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Tragédias engraçadas

01 Fevereiro 2019 18:40:38

Segundo o Dicionário Escolar de Alfredo Scottini, aliteração ou aliteramento consiste na repetição das mesmas letras ou sílabas em vários versos, para imitar algum som, ruído, ou produzir alguma sensação diversa. É uma figura de harmonia, utilizada por Chico Buarque neste verso: "Pedro pedreiro penseiro esperando o trem que não vem...". 

A primeira vez que ouvi o nome Marcos de Vasconcellos foi curtindo o Samba da pergunta, em que ele só utiliza a letra p para cada palavra da canção. Acabei de ler Tragédias ligeiras (Editora Codecri Ltda., leia-se Coleção Edições do Pasquim, 1981, 126 páginas).

Descobri então que além de compositor popular, esse mineiro, criado no Rio de Janeiro, tem outras aptidões: é arquiteto e jornalista. Seus textos compareceram nos mais importantes jornais e revistas cariocas.

Em Tragédias ligeiras, deliciamo-nos com historinhas como as que seguem:

Em Ubari, perto de Ubá, terra de Ary Barroso, um sujeito granfiníssimo, montando uma mula linda, aproxima-se de Ferdy Carneiro, criador da Banda de Ipanema e tremendo gozador. Mas era grã-fino caipira, paletó de couro tacheado, chapéu de aba dura, óculos Ray Ban, botas de sanfona. Ferdy disse que a mula tinha uma pele como a da vedete Rose di Primo e propôs imediatamente a compra. - Dou duzentos contos no animal! O sujeito, sem responder, virou-se meio de lado e enquanto acariciava a anca da mula ia dizendo baixinho, sensual, comovido: - Renata... Renatinha... Minha Renatinha... Ferdy corrigiu correndo. - O senhor me desculpe! Eu não sabia que se tratava de sua senhora!

O travesti Valéria, numa temporada artística no Egito, teve que ser operada(o) às pressas. Apendicite aguda. Na enfermaria destinada às mulheres, durante a toilette uma enfermeira, estranhando, chamou imediatamente os médicos: - Afinal - perguntaram - o que é a senhora? Valéria, com brejeirice, fazendo bico: - Eu sou me-ni-ni-nho.

Esta narrativa lembra a fama dos que maldosamente dizem que o florianopolitano não quer nada com o trabalho: Joaquim Cardoso, famoso poeta e engenheiro, recebeu numa segunda-feira, de manhã cedo, um projeto do Oscar Niemeyer para calcular. Examinou as plantas superficialmente, esclareceu-se de uns detalhes, perguntou: - O Oscar está com pressa? Informado que sim, consulta o relógio, comenta: - Bom, segunda-feira, a semana está praticamente perdida...

O Cristo adoeceu na última hora e o único substituto, para não arruinar a procissão de Semana Santa no circo, era o palhaço Bebéu que já estava maquiado. Emocionadíssimo, foi removendo o nariz postiço, a careca, as tintas e, transfigurado, viver o papel mais importante de sua vida apagada. No exato momento que entra em cena, um moleque grita das arquibancadas: - Eu conheço aquele cara, rapaz! Aquele cara é o palhaço! Bebéu, desnorteado, arrepanhou as partes, sacudiu e berrou de volta: - Tá aqui o palhaço! Tá aqui o palhaço!



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