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Quem tem medo de Eduardo Galeano?

Acabo de ler O Teatro do Bem e do Mal. O autor, uruguaio, é um dos poucos nomes da literatura expressiva da minúscula e vizinha sul-americana.

Conheci seus primeiros textos na última fase do Pasquim, com saborosas, ternas e líricas crônicas.

O Teatro do Bem e do Mal, ganho de presente natalino em 2003, de amigos no natal, comemorado em Caieira da Barra do Sul, em Floripa. Este livro, pequenito, pertence à L&PM Pocket, de Porto Alegre, a maior coleção de bolsos do Brasil, com 162 páginas, é uma reunião de artigos publicados na imprensa do mundo inteiro.

São textos escritos em seu estilo impecável, nos quais com ironia e bom-humor aborda questões cruciais de nossa época no plano social, econômico, político, militar e ecológico.

Eduardo Galeano nasceu em Montevidéu, Uruguai, em 1940. Jornalista e escritor, esteve no exílio na década de 70 e começo da década de 80. É autor de uma vasta obra traduzida em mais de vinte línguas. Recebeu prêmios na Dinamarca e nos Estados Unidos. Antes de entrar no sério das questões denunciadas e abordadas, vamos nos divertir um pouco com o seu texto Lápides:

Epitáfios escritos em túmulos de diversos cemitérios, aqui na Terra:

- Por querer estar melhor, estou aqui.

- Eu lhes disse que não me sentia bem.

- Nem Deus pode me tirar o que eu gozei.

- Cometeu o delito de ser bom.

- Esta cinza regada foi boca beijada.

- E ainda lhe brotam as frutinhas.

Cumprimentou os conhecidos, abraçou os amigos, beijou os queridos. E foi-se.

Ela não era deste mundo.

"Para não ver a realidade, o avestruz afunda a cabeça no televisor", conclui o escritor brasileiro Millôr Fernandes.

Tarzan, dos estúdios Disney, é o maior êxito do cinema infantil ao fim do milênio. A história, como se sabe, passa-se na selva africana. No filme, não aparece nenhum negro.

Diz Woody Allen, meu ideólogo preferido: "O futuro me preocupa, porque é o lugar onde penso passar o resto da minha vida".

Claro que os donos do mundo (leia-se Estados Unidos) e outros exploradores e poluidores do planeta odeiam Eduardo Galeno e suas verdades.

Alguns de seus livros, editados no Brasil: Memória do fogo (Os nascimentos); Memória do fogo II (As caras e as máscaras); Memórias do fogo III (O século do vento): O livro dos abraços; As palavras andantes; Futebol ao sol e à sombra; Mulheres; De pernas pro ar; Vagamundo; Dias e noites de amor e de guerra e As veias abertas da América Latina.

Alguém tem medo de Eduardo Galeano?

Eu não.


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