Indústria reaprende a usar a água

14 Dezembro 2015 17:44:22

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Não por acaso, o velho Itajaí-Açu e seus afluentes abastecem centenas de grandes, médias e pequenas indústrias de confecção, que geram milhares de empregos num dos mais importantes pólos têxteis da América Latina. Maior empregadora de Gaspar, a Círculo, com mais de 70 anos de existência, percebeu a tempo que se não cuidasse desse valioso patrimônio ambiental teria de arrumar as malas e se mudar para outro lugar. Localizada às margens do grande rio, a empresa está cercada de residências e comércios que também dependem do Itajaí-Açu para a sobrevivência. Bem próximo, o Samae - Serviço Autônomo Municipal de Águas e Esgoto – tem a sua maior estação de captação de água para abastecimento da cidade. Mais um motivo para a Círculo cuidar para que a fonte não seque.

Para manter a sua produção de linhas e fios têxteis mercerizados em dia, a Círculo capta 90.000 m³ de água por mês e devolve 80% desse volume tratado para o rio - o restante é absorvido pelo processo industrial. Etapas como a de tingimento consomem grandes volumes de água. Durante o processo são necessários de 4 a 12 banhos – depende da cor e da textura do fio - até se chegar ao produto final. A solução para reduzir o consumo de água quem conta é a coordenadora do Laboratório de Análises e Controle de Qualidade da empresa, Reginalda Vieira: “Implantamos um método de reuso de água no processo de beneficiamento que gerou uma economia de 40% de água”.

Nem todas as indústrias tem essa consciência, até porque tratar a água para o reuso exige investimentos. A Círculo não economizou naquela que a coordenadora chama de a “menina dos olhos” da empresa: a Estação de Tratamento de Efluentes. Na ETE, a água utilizada no processo passa pelos tratamentos físico-químico e biológico, que consistem em separar todos os elementos químicos resultantes do processo industrial e devolver a água ao rio num nível de pureza superior de quando da sua captação, o que pode ser facilmente observado na coloração da água. 

Já o resíduo sólido (lodo), gerado ao final do tratamento, tem como destino um aterro sanitário específico.
 
CONCEITO SUSTENTÁVEL
A cada duas horas, a água tratada na ETE é analisada no laboratório da Círculo e, mensalmente, num laboratório credenciado pelo governo do estado, em Blumenau. Afora isso, a Círculo sofre rigorosa fiscalização dos órgãos ambientais, que podem realizar “visitas surpresas” à empresa e recolher amostras da água de qualquer etapa do processo industrial. 

A Círculo também está atenta às novas tecnologias sustentáveis. O sal não iodado, um dos elementos utilizados no tingimento dos fios, também foi reduzido a níveis toleráveis – cerca de 80% -, o que também baixou o índice de carga tóxica da água. Toda essa preocupação tem um efeito lá na ponta, quando a empresa coloca seus produtos no mercado. “O reuso da água elevou o nosso conceito junto aos clientes de empresa que produz com sustentabilidade”, destaca o diretor industrial, Carlos Udelson Zagolin. O meio ambiente também agradece.

"Implantamos um método de reuso de água no processo de beneficiamento que gerou uma economia de 40% de água”. 
Reginalda Vieira, coordenadora  do Laboratório de Análises e Controle de Qualidade 


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