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Na beira do mar - Camboriú (2)

Depois de Itapema, anos depois, os 50, aportávamos em Balneário Camboriú. Na praia, destacava-se, de madeira, o Hotel Miramar e uma casa de material do Erico Scheeffer. Pra juventude, o ponto de encontro era o restaurante- dançante Mariluz. E as caminhadas não eram poucas. A praia é pra lá de grande.

Na rua que morávamos, perto da Casa dos Padres, tínhamos como vizinhos o médico Carlos Moritz, que foi prefeito de Brusque e que, anos mais tarde, viu seu filho, César, ocupar o cargo e Sada, gerente do Banco do Brasil em Blumenau . Na esquina da rua, em frente à praia, reinava agitado o Zeca da Bilica, que em enorme espaço abrigava armazém, jogos e salão de baile.

Pesque e não pague                                                                                                        

As pescarias, no então não tão poluído rio Camboriú, rendiam, em canoa alugada, balaios e balaios de peixes. E tudo coisa grande: bagres, robalos, cocorocas e mais e mais. Perto do meio-dia, a turma resolveu matar a sede num barzinho simples. Um genro do Sada botou olho grande numa garrafa cheinha de pimenta malagueta. Baiano, gordo e bonachão, quis provar a danada. Alertado pelo proprietário que era da braba, nem titubeou. Encheu a mão com o produto e comeu-o como se fosse doce de morango. Espantado, o dono não cobrou a conta.     

A pedido, meu pai deixou-me numa ilhota, lembrando mangue, para fisgar peixe pequeno. Não lembro o nome, lembrava uma piava. De repente, uma nuvem de maruins tomou conta do meu corpo. Larguei caniços, pulei no rio, nadando rumo às nascentes pra abrigar-me na canoa de papai que, de carretilha, preocupava-se em fisgar peixes maiores. 

Um amigo gaúcho, João Felipe Blom Lied, aposentado e vivendo muito bem em Florianópolis, quer mudar-se para Camboriú. Argumento : - Todas as cidades são vazias e tristes, principalmente aos domingos. Ela não.

Outro conhecido, de Indaial, Gabriel Osório Schroeder Cunha, assinalou, com grande dose de ironia, no semanário Ronda, de Blumenau:

"Zé da Bilica, num momento sublime de inspiração etílica, exclamou, olhando para a ilha-mar-praia:

"Camboriú c´est la praie la plu belle du monde!"

Era figura folclórica, homem de negócios, nativo, porém em débito sério com o nosso idioma. Imaginem com os demais. "Praie" não é praia em francês. Seria "plage", ou ainda, "grève".

E "point finale".


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