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Redundâncias úteis e inúteis

21 Setembro 2018 15:27:00

Redundância, conforme o "pater burris", equivale a excesso, repetição de palavras, pleonasmo. A mais ouvida e escrita, totalmente descartável, é ´há tempos atrás´. Ora, o verbo haver equivale ao advérbio atrás. Ou se diz: há tempos... ou tempos atrás.
Existem aquelas tão usadas e burras: sair pra fora, entrar pra dentro, subir pra cima e descer pra baixo. No entanto, o acréscimo do advérbio lá dá ideia de distância. Assim: - Saí lá pra fora - estou no Arroio Chuí; entrei lá pra dentro - cheguei ao fim do corredor; subi lá pra cima - aterrissei no céu; desci lá pra baixo - atingi as profundas do inferno.
Nas figuras de sintaxe ou de construção, pontifica o pleonasmo, ou seja, demasia, excesso, redundância. Pode ser aceito como exemplo de fala popular: "Entre cá dentro, disse o morgado." (Camilo Castelo Branco) ou para enfatizar a ideia: "Cantei uma canção...", isto é, cantei com alma e coração. Os exemplos do primeiro parágrafo constituem o pleonasmo vicioso.
O pleonasmo só se justifica para dar maior relevo, para emprestar maior vigor a um pensamento ou sentimento. Quando nada acrescenta à força da expressão, quando resulta apenas da ignorância do sentido exato dos termos empregados, ou de negligência, é uma falta grosseira.
Estão nesse caso dizeres como: 
Pronunciar uma breve alocução (= discurso breve).
Reiterar de novo os agradecimentos (reiterar equivale a dizer de novo).  
Considera-se a penicilina uma panaceia universal (panaceia é o mesmo que remédio universal).
Mas há também o objeto pleonástico. Veremos que, para dar maior realce ao objeto direto, é costume colocá-lo, no início da frase e, depois, repeti-lo com a forma pronominal (o, a, os, as), como nesse passo:
"Letras vencidas, urge pagá-las, disse eu ao levantar-me." (Machado de Assis).
Ponte prometida, cumpre construí-la!
Epizeuxe? Parece palavrão ou nome de doença! Mas consiste esta figura de linguagem em que se repete seguidamente a mesma palavra, para exprimir uma paixão, uma compaixão, uma decisão para exortar:
Mauro e Napoleão? Onde estão, onde?"
Nunca votarei no Bolsonaro, o ignaro, nunca, nunca, nunca!
Evite, portanto neste ano em que o brasileiro está descrente como nunca esteve na política e nos políticos, cometer redundâncias inúteis: 
A brisa matinal da manhã deixa qualquer um satisfeito.
Ele teve uma hemorragia de sangue.
E o dito Bolsonaro é um ignaro, além de redundância, constitui-se numa rima rica e verdadeira.



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