rio, hoje conhecida como praia de Cabeçudas, em Itajaí. Lá existe uma pedra que provavelmente deve ter se deslocado de uma encosta em épocas remotas e, equilibrando-se sobre as escarpas que formam a praia, assume uma formação original que atualmente é conhecida como “Bico do Papagaio”. Na sua forma original, a pedra assemelhasse à cabeça de uma ave, o Jaó. Por este motivo a palavra Itajaí-Açu significa: ITA = pedra; JAÓ = pássaro; AÇU = rio grande. Ou seja, Rio Grande do Pássaro de Pedra.

 


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