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Pasquinadas

Faz anos, uma livraria (que como tantas, logo fechou) abriu na rua Nereu Ramos, ao lado do Restaurante Internacional, que mais tarde se mudaria para a Alameda Rio Branco. Dei de cara com o livro O Pasquim - Antologia - volume 1 - 1971. Jaguar e Sérgio Augusto respondem pela organização e apresentação. Achei um tanto salgado o preço e deixei pra lá. Afinal, tinha toda a coleção do semanário que revolucionou a imprensa neste país, nascido em plena ditadura militar e alvo de constante e implacável censura.

Infelizmente, uma das grandes cheias levou todos os exemplares. Dia desses, encontrei na Biblioteca da Rua das Palmeiras a dita obra. E resolvi matar saudades. Levo ao leitor uns trechos encontrados no livro:
Já que estamos em ano de eleição, vamos seguir o conselho do Paulo Francis: "Sempre insisti em votar nos candidatos com menos de um metro e 60 cm de altura e olhos azuis, - baseado - solidamente creio eu - na premissa de que dos males sempre o menor. Quanto aos olhos azuis, é uma mera questão de gosto pessoal."

Nas entrevistas, sempre com toques de irreverência total,  há uma psicografada. Sérgio Porto, falecido antes do nascimento do Pasquim, assinava com seu nome, as crônicas líricas, criou  Stanislaw Ponte Preta, para curtir o humor. Assinada pelo respeitado crítico musical Sérgio Cabral, pai do malfadado ex-governador do Rio de Janeiro, que leva seu nome, reproduziu bons trechos dos escritos do  Festival de Besteira que Assolou o País, que podem ser encontrados em diversos livros do Febeapá. Eis umas amostras:

"Em fevereiro de 1965, o diretor de suprimento em Brasília proibia a venda de vodca "para combater o comunismo".  Abril também marcou uma bruta espinafração do Juiz Whitaker da Cunha no Departamento Nacional de Estradas e Rodagem, que enviara seis ofícios ao magistrado e, em todos os seis, chamava-o de "meretríssimo". Na sua bronca, o juiz  dizia que "meretíssimo" vem de mérito e "meretríssimo"  vem de uma coisa sem mérito nenhum".

"O pensador católico Tristão de Athayde, uma das personalidades mais festejadas da cultura brasileira, chegava a mesma conclusão da flor dos Ponte Preta em relação à burrice reinante, ao declarar numa conferência: "A maior inflação nacional é da estupidez."

"O economista Glycon de Paiva pronunciou a seguinte frase, durante a posse do Sr. Harold Pollland, no Conselho Nacional de Economia: "O Brasil é um país com problemas urgentes, ingentes, mas sem gente." Segundo Tia Zulmira, "essa frase que parece inteligente é justamente de gente indigente e metida a inteligente."

 



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