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Tudo azul

"Blumenau, alles blau" é o sugestivo título da obra organizada pelo saudoso humorista Horácio Antônio Braun. Foi lançada em 1992, com 160 páginas, pela Editora Paralelo, de Florianópolis. 

A capa também criativa mostra as costas de um corpanzil de um alemão, com direito a suspensório, sentado num banco de um boteco. Esparramado sobre o balcão. Curtia sem dúvida uma ressaca daquelas exageradas: chope ou cerveja. Talvez com doses de steinhäger.

O livro traz o patrocínio maior das Conservas Hemmer e um incontável número de anúncios de indústrias e comércio da região (e até de um hotel de Bombinhas).

Na crônica A canoa e o quartel, Horácio conta que: "Norival José Cordeiro, o Gaspar/blumenauense "Vavá" é uma pessoa fantasticamente conhecida. Onde vai, em minutos, consegue fazer amigos, tal a sua simpatia e tratamento carinhoso que dispensa a todos.

"Vavá" sempre teve revenda de automóveis e caminhões usados, sendo um dos pioneiros do ramo em Blumenau. Noite dessas, numa reunião etílico-gastronômico-beneficente do Clube dos Camarões no Steak House, um dos membros, José Braz Baptista, explicava ter realizado um sonho, pois havia acabado de comprar uma enciclopédia Barsa. E dava detalhes: Desde o meu tempo de estudante que eu tenho isso na cabeça. E hoje finalmente eu comprei uma Barsa". Nisso, "Vavá" que acabara de chegar e só tinha ouvido a última frase, acrescentou: "Se tu comprastes uma Barsa, , eu comprei duas canoas. Enchente nenhuma mais me pega de surpresa".

Passado um tempo, outro membro do clube José Carlos Furfantini discorria sobre as atividades mundiais do Cartel de Medellin, no que "Vavá" que não havia ouvido bem emendou: "Quartel do Tomelin? Sou cunhado dele e nem sabia que ele tinha um quartel".

O livro traz 3 partes: "Nacionalização do Vale do Itajaí" ou Espiando Blumenau pela fresta; Entre uma e outra cerveja, com as crônicas do Braun e Quem viveu, lembra, reunindo historinhas de conhecidas figuras da vida blumenauense, especialmente convidadas.

Segue o título e o autor de algumas delas:

- Dos tempos do bar pop "Barbarella", Roy Kellermann;

Atentado ou desacato?, Roberto Buechele;

Dor de dente, Hélvion Ribeiro;

Em um bar da Praia Grande, Urda Alice Klueger ( (foi grafado o sobrenome como Kleuger);

Bares/lares, Rubens Heusi:

Minhocas congeladas, Lauro Lara;

A beata e seus "encarnos", Aiga Barreto Müller Hering;

O pezinho de anjo, Artur Tadeu Monteiro;

Pequena história à maneira de "Plu-menau - receio de gravidez" - Péricles Prade...

A parte que não cai bem no livro é a primeira. Um capitão designado para nacionalizar Blumenau não poupa críticas aos saudosos da terra de seus antepassados, na Alemanha. Ele os trata simplesmente de nazistas.



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