Emprego e renda para milhares

14 Dezembro 2015 17:36:28

Dezenas de atividades econômicas dependem das águas da Bacia do Itajaí

 

Há, no mínimo, uma dezena de argumentos para justificar a importância da Bacia do Itajaí no contexto econômico do Vale. Da exploração das jazidas de minérios, passando pelo ciclo da madeira, transporte pluvial, agronegócio, ecoturismo até a indústria, as águas do Itajaí-Açu serviram ao desenvolvimento da região. E ainda servem. 

Segundo o Comitê do Itajaí, o volume de água captada na Bacia do Itajaí - rios, córregos, lagos e até mesmo poços artesianos - é de 49.848.098 m³/mês. A lavoura é responsável pela maior demanda, chegando a 18 milhões de metros cúbicos - o equivalente a 35,91% do uso consuntivo da Bacia. O  volume maior vai parar na plantação do arroz irrigado ou pré-germinado – uma atividade  secular no Vale do Itajaí.

Paulo Francisco Moser, de 53 anos, morador da localidade de Águas Negras, no bairro Figueira, dedica-se ao plantio do arroz irrigado em 25 hectares de área na Garuba, também no Gaspar Grande. Foi com o pai, Francisco Moser, que ele aprendeu o ofício. Aos 19 anos, Paulo assumiu a lavoura após a aposentadoria do pai. Hoje, para irrigar sua plantação, ele retira água de dois ribeirões: o Garuba e o Águas Negras. “Antigamente, quando se arava a terra, usava-se muita mais água. Hoje, o volume é menor”, afirma. 

ARROZ IRRIGADO
A água é captada por meio de uma bomba instalada dentro dos rios ou ribeirões ou erguidos tapumes e, através de canos, ela é desviada para valas ou canais de irrigação, que alagam as quadras de arroz. “Além de suprir a necessidade das plantas, o método irrigado auxilia no preparo do solo e no controle das plantas daninhas. No preparo do solo, a água serve para a formação da lama, como referência para o renivelamento e, consequentemente, facilitar o alisamento do solo”, explica o engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Josi Rodrigues Prestes.

Segundo ele, o volume de água captada deve ser suficiente para a formação de uma lâmina de 5 a 10 cm na área a ser irrigada em um período de 24 a 48 horas. “Para a manutenção da lâmina de água, é necessária uma vazão de aproximadamente 1 litro por segundo por hectare. A necessidade média por hectare por safra varia de 7 mil a 10 mil metros cúbicos, incluindo a água da chuva”, concluiu o engenheiro.

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Pecuária e piscicultura também são dependentes
Outra atividade que depende das águas da Bacia do Itajaí é a criação animal - que utiliza próximo de 9 milhões de m³ por mês, ocupando o segundo lugar na demanda. Marco Aurélio Gamborgi, de 38 anos, é um dos produtores rurais que fazem parte desta estatística. Em uma propriedade do bairro Lagoa, em Gaspar, ele cria vacas leiteiras da raça holandesa. Atualmente, das 130 cabeças, 100 delas estão em idade reprodutiva e 68 produzindo – o que gera uma produção de mil litros de leite por dia. 

“A água é fundamental para o meu trabalho e na região temos a quantidade e qualidade adequada para a criação dos animais. Ela é um importante nutriente para as vacas leiteiras, levando em consideração que 87,5% do leite é água”, explica o pecuarista. Gamborgi, que assumiu o comando dos negócios do pai, Milton Tadeu Barroza Gamborgi, de 68 anos, explica que a água utilizada é captada de um poço artesiano que existe na propriedade. “Em média, uma vaca consome 100 litros de água por dia”, revela.  

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A água em abundância encontrada na Bacia do Itajaí foi também determinante para o desenvolvimento da criação de peixes em toda a região do Vale do Itajaí. Foi na década de 1980 que a atividade começou a ganhar força e, hoje, apenas em Gaspar são produzidas cerca de 700 toneladas de peixes por ano em aproximadamente 200 hectares de água alagada. Deste total, cerca de 50 mil são da propriedade de Sérgio Bailer, de 50 anos. Ele aproveitou que a água de cachoeiras vem naturalmente até sua propriedade, no bairro Gaspar Grande, para dedicar-se à piscicultura. O peixe é comercializado para abastecer pesque-pagues de Gaspar e do mercado de São Paulo. “Minha origem é a rizicultura, mas vi na criação de peixes uma oportunidade para aumentar a renda familiar’, admite o produtor.


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