A chegada da luz

14 Dezembro 2015 17:47:40

A partir de 1914, em Blumenau, entrou em operação a primeira hidrelétrica do Vale

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Dos lampiões a querosene às lâmpadas de led, a evolução do sistema de geração de energia precisou sempre de um rio. Isto porque, o Brasil é um país que gera quase toda a sua energia a partir de hidrelétricas. No Vale do Itajaí não foi difícil evoluir da vela para a luz elétrica, afinal, a Bacia oferece a matéria-prima em larga escala. 

Blumenau largou na frente. Em dezembro de 1914, a Usina Salto foi a primeira unidade geradora de energia do Vale do Itajaí - na época com 2000 cavalos vapor (1491,4 kw/h). Em menos de dez anos, a hidrelétrica já abastecia as cidades de Itajaí, Nova Trento, Tijucas, Indaial, Ilhota, Navegantes e Brusque, por meio de uma rede de distribuição regional.
Cento e um anos depois, a velha usina segue operando com quatro geradores por onde passam 90 mil litros de água por segundo - o equivalente a três caminhões-pipas – e capacidade de geração de 6.280 kw/h, o que daria para abastecer um bairro do tamanho do Garcia, em Blumenau. 

Até completar 100 anos, em 2014, a usina operava no sistema analógico. Com a informatização, o processo passou a ser controlado a partir da central de Energia Elétrica de Santa Catarina (Celesc), em Florianópolis. Apenas as comportas, transformadores e elevação da tensão continuam no sistema manual. “Tem-se um acompanhamento mais preciso das operações, mas por outro lado perdeu-se um pouco o charme de operá-la analogicamente”, admite o operador Justino Coelho. Ele olha para o passado e uma ponta de saudosismo invade suas lembranças. “A usina tem um valor histórico e econômico inestimáveis. Sem ela não existiria Blumenau e todo o desenvolvimento da região”. 

O engenheiro elétrico Alexandre Costa, responsável pela hidrelétrica, conta que a usina foi sendo sistematicamente ampliada. “Fomos acrescentando novas unidades geradoras na medida em que a demanda por eletricidade aumentava”. Mas, o Vale cresceu de uma forma que para suprir a necessidade foi preciso construir novas usinas – duas estatais e uma privada - aproveitando o potencial da Bacia, formando um sistema elétrico interligado a várias centrais geradoras, linhas de transmissão e centros de consumo - as subestações distribuidoras.  Represando as águas dos rios Bonito e Palmeiras, em Rio dos Cedros, gera-se energia elétrica para abastecer boa parte do Vale do Itajaí. A hidrelétrica Cedros, em Alto Cedros, é a maior: 18 milhões de m³ de água que produzem 8.400 kw/h.

O Rio Bonito, em Palmeiras, é menor, com nove quilômetros de extensão, mas tem maior volume de água: 32 milhões de m³ que geram 24.600 kw/h. 

Salto Pilão
A quarta usina, a de Salto Pilão, é a mais nova e a única da Bacia do Itajaí administrada por um consórcio privado. Inaugurada em 2009, Salto Pilão é uma das maiores usinas subterrâneas do Brasil. A hidrelétrica tem potência de 191 mil kw/h - 82% da energia produzida na bacia. Cerca de 700 mil imóveis são atendidos.

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