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Pronominais e umas notas a mais

Teixeira-te ou te cheira 

- O catarinense Nereu Correa em seu livro A palavra (uma introdução ao estudo da oratória, editora Laudes, em convênio com o Instituto Nacional do Livro, MEC, 1972, 149 páginas), com trechos de discursos de Afonso Arinos, Aliomar Baleeiro, Pedro Calmon, Plínio Salgado, Prado Kelly e mais alguns, conta um episódio pitoresco a propósito de apartes durante um discurso parlamentar. Flores da Cunha ao responder a um seu colega do Norte, deputado Teixeira Coelho, novato na Câmara, estava mais preocupado com a naturalidade da língua do que com a gramática. Inicia brasileiramente um período com pronome oblíquo. O deputado Teixeira Coelho chamou-lhe a atenção dizendo que no Norte todos timbram em colocar os pronomes de acordo com as normas gramaticais. Surpreendido com aquela lição de português, o tribuno gaúcho, com um sorriso nos lábios, deu-lhe o troco na hora:

- Reconheço o meu pecadilho contra a pureza do idioma. Mas acontece, deputado Teixeira Coelho, que no meu Rio Grande do Sul, nós falamos mais com o coração do que com a razão. E os pronomes vão sendo colocados ao sabor das emoções. Porém o que mais me espanta é que Vossa Excelência, que me censura por causa de um pronome mal colocado e que se diz filho de uma terra que timbra em respeitar às leis do vernáculo, tenha nascido com o pronome fora do lugar. E conclui com riso sarcástico: Vossa Excelência chama-se Teixeira Coelho quando devia chamar-se Cheira-te Coelho.

Pimenta a granel

Cláudio Feldmann é escritor. Reside em Santo André, São Paulo.

No texto Vidro de pimenta, encontramos, entre outras, preciosidades como estas:

- Até livros religiosos subiram de preço: é o efeito da eucaristia.

- La Fontaine fazia os animais falarem. Depois veio a TV.

- Se a percepção dos cegos se concentra nos ouvidos, por que os livros em Braille não têm orelhas?

- Um poeta senil, que trina romanticamente, é como um adulto que ainda mija na cama.

- Sobre antologias coletivas de poetas, cabe o provérbio chinês: "Muitos cozinheiros estragam o molho".

- Pode-se medir o nível da cultura nacional pelo seguinte fato: Minerva, deusa da sabedoria, no Brasil é marca de sabão.

Os ditos acima foram extraídos de uma das edições de Jornal do Enéas.

Criado e redigido pelo escritor Enéas Athanázio, em Balneário Camboriú, onde reside, o informativo durou o tempo que pôde.

Publicou, ao longo de suas edições, textos de autores de todo o Brasil: contistas, cronistas, ensaístas, poetas, chargistas e mais os gêneros que se possa imaginar.

Deixou um vazio danado.


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