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A chance de mudar o próprio mundo

"Quando fui a um Rotary Club pela primeira vez, ainda no Interact, perguntaram o que eu seria no futuro, e eu disse 'governador de distrito'", recorda André Vilaverde Moutinho, que em 1º de julho de 2019 assumiu a governadoria do distrito 4780, no Rio Grande do Sul. "O Interact e o Rotaract desenharam toda a minha trajetória familiar e profissional. Essa experiência nos programas pró-juventude fez com que eu verdadeiramente entendesse e colocasse em prática na minha vida o espírito do Rotary ."

Da mãe ele diz que recebeu uma educação muito boa. Do Rotary, novas perspectivas. Quem falou do Interact foi um amigo de escola. André tinha 13 anos quando ingressou no clube. Você sai do teu mundinho fechado e vai viver a realidade dos outros, em comunidades muito carentes. O Interact me abriu as portas." No caso de André, abriu também as portas do coração. Foi no Interact que ele conheceu Cássia. "Tínhamos 16, 17 anos, e começamos a namorar." O relacionamento foi amadurecendo e acabou em casamento. Em paralelo, André seguia seu caminho, agora no Rotaract. Em 1993-94, ele chegou a representante distrital de Interact e, em 1996-97, a representante distrital de Rotaract - cargos que, na estrutura dos programas, equivalem ao de governador de distrito. A transição para o Rotary foi acontecendo aos poucos. Ele já conhecia alguns rotarianos e acabou convidado a associar-se ao Rotary Club de Bagé-Campanha, seu clube até hoje. "Fui muito bem recebido.

Perda e recomeço 

Tudo parecia perfeito até que, apenas três anos depois de seu casamento, um exame revelou que a esposa Cássia, tinha um câncer no estômago. O foco dos dias passou a ser a recuperação dela. Uma luta, uma luta pesada, que Cássia, sempre guerreira, acabou perdendo em 2012, aos 37 anos. André tinha pela frente a difícil tarefa de recomeçar a vida. A pequena Vitória, com três anos, precisava que ele fosse forte, e André foi. "Duas semanas depois do falecimento de Cássia, o pessoal do clube foi até minha casa me buscar para a reunião. Eles disseram que eu não podia ficar sozinho, me chamavam pra jantar, sair." Depois de quatro anos recuperando-se da perda, André conheceu Andréia e, com ela, outra porta da vida se abriu. Os dois estão vivendo juntos na casa onde também moram Vitória, hoje com dez anos, e suas novas irmãs, Isabela e Gabriela, filhas de Andréia, de nove e 11 anos.

Paciência e tolerância 

André acredita que, durante essa transição do Rotaract para o Rotary, todos precisam ter muita paciência e tolerância. André acredita que, se não tivesse entrado no Interact, seu mundo seria menor agora e ele não teria desenvolvido muitos potenciais. "Conheci cidades, países e tive experiências que eu não sei se teria. É bom olhar para o lado e ver o quanto a gente pode crescer como pessoa e profissional. Tudo que eu tenho hoje vem dessa vivência no Interact e no Rotaract, e assim como eu tive a chance de mudar o mundo, de mudar o meu próprio mundo, quero despertar essa ideia em outros jovens."

* Texto: Nuno Virgílio Neto, publicado na Revista Rotary Brasil, abril, 2020.