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PEDOFILIA

Professor é suspeito de abuso sexual em Ilhota

13 Abril 2018 17:04:00

Professor foi afastado das suas funções e uma Comissão de Sindicância foi instaurada

Redação Jornal Metas
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Um professor de educação física, de 60 anos, que leciona na Escola José Elias de Oliveira, no bairro Minas, em Ilhota, foi afastado de suas funções por tempo indeterminado nesta semana. A medida, tomada pela Secretaria de Educação do município, aconteceu devido a uma denúncia de abuso sexual contra uma aluna, de oito anos. A denúncia foi feita pelos  pais da estudante, que procuraram a direção da escola na segunda-feira (10) para relatar que a filha teria sido assediada pelo professor durante a aula de educação física.

Em entrevista exclusiva ao Jornal Metas, a mãe contou que percebeu, na semana passada, que algo estava errado porque a filha mudou de comportamento. "Ela adorava ir para a escola. Nem quando estava doente ela queria faltar às aulas", afirma. Porém, na semana passada, a menina começou a reclamar de ter que ir à escola. "Eu a questionei e ela respondeu que era chato ir para a aula, porque tinha alguns meninos que ficavam brigando com ela", afirma. A mãe insistiu para que a filha continuasse a frequentar a escola até que, na sexta-feira, dia 6 de abril, ela voltou para casa chorando. "Ela chegou em casa e falou para o avô que não queria mais ir para a escola, pois o professor tinha passado a mão dentro da calça dela. Ele me contou e eu fui conversar com a minha filha. Ela confirmou para mim o que tinha dito ao avô", emociona-se a mãe. Segundo ela, a criança disse que estava sentada em um banco, próximo à quadra de esportes, quando o professor de educação física sentou ao lado dela. "Ela disse que ele a puxou para bem próximo e colocou a mãe dentro da calça dela".

Para a mãe, a revelação da filha é como se o mundo tivesse desabado. Ela e o pai da criança procuraram a direção da escola. Foram ainda orientados a fazer um Boletim de Ocorrência na delegacia de Ilhota. "Estamos abalados, né? É horrível passar por uma situação destas, ainda mais sabendo que o abuso aconteceu na escola, onde acreditamos que nossos filhos estão protegidos", desabafa a mãe. A criança, de acordo com ela, mesmo com o afastamento do professor ainda sente medo, mas continua frequentando a escola. "Espero que a justiça seja feita. Não tive dúvidas em denunciá-lo e todas as pessoas que passam por uma situação destas deveriam fazer o mesmo", acentua a mãe. A criança estuda na escola do bairro Minas há quatro anos e, segundo a mãe, o professor começou a lecionar no educandário neste ano. "Recebi muito apoio, principalmente dos meus vizinhos, que me incentivaram a seguir com a denúncia. Não é fácil, até mesmo porque eu já fui aluna deste professor", revela. 

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Educação, por meio de e-mail, confirmou o caso e o afastamento do professor suspeito de abuso sexual. Os questionamentos foram respondidos pela diretora pedagógica, Joseane Debarba Vieira. De acordo com ela, no dia seguinte à denúncia o professor foi afastado de suas funções e o caso encaminhado à Comissão Permanente de Sindicância e Processo Administrativo da prefeitura. Ele é professor efetivo na rede municipal de ensino desde fevereiro de 1999. Quando questionada se o professor já havia sido afastado em outra oportunidade, pelo mesmo motivo, a diretora negou. "Ele nunca foi afastado e não consta nada nos arquivos do Departamento Pessoal que desabone sua conduta", reafirmou. A reportagem apurou que o professor é bastante conhecido na comunidade de Ilhota e também atuaria como ministro da Igreja.  

Investigação 
O caso também está sendo acompanhado pelo Conselho Tutelar de Ilhota, que conseguiu falar com a família apenas na sexta-feira (13). A coordenadora do órgão, Gilmara Schmitt, explica que assim que soube do caso procurou a escola e, posteriormente, a secretaria de Educação. "Enviamos um ofício à secretaria de Educação pedindo mais informações, mas não obtivemos nenhuma resposta. Então liguei para lá e, mesmo assim, não consegui obter muitos detalhes. Vamos acompanhar a situação até mesmo para podermos informar a Promotoria da Vara da Infância e Juventude", explicou. A preocupação do Conselho, revela Gilmara, é porque o mesmo professor já foi alvo de reclamações pelo mesmo tipo de atitude quando trabalhava em outra escola. Porém, ela não soube informar exatamente o ano que isso ocorreu. 

O delegado Jerônimo Ferreira, da Polícia Civil da Comarca, afirmou ao Jornal Metas que abriu inquérito para investigar o caso. "Na sexta-feira (13), os pais da criança e a aluna foram ouvidos pela psicóloga da Polícia Civil, em breve novas testemunhas serão ouvidas". A reportagem tentou localizar o professor suspeito, mas sem sucesso.

Os nomes de todos os envolvidos estão sendo preservados para se evitar a exposição da menor, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)

 

Relembre outro caso

Em abril de 2016, um caso de abuso sexual contra uma criança de apenas três anos, ocorrido no Centro de Desenvolvimento Infantil (CDI) Cachinhos de Ouro, no bairro Figueira, em Gaspar, revoltou a comunidade. O crime foi cometido por um auxiliar de professor, que na época tinha 20 anos e que confessou o abuso à polícia. O crime foi flagrado por uma servente de merendeira que afirmou que o auxiliar segurava a criança em um dos braços e com a outra mão acariciava as partes íntimas dela. "Quando ele me viu fez de conta que não estava acontecendo nada e foi lavar as mãos", afirmou ela na época. O caso ganhou grande repercussão na cidade e dois dias após o ocorrido, moradores da localidade foram até a frente do CDI para protestar. A revolta da comunidade foi em relação à conduta da secretaria de Educação de Gaspar que, ao ser informada do ocorrido pela direção do educandário, em vez de chamar a polícia, preferiu apenas mandar o suspeito para casa. Ele foi preso preventivamente apenas cinco dias depois, após se apresentar, acompanhado dos advogados, na delegacia da cidade.

O auxiliar de professor foi ouvido e depois levado para o Presídio Regional de Blumenau, mas sua prisão não durou muito tempo. No dia 31 de maio de 2016, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) concedeu ao suspeito um habeas corpus, garantindo a ele o direito de responder o processo em liberdade. A decisão do tribunal mobilizou novamente a comunidade que, mais uma vez, foi às ruas protestar. Em outubro, o afastamento do suspeito do cargo público se transformou em demissão por justa causa, depois da conclusão de um inquérito administrativo, instaurado pela prefeitura. 
Em fevereiro do ano passado, o acusado, pais da vítima e testemunhas estiveram no Forum da Comarca de Gaspar para a primeira audiência. O processo corre em segredo de justiça. 


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